Clima de Copa do Mundo ainda existe?
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| Imagem ilustrativa dos meus álbuns da Copa |
Ontem foi dia da abertura da Copa do Mundo 2026, E para falar sobre Copa de um jeito um pouquinho diferente, começo este texto com uma pergunta despretensiosa que pode pegar de surpresa a maioria dos meus leitores, assim como me pega de surpresa também a cada vez que eu refaço esta pergunta para mim mesma. Uma pergunta que o povo brasileiro se faz a cada quatro anos. O clima de Copa ainda existe?
Já faz algum tempo que esse clima chegou devagar em ruas, casas, comércios e restaurantes de todo o país que "se veste" de verde e amarelo. Vendem todo tipo de artigo com temáticas do Brasil na Copa,
Pessoas que normalmente torcem por times diferentes a cada quatro anos torcem juntas por um mesmo time.
Ruas pintadas e em dias de jogos confraternizações entre amigos e até "estranhos" que se juntam em frente a uma tevê para torcer pelo Brasil.
E a parte mais legal, colecionar o álbum da Copa.
Tradição que serve para aproximar gerações. Pais e filhos colavam figurinhas juntos e trocavam as repetidas com vizinhos, colegas de escola e trabalho.
Em praças, condomínios, livrarias e clubes, isso também ajudava na socialização de pessoas que por vezes ocupavam o mesmo espaço e quase nem tinham tempo para trocar um simples cumprimento. E também conhecíamos novas pessoas. Todos num "espírito de equipe" com o objetivo de completar seu álbum e ajudar outros a completarem também.
Meu primeiro contato com a Copa do Mundo aconteceu na pré-escola.
Lembro que a professora deu um desenho do mascote Naranjito da Espanha para pintarmos.
Em casa, cheguei a assistir os jogos do Brasil.
Enquanto assistia, os adultos comentavam muito sobre a Copa de 1970 no México em que o Brasil tinha conquistado o título do tri campeonato.
A cada história que eu ouvia, ficava curiosa para saber como seria a comemoração caso o Brasil fosse campeão do mundo.
A Copa de 1982 eu acompanhei mas pouco me lembro. Só lembro na verdade de ter visto Sócrates e Zico jogarem.
Em 1986, acompanhei com um pouco mais de consciência. Torcia bastante. Queria ver o Brasil ser campeão. Era muito animada e fiquei triste quando o Brasil não conseguiu vencer em 86 e em 90.
Eu sempre ficava pensando se algum dia veria de perto essa festa do Brasil conquistando o tetra.
Em 1994, eu ainda me animava bastante, ajudei até a pintar e decorar a rua e assista aos jogos torcendo muito em cada jogo. Em casa mesmo.
Assisti a todos os jogos no SBT, o que era uma tremenda novidade já que a emissora não tinha costume de transmitir eventos esportivos. Mas tinha o Amarelinho, o bonequinho virtual que torcia pelo Brasil, vibrando com os gols.
No jogo da final, assisti lá também mas acompanhei os pênaltis pela Globo porque minha avó trocou de canal.
Foi tenso acompanhar os pênaltis. Quando Taffarel defendeu uma das cobranças pude ouvir Galvão Bueno gritar com muito entusiasmo o nome do goleiro brasileiro.
Claro que fiquei feliz. Já estava feliz com a entrada do jogador Viola, o camisa 9 do Corinthians à época. E, por muito pouco ele não marcou um golaço que poderia evitar os pênaltis. Enfim...
Depois daquela defesa, mal sabia eu que o melhor estava por vir. Roberto Baggio da Itália bateu o pênalti para fora e assim o Brasil conquistou o tetra tão sonhado.
Como a TV estava na Globo , eu não pude ver o Amarelinho comemorando a conquista da Copa mas vi o primeiro meme viral que surgiu antes mesmo da internet: Galvão Bueno com o microfone na mão gritando É Tetraaaaaa e pulando agarrado ao pescoço de Pelé que fazia os comentários na transmissão da emissora carioca. A imagem ganhou o mundo através de jornais e vídeos que replicavam a façanha.
Chorei muito, gritei até ficar rouca e coloquei o disco do Roberto Carlos com a música Verde e Amarelo no último volume. Finalmente eu tinha descoberto como era o Brasil vencendo a Copa.
Em 1998, ainda quis pintar a rua, ainda torcia mas estava mais tranquila.
Inclusive quando a França ganhou da seleção brasileira, eu fiquei triste mas passou logo. Parecia que tanto faz como tanto fez.
Assisti as partidas com vizinhos que puseram a TV no quintal e faziam churrasco. Assistia também com amigos de clube e professores de natação quando os jogos caíam em dias de aulas.
Em 2002, assistia aos jogos que o sono me permitia assistir.
Trocar o dia pela noite não era "compromisso".
Os jogos do Brasil geralmente eram disputados entre 6:00h e 8:00h da manhã, dava pra ver..
Preferia a narração do saudoso Luciano do Valle na Band. Já tinha TV no meu quarto há muito tempo.
E naquela época fazia pouco tempo que realizei o sonho de ter um quarto só meu.
De madrugada eu dormia. Não vi aos jogos exibidos as 3 da manhã.
Só duas vezes fiz questão de madrugar: num dia de jogo dos Estados Unidos e num jogo da Inglaterra, dois países que admiro culturalmente.
Assisti a final de 2002. Final é final.
A partida foi emocionante.
Fiz algo inimaginável para qualquer corinthiano: Torcer para o goleiro Marcos pegar pênalti e fazer boas defesas. Ali ele era o goleiro do Brasil.
Comemorei mais discretamente e só. Vida que segue.
2010 a Copa se resumiu em Wacka Wacka, música da Shakira e completar meu primeiro álbum.
Via os jogos e até vestia verde e amarelo mas era mais embalada pela euforia do que por outra coisa. Valia mesmo a festa com amigos, parentes ou vizinhos.
Em 2014, o que me animou mais foi a Copa ser no Brasil.
Tive a chance de ver o clima de um país sede de perto quando fui com minha tia pegar o transporte que levava o público até o estádio. Inclusive escrevi essa experiência em detalhes aqui mesmo no blog.
Aliás a Copa de2014 me inspirou bastante a escrever pois o estádio do Corinthians, naquela época chamado de Arena Corinthians foi o estádio da abertura da Copa. Também fiz o álbum de 2014 para guardar de recordação do ano em que a Copa era disputada no país, na minha terra natal.
Ultimamente não me animo tanto por Copa como antes.
E digo porque: há tempos a seleção é feita de rostos desconhecidos pois são jogadores sobre os quais nunca ouvi falar.
Eu não acompanho futebol árabe.
Em outros tempos, quando a maioria vinha de times da Europa, ainda dava pra saber quem eles eram.
Sou do tempo que a seleção convocava de fato os melhores jogadores atuantes no Brasil e alguns do velho continente. Hoje em dia, parece mais que empresários convocam por vários interesses.
Mas não sou daquelas pessoas que torcem contra ou misturam com política, Gosto mesmo do clima alegre, das pessoas torcendo juntas. Por instantes, pelo menos por noventa minutos parece os problemas "dão um tempo".
As discussões políticas se amenizam. Rola um clima de harmonia.
Sinto muita falta de ver o preto e branco do meu Corinthians entrar em campo.
E então torcer com mais entusiasmo, ter vontade de acompanhar os jogos.
Porém respeito quem ainda se emociona com os jogos da seleção, seja em Copas do Mundo ou em amistosos.
Sobretudo as gerações que ainda não viram o Brasil campeão.
Por isso vou assistir aos jogos. Vestir a camisa, fazer parte da festa, entrar no clima
Desejo sorte, desejo que joguem sem desistir, que lutem para vencer a Copa e que todos comemorem juntos, independente de qualquer outra coisa.
As novas gerações também merecem sentir essa alegria pelo menos uma vez.

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