Os Fundadores: Uma história emocionante que bem poderia ser uma saga épica
"O Corinthians é o time do povo e é o povo que vai fazer o time" (Miguel Bataglia, primeiro presidente do Corinthians em discurso datado de 1910)
Sei que não escrevo aqui muitos textos sobre o Corinthians apesar de ser corinthiana desde meus 5 anos.
Não se trata de indiferença, esquecimento ou ingratidão.
Na verdade, é uma opção que fiz pois possuo leitores que torcem para outros times e não quero que meu blog seja um espaço segmentado. Na internet já existem muitos sites, canais, blogs voltados para torcedores do Corinthians e para outros times. é só procurar e prestigiar o trabalho deles, assim como eu também faço.
Escrevo sobre Corinthians apenas em ocasiões raríssimas e, neste caso, a ocasião merece.
No último sábado, dia 30 de Abril, fui ao Teatro do Corinthians assistir à peça Os Fundadores - A Origem do Time do Povo.
A peça se passa nos anos 1900 e mostra algumas figuras e costumes de época, retratando um pouco da luta de classes sociais apenas para preparar o público para o que viria a seguir.
A cena - chave é a virada de 1909 para 1910 e o começo de ideias inovadoras misturando a paixão pelo futebol e o pensamento revolucionário e questionador que aos poucos vai fazendo todo sentido.
Vão se mostrando pensamentos daquela época em que para os mais humildes não era "permitido" sonhar grande. Não eram aceitos em campos de futebol para bater uma bolinha. O futebol de várzea era uma espécie de submundo e bastante discriminado.
Exatamente por isso, a coragem de cinco trabalhadores inspirados por um jogo de futebol como eles jamais tinham visto protagonizado por um time do país que inventou o futebol (Inglaterra) os impulsionou a sonharem grande. Grande não... GIGANTE.
Antônio Pereira, Anselmo Correia, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio e Rafael Perrone, depois de um dia cansativo de trabalho e, encantados com o tal jogo que assistiram no dia anterior, em 1 de Setembro de 1910, iluminados apenas pelo lampião da esquina das ruas Cônego Martins e José Paulino, sem nada a não ser a coragem que os inflamava, fundaram um clube.
Ali mesmo, discutiram as ideias de nomes. Sugestões como Carlos Gomes, Santos Dumont e Clube dos Operários logo perderam a força quando Joaquim Ambrósio disse : "Seremos o Corinthians" em homenagem ao Corinthian Football Club da Inglaterra, o time que jogava futebol como um jogo de cavalheiros com lealdade e respeito ao adversário e às regras.
O nome tinha que ser grandioso e sonoro, do tamanho da vonade deles de romper com todos os padrões.
Surgia naquele momento o Sport Club Corinthians Paulista.
Difícil você ser corinthiano e não se emocionar. A identificação é imediata.
Eles usam também várias metáforas e frases que no contexto são usadas como uma espécie de "previsão de futuro!". E isso faz com que a plateia presente interaja com os atores em cena deixando a emoção fluir à flor da pele,.
Em várias cenas da peça, confesso, chorei.
E porque não dizer que isso se misturou também à saudade de pessoas que mereceriam assistir essa peça: meu tio Joãozinho, que me incentivou a torcer pelo Corinthians quando me deu uma camisa listrada com um "desenho" que eu achei "bonitinho" (o escudo), meu amigo João Bosco Tureta que me ensinou com a paciência de um mestre tudo que sei sobre a história do Corinthians e meu avô João, um corinthiano de torcida discreta.
Ele nunca demonstrava as emoções de torcedor, não tinha bandeira, camisa ou qualquer coisa com o escudo do Corinthians mas que me ensinou o que é vibrar com um gol no rádio porque passávamos algumas tardes no quintal de casa escutando os jogos no radinho de pilha dele. Essas coisas batem forte no coração.
Depois dessa peça, se antes eu era torcedora, agora sou mais ainda. Só se confirmou aquilo que eu sempre soube, que eu sempre senti.
O corinthiano é capaz de mover céus e terras, de sonhar gigante.
De cair e levantar quando a dificuldade é um obstáculo quase intransponível. Ele luta até o último instante, até o apito final . Não só no jogo mas na vida em si. Acredita mesmo que o mundo desacredite. E, se a vitória não vier, ele junta os cacos para poder recomeçar. Ser Corinthiano é um estado de espírito. De espírito de luta. Em cada um há um pouco daqueles cinco operários que ousaram sonhar grande.
Saí de lá, renovada, feliz, impactada e muito emocionada. Saí de lá ainda mais corinthiana.
PS: Dedicado à memória dos cinco fundadores do Sport Club Corinthians Paulista e a todos da Companhia de Teatro Interiorando
SERVIÇOS:
Os Fundadores – A Origem do Time do Povo
Datas: 09, 16, 23 e 30 de maio; 06, 13, 20 e 27 de junho
Horário: 20h30
Duração: 80 minutos
Classificação: Livre
Local: Teatro Corinthians – R. São Jorge, 777 – Tatuapé
Ingressos: Bilheteria S.C. Corinthians Paulista e SCCP Ticket: https://sccpticket.corinthians.com.br/

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