My name is Patthy... Bondgirlpatthy

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mazzaropi 100 anos de um grande gênio

Homenagem que recebi pelo Dia de Amácio Mazzaropi em 09/04/2003 juntamente com outros fãs na Câmara Municipal de Taubaté


Sou fã de muitos artistas e personagens como todos vocês já sabem. E que também  já fui assistir algumas dessas pessoas ao vivo e num golpe de sorte desses que a vida nos apronta de vez em quando, cheguei perto  de algumas dessas pessoas para demonstrar meu carinho. Algumas fotos encontram - se aqui mesmo no blog permanentemente guardadas para que todos vejam, outras em posts anteriores. Mas hoje quero falar de uma pessoa que eu admiro muito e que conheci por mero acaso portanto jamais verei pessoalmente, sequer poderei transmitir todo meu carinho. 
Explicando melhor: Eu costumava comprar uma revista chamada Sabadão Sertanejo que trazia muitas entrevistas e matérias relacionadas ao programa de mesmo nome apresentado por Gugu Liberato no SBT em 1992 ano em que duplas sertanejas goianas que estavam na moda se apresentavam. Além dessas matérias tinham sessões muito legais como as estorinhas do Guguzinho e a Tunel do Tempo que mostrava artistas antigos do meio caipira desses bem regionais mesmo. E foi nesta sessão que me deparei com um pequeno resumo sobre Mazzaropi e seus filmes. Só de olhar para aquele caipira desdentado e esquisito com uma cara engraçadíssima comecei a rir sem motivo. Resolvi ir à fundo com minha pesquisa num tempo em que internet não existia. Minha pesquisa se resumiu em títulos de filmes. Decidi assistir um como curiosidade e trouxe "O Jeca Macumbeiro", a curiosidade se transformou em um ataque violento de risos que era impossível controlar. Gostei tanto que aluguei outro "O Corinthiano" que logo se tornou meu filme preferido por motivos bastante óbvios. Quem me conhece sabe porque. Sou Corinthiana e com muito orgulho.
 Depois desse filme aluguei e assisti também na TV, principalmente na CNT Gazeta. A cada dia me tornei mais fã daquele artista genial. Tão genial que além de atuar, comercializava seus filmes pessoalmente sem sequer recorrer às leis de "incentivo à cultura".
 Diferente da alegria que senti ao chegar perto de pessoas que admirava quando ainda vivos, no caso de Mazzaropi eu  já sabia que, infelizmente, jamais teria a oportunidade de chegar perto dele a não ser por filmes ou reportagens que eu pesquisasse.
Tenho um quadro de um poster original do filme "Jecão...um Fofoqueiro no Céu" no meu quarto e basta olhar para dar risada e é algo muito único, além de um CD com algumas músicas e claro 22 DVDs com os filmes dele, faltam 10 para completar a coleção.

Quando fiz 24 anos em 1999, ganhei de presente de minha tia e madrinha um fim de semana no Hotel Fazenda Mazzaropi, local onde foram rodados os últimos filmes de sua carreira,  De certo modo, estando no lugar que Mazzaropi construiu para sua comodidade e por isso sempre estava por lá tanto filmando quanto em seus momentos de folga era como estar bem pertinho dele. Dizem funcionários mais antigos que quando Mazzaropi não estava filmando era como se fosse qualquer hóspede comum por lá e fazia questão de cumprimentar e atender à todos que lhe pediam um pouquinho de atenção. Mas se estivesse filmando não poderia haver o mínimo ruído próximo dos estúdios, nem mesmo uma folha caindo no chão que ele saía bravo com quem estivesse por perto.
E mesmo sem a presença física do ator é inegável o pensamento voltado à ele, é inegável a impressão que se tem de que cedo ou tarde corre - se o risco de "encontrá - lo" ali vagando por toda a imensidão do hotel fazenda com aquele andar caipira que só ele sabia fazer. Um lugar muito agradável para vivenciar um pouco da vida do campo, descansar e descontrair. Onde você é bem tratado por pessoas extremamente hospitaleiras não importando a função exercida. Quem quiser conhecer acesse www.mazzaropi.com.br.
No museu que há dentro do hotel, a presença de Mazzaropi ainda é mais forte através de suas roupas e objetos pessoais preservados e no restaurante Jecão, os aromas e sabores preferidos dele, comida caseira e fresquinha do jeitinho que ele gostava.
Em 2003 voltei ao hotel, recebi junto com outros fãs uma homenagem pelo Dia de Amácio Mazzaropi comemorado anualmente em 09 de abril, data de aniversário dele que era paulistano de nascimento e taubateano de coração. Foram dias de comemoração inesquecíveis e emocionantes. Como se Mazzaropi fosse aparecer para prestigiar.
No ano seguinte estive lá novamente, e além de Taubaté fui também à Pindamonhangaba onde Mazzaropi está enterrado ao lado dos pais. Hesitei em estar ali no cemitério para homenageá - lo. Medo e desejo de estar ali caminhavam lado a lado em meu coração.
E quando cheguei ao túmulo sentimentos confusos. Mazzaropi e eu ali, tão juntos mas tão separados por um abismo chamado destino.
 Minhas lágrimas corriam como um rio cortando o Vale do Paraíba e regando a lápide onde agora o gênio repousava. Foi difícil, duro demais. Fiquei alguns minutos ali acariciando a foto dele como se pudesse tocá - lo. Depois, um grupo de fãs começou a cantar as músicas dos filmes e eu acompanhei, engasgada e fui me acalmando.
Hoje entendo que minhas lágrimas foram mais de admiração do que tristeza. E que de alguma forma Mazzaropi ainda está vivo, através de seus filmes e do legado que deixou para seus fãs.
Mesmo ele sendo um injustiçado na minha opinião por sofrer críticas abusivas e nunca ter concorrido a um Oscar pois os tempos eram bem outros. Mas em meu coração sempre haverá um espaço para ele, este é o Oscar que te dou querido Mazza, onde quer que estejas.
Hoje ele faria 100 anos e neste dia só queria deixar o meu muito obrigada por tudo que vi mesmo em taipes e que posso rever quando quiser e também deixar uma mensagem para pessoas que tem seus artistas preferidos ainda vivos. Façam de tudo para conhecê - los pois enquanto ambos ainda estiverem na terra, ainda que mínima, a chance de conhecer e dizer que admira existe. Obrigada Mazzaropi por ter existido e descanse em paz.