My name is Patthy... Bondgirlpatthy

Bem - vindos ao meu cantinho virtual . A "casa" está sempre aberta à todos que queiram vir aqui ler e comentar meus posts. Este blog não tem compromisso jornalístico portanto não tem compromisso com a imparcialidade. Mas o meu compromisso com a democracia continua. Aqui toda opinião é importante e respeitada. Fiquem à vontade, a "casa" é de vocês. Voltem sempre q quiserem . Um beijo com muito carinho e obrigada.


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 11 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1963)


Olá meninos e meninas, tudo bem? Hoje vamos falar de mais um livro de Ian Fleming e um filme de James Bond. 
Apesar de seguir a contagem normal de capítulos para esta série de textos, este capítulo é muito especial pois ele traz, apesar do título bem óbvio, 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, muitas curiosidades que rondam esse livro. Notamos por exemplo que Ian Fleming retoma as rédeas de James Bond. Ao invés de outro protagonista como aconteceu em "Espião e Amante",onde tivemos Viviane Michael com 007 fazendo uma "pontinha" no final (leia o capítulo 10 desta série de textos para entender melhor), Bond retoma o seu estrelato. 
Outra curiosidade que eu mesma notei somente agora que pela primeira vez estou lendo os livros na ordem que foram escritos, é que esta estória  é uma continuação direta do livro Chantagem Atômica.
Estão de volta todos os elementos que nos são familiares quando se trata de James Bond. E o mais evidente é o patriotismo e a lealdade à Coroa Britânica, incluindo o MI - 6 e a SPECTRE travando o eterno embate entre elas. 
O livro anterior é como se não tivesse existido. Foi como se o autor tivesse cometido algum "erro" e para corrigir amassou as folhas que havia escrito em sua máquina Royal e jogou numa espécie de lixo imaginário. 
Diferentemente do que nós leitores pensávamos, Bond continua procurando Blofeld por toda a Europa pois o vilão está desaparecido desde Chantagem Atômica.
M ainda crê que Blofeld continua no controle da SPECTRE e está  se refazendo do fracasso do Plano Ômega. 
Para Bond, encontrá - lo é perda de tempo e isso o leva a pensar em  uma decisão muito radical: entregar seu cargo e consequentemente sua licença para matar (00) à M. 
Mas o chefe lhe nega a demissão e dá apenas uma folga para que ele possa relaxar e colocar os pensamentos em ordem. 
Bond parte para a França e com esta viagem ele começa a exercitar sua sensibilidade, seu lado mais humano. Bond volta ao mesmo local em que esteve combatendo o vilão Le Chiffre  de Cassino Royale, mais um link do passado, mais um fan service para colocar de vez James Bond nos eixos. 
Na França Bond conhece a Condessa Teresa Di Vicenzo (Tracy), filha do poderoso chefe da organização Union Corse, a máfia francesa, Marc Ange Dracco. 
Uma curiosidade sobre a condessa é que o perigo a atrai muito.Vemos por exemplo, já nas primeiras cenas dela no livro. Tracy dirigindo em alta velocidade. E também perdendo uma verdadeira fortuna num jogo de cartas em Chemim de Fer. Bond paga a dívida e em retribuição, Tracy cede aos encantos do espião que  tentava conquistá - la. Inclusive, este namoro dá o tom romântico para Bond que até então seduzia para obter vantagens e possuir uma bela garota em seus braços por uma noite sem compromisso.
Conhecemos um espião apaixonado. 
A Condessa é a típica garota problema, foge dos padrões de comportamento de outras Bond girls, bem mais submissas. 
Tracy tem um comportamento neurótico mas isso não tem a ver com sexo. No seu caso foi excessivamente mimada e negligenciada por Dracco, em quem depositou todas as suas expectativas de um futuro perfeito após ter fracassado em seu casamento com um playboy italiano e ter sofrido a dor da perda de seu filho ainda bebê por meningite espinhal. Com tanto sofrimento, ela não quer viver mais.
O namoro de ambos é retratado no livro com muita delicadeza e, ao mesmo tempo é vivido intensamente. Tracy se entrega a Bond como parte do pagamento da dívida no cassino e no dia seguinte se encontram numa praia. Ele a impede de entrar no mar e cometer suicídio. Nessa hora, Bond quase confessa seus sentimentos mas é interrompido por capangas de Dracco que o levam à presença dele.
Mesmo sendo cruel e desonesto, Dracco acaba se aliando à Bond pois Tracy é o elo entre eles. Dracco quer a filha feliz e alguém que controle seu gênio impetuoso e Bond é o homem certo para isso. E mais, pede à Bond que se case com ela porque Tracy se apaixonou. É no mínimo algo curioso apenas cogitar um casamento para 007. Se eu apenas conhecesse o personagem superficialmente, ficaria surpresa quando alguém falasse sobre isso mesmo que em hipótese.
E com a vida amorosa de Bond resolvida, era hora de Ian Fleming começar a tratar da captura de Blofeld.
Descobre - se que Blofeld vive escondido na Suíça usando uma falsa identidade acima de qualquer suspeita: Conde Balthazar Bleuville. Ao invés de comandar a SPECTRE, sob este nome falso, ele comanda um resort nos Alpes e uma estação naturista.
Através de estudiosos do College of Arms de Londres onde o vilão entrou com um processo de reconhecimento de título de nobreza, sua localização foi confirmada.
Bond então tinha o disfarce perfeito para capturá - lo: representante do College of Arms, Balisco Sable, especialista em heráldica ganhando assim a confiança de Blofeld. Com base em várias provas obtidas nesse processo, Bond conclui que a SPECTRE ressurgiu no Piz Gloria com pequenas alterações. Por esse motivo, os funcionários do Piz Gloria são russos, alemães, franceses e corsos comandados por Irma Blunt. Quem assedia pacientes no resort é atirado montanha abaixo, uma punição "justa" segundo Blofeld.
As pacientes, jovens britânicas de família rica usam o método naturista para curar alergias e repulsas aos mais diversos tipos de alimentos.
Elas também recebem lavagem cerebral para agirem de acordo com o que os vilões pretendem. Essa atitude é tida como parte do "tratamento".
Durante a investigação, Bond descobre que Blofeld está desenvolvendo em um laboratório algumas espécies de vírus . O vilão tinha um novo plano que o agente desconhecia mas, mesmo assim, ele aproveitou que eram as vésperas de Natal e a segurança não estava tão rigorosa. Deixou o resort.
A SPECTRE no encalço de 007 não o impediu de seguir as pistas que faltavam para descobrir tudo. Entrou num baile de máscaras em Saint Moritz para fugir de seus algozes. É nesta hora que Tracy surge como instrumento do destino e uma das artimanhas da brilhante imaginação de Ian Fleming para Bond escapar e começar a salvar o dia. O casal vai para o aeroporto de Zurique e embarcam para a Inglaterra. Finalmente, Bond deixa fluir seu lado romântico e pede, enfim, a Condessa em casamento: "Vamos fazê - lo [o casamento] no Consulado de Munique (...) Depois nos casamos de novo em uma igreja inglesa - ou melhor, escocesa - pois provenho da escócia".
 Sim, leitores, esta eu diria ser, uma curiosidade que poucos sabem a respeito do famoso personagem e também uma homenagem ao primeiro ator que interpretou 007 no cinema: Sean Connery.
Além de Connery, outra pessoa do mundo de Bond no cinema recebeu homenagem de Ian Fleming, a atriz Úrsula Andress que o autor conhecera no set de filmagens de 007 Contra o Satânico Dr No (1962). Fleming ficou hipnotizado pela beleza da atriz que foi a Bond girl que protagonizou na Jamaica a linda e icônica cena da saída do mar usando um biquini branco, óculos de mergulho e uma faca presa à cintura.
No livro, Bond vê Úrsula no hotel em Piz Glória. Ela é uma das celebridades que estão hospedadas.
Voltando à investigação. Com as provas em seu poder, com ajuda de M e de um representante do Ministério da Agricultura e Pesca, 007 conclui que Blofeld quer provocar uma guerra biológica na Inglaterra destruindo suas reservas alimentares usando agentes como a bactéria antraz. Essa arma química seria transportada pelas próprias pacientes da clínica que teriam alta no Natal.
Para valorizar a estória e o mistério em torno da figura de Blofeld, o vilão aparece poucas vezes no livro. Apenas duas vezes.
Vou me permitir dar um pequeno spoiller para quem ainda não teve a oportunidade de ler pois ele é necessário.
Tracy morre,assassinada por Blofeld com tiros, pouco depois de se casar com James. Embora não seja o happy end que todos esperam, isso foi necessário pois um espião como 007 não podia ser ligado à esposa e possíveis filhos pois estando preocupado nunca iria executar suas missões com a coragem e a eficiência necessárias.
Não tenho muito o que falar do filme pois ele é uma das adaptações mais fiéis ao livro. Talvez a mais fiel. Apenas uma mudança de nome de personagem e um dos locais. Vale ressaltar ainda que este filme tem uma curiosidade única. O ator que dá vida ao agente 007 é um ator australiano pouco conhecido, George Lazenby que fez apenas este filme no papel do agente secreto. Poucas pessoas sabem disso. Mas nada que uma boa pesquisa não possa resolver.

Eu retornarei em: A Morte no Japão 



PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.











quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Obrigada pela sua companhia, Ricardo Boechat

Era segunda - feira, dia 11 de fevereiro de 2019. Pontualmente às 8 horas da manhã, saio do meu quarto após arrumar a cama. Passo pela cozinha, ligo o rádio que era de minha mãe sempre na mesma estação, a Band News FM de São Paulo, 96,9. 
 A voz de Ricardo Boechat  já começa a cobrar pela falta de segurança em barragens de mineradoras devido à tragédia na cidade de Brumadinho - MG e também alvarás de funcionamento dos bombeiros devido ao incêndio no CT do Flamengo este ano.
Mas não só isso, ele vai além. Cobra das autoridades providências que elas deveriam ter tomado em decorrência de outras tragédias como a de Mariana - MG em 2015 e do incêndio da Boate Kiss em Santa Maria - RS em 2013. Boechat era sinônimo de compahia constante para meu gato e para mim todas as manhãs. Sim, meu gato também se acostumou com aquela voz no rádio naquele horário, como se pudesse entender alguma coisa. 
Enquanto isso, eu seguia minha rotina matinal, segui para o banheiro onde fiz todo o processo de higiene pessoal e em seguida fui cuidar do meu gato preto de 5 anos. Abri a casinha onde ele dorme no quintal para que ele saísse, fiz um carinho e o levei para a cozinha onde providenciei a alimentação dele. Sachê de ração com molhinho especial para gatos sabor peixe e a vasilha com água fresquinha.  Deixei a casinha fechada e já arrumada
Depois fui tomar meu café da manhã, um pãozinho com ovo e café preto. 
Deixei a cozinha em ordem e enquanto isso, o rádio estava transmitindo normalmente as notícias daquele dia. Trânsito, situação do metrô de São Paulo, coisas do governo, greve do funcionalismo municipal, etc.Tudo isso em 40 minutos, afinal, em 20 minutos, tudo pode mudar e na Band News FM o ritmo é bem esse sem enrolação e com a notícia bem vinculada para o ouvinte ficar bem informado e não ficar entediado.
E, realmente, mal sabia eu que tudo estava prestes a mudar radicalmente de uma hora para a outra aquele dia. 
A voz de Boechat ecoava na cozinha e também a de José Simão com sua coluna diária de humor. Foi a última coisa que eu ouvi naquela segunda - feira. Quis desligar o rádio mais cedo para assistir à Missa pela TV Aparecida. 
Passadas algumas horas, depois de almoçar, liguei a TV na Band (canal 13 - São Paulo) para assistir ao programa do Neto. Eram 13:40 quando Neto voltou do intervalo com uma fisionomia abatida, a voz quase não saía e ele mal olhava para a câmera. Parecia não acreditar em alguma coisa que o diretor dele falava pelo ponto eletrônico. Quando entrou o Datena e deu a notícia que ninguém queria ouvir. 
Quase desmaiei no meu quarto. Paralisei totalmente porque não faziam nem 5 horas que eu tinha desligado o rádio na mesma manhã. 
Passei a tarde toda perdida, desorientada. Pela primeira vez, liguei o rádio à tarde em busca de entender porque e também a TV mais tarde.
Na manhã seguinte, fiquei completamente perdida e só então consegui chorar depois que a rádio reprisou uma linda homenagem que fez às 7:30h quando Boechat abria o programa. 
Ouço a Band News desde 31 de outubro de 2010 quando encontrei a rádio no meu celular vermelho daqueles bem simples só com rádio.
Naquele domingo, eu estava com minha família, a caminho da casa do meu primo, ouvindo pela Band News a apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais daquele ano. 
Daí não parei mais pois gostei da rádio e da maneira que informavam os acontecimentos. Está sendo tão difícil escrever esse texto que só saiu hoje embora as primeiras palavras do texto apareceram em minha mente ontem durante minha aula de natação. 
Tá difícil, tá triste, tá osso mas, vou seguir aquele conselho que Boechat nos deixou. 
Obrigada por esses quase nove anos da sua companhia todas as manhãs, você faz falta. Fique em paz que aqui eu vou continuar tocando o barco e ouvindo seus colegas todas as minhas manhãs. 



domingo, 27 de janeiro de 2019

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 10 - Espião e Amante (1962)




Olá, estou de volta. Este é o nosso décimo capítulo da jornada que iniciei sobre os livros de Ian Fleming e os filmes de 007. Desta vez vou falar de um livro um pouco fora do convencional.
Em Espião e Amante conhecemos Vivien Michael (Viv para os íntimos). Ela teve uma grande decepção amorosa com o excêntrico Dereck, um playboy britânico frequentador da alta sociedade, incluindo autoridades importantes e cabeças coroadas.Viviane se entregou à Dereck e depois foi abandonada por ele por ser uma plebéia. Vemos aqui o início da luta de classes sociais e também muito preconceito.
Dereck é a grande paixão de Viv.
Segundo o jornalista Eduardo Torelli, autor do livro Sexo, Glamour & Balas, Viviane nada mais é do que a figura fictícia que representa o grande amor da vida de Ian Fleming: Monique, uma moça humilde e de vida muito simples.
Ian e Monique eram muito apaixonados e pensavam até em se casar. Por pressões familiares dos pais dele, o casamento não saiu. Traumatizado com isso, nunca mais se apaixonou porque nunca esqueceu seu grande amor. Este livro a princípio é uma linda homenagem velada ao grande amor que eles viveram. E á própria Monique.
Ele tem uma curiosidade: Diferente dos demais livros onde um narrador (talvez o próprio Ian Fleming) são do sexo masculino, temos a narração de Viviane Michael. Algo muito parecido com o que ocorre nesses romances de banca de jornal onde algumas estórias são narradas por mulheres. Uma leitura mais delicada e leve que agrada mais as mulheres mas que não deixa de ter o tom machista característico na obra de Ian Fleming para satisfazer a maioria de seu público que é em grande parte formado por homens e de acordo com a época em que foi escrito.
Notamos isso no decorreer do livro quando Viv, já abandonada por Dereck tenta refazer sua vida, "juntar os cacos" de um coração ferido
É nesta fase que ela conhece Kurt Renier, diretor de uma agência de notícias britânica. O romance com Kurt tende a ser calmo e descomplicado até a gravidez de Viv.
Novamente abandonada, ela provoca um aborto. Um ponto polêmico para a época talvez e hoje em dia continua sendo, em todo o planeta.
Com algumas economias, Viviane compra uma moto Vespa.
Seria Vesper, personagem do primeiro livro de Ian Fleming, Cassino Royale, uma homenagem velada à Viv, através da moto dela?
Nunca saberei. Isso foi apenas um pensamento rápido que tive enquanto escrevi e nem sei porque isso veio à minha cabeça. Apesar de que Vespa é uma marca de moto, ou modelo, sei lá, muito popular na década de 1960. Pode ter sido coincidência apenas. Realmente não sei.
Continuando a falar do livro: Viv viaja sozinha em sua moto para os Estados Unidos em busca de uma cura para mais uma decepção amorosa.
Ela se hospeda num hotel beira de estrada, o Dreaming Pines. Aceita um trabalho por um salário irrisório para cuidar do lugar no fim de semana. E, apesar de tudo, sente - se animada pela ausência de companhia, seja de hóspedes ou zeladores.
O que talvez puxe um pouco pela memória do leitor de Fleming e seu apego emocional pelas obras do escritor é a invasão de dois bandidos no hotel. Bandidos do tipo "comum" que infelizmente vemos na nossa vida real, a não ser pelos nomes Sluggsy e Horror, bem típicos do mundo fleminguiano. Essa invasão ocorre durante uma pausa em que Viv está preparando um cafézinho.
Na verdade, esses bandidos trabalham para o dono do hotel, Sr Sanguinetti (cujo nome é apenas citado no livro). Seu plano é colocar fogo em Dream Pines para beneficiar - se do seguro sem deixar nenhuma evidência de um incêndio criminoso.
De madrugada, Viviane é espancada pelos dois bandidos E quando ela está quase sofrendo um estupro, Bond aparece no hotel procurando abrigo para se proteger da noite fria.
Com essa situação, a moça fica com uma dúvida que é pertinente até mesmo para nós Bond maníacos: 007 seria um herói ou um anti - herói? Já que ele usa da permissão para matar se isso for preciso.
Viv olha para Bond e lhe pede ajuda apenas com o olhar. Bond compreende o pedido e passa a noite no hotel alegando que o pneu de seu carro furou. Assim ele pode proteger Viv de ser molestada outra vez. A partir daí o que vemos, basicamente um tórrido romance entre Viv e Bond trancados num quarto, cenas ardentes e uma Viv totalmente recuperada de seus traumas amorosos .
Talvez esse livro desse certo no cinema se fosse com outro personagem, talvez sendo um outro tipo de filme mas não com James Bond.
E por isso mesmo, em 1977, quando este livro virou filme, praticamente ele teve de ser reescrito para agradar os fãs do cinema.
Os roteiristas Richard Maibaum e Christopher Wood resolveram fazer a temática de Com 007 só se Vive Duas Vezes substituindo o espaço pelo mundo sub aquático.
Para realizar esse filme, não teve economia. Albert "Cubby" Broccolli investiu muito na produção do filme Contratou um atleta medalhista de esqui e dois cinegrafistas para fazer a grandiosa cena de perseguição na neve e salto realizado com êxito e sem cortes na cena que abre o filme. Mesmo com um acidente envolvendo um dos cinegrafistas quando tentava o melhor ângulo, a cena foi perfeita. Felizmente o segundo cinegrafista foi rápido para captar a cena que vemos no filme.
 Construiu também um set com um gigantesco tanque de água, projetos de Ken Adam, que voltava à franquia 007 após uma ausência. Tão grandioso e digno da megalomania de Fleming nos livros. Quebrando até recodes de orçamento, tudo para dar um novo fôlego para a franquia. Locações como Sardenha, Egito e Bahamas foram usadas no filme. Para um filme grandioso, viagens grandiosas com locais de encher os olhos.
A trama é completamente diferente do livro. Aqui vemos Karl Stromberg . Ele quer destruir a humanidade como a conhecemos e estabelecer uma nova ordem vivendo num mundo subterraneo. O esconderijo de Stromberg é lindo e suntuoso. Ao mesmo tempo é serve como um meio de transporte que pode também levar pequenos submarinos que tinham alto poder destrutivo. O vilão pode até ser considerado como uma "versão alternativa" do clássico Blofeld. Apesar da trama do livro ser diferente entre livro e filme, há um ponto em comum entre as "duas versões" do Espião que me Amava", a Bond girl apaixonada por alguém que não é James Bond. Algo que de certa forma está escrito no coração de cada fã de 007. 

Eu retornarei em: A Serviço Secreto de Sua Majestade   

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.


sábado, 15 de dezembro de 2018

De uma fã para Hebe Camargo



Eu tinha quase doze anos quando numa terça - feira assisti na TV ao primeiro programa Hebe que estava estreando no SBT.
Bailarinos vestidos de fraque e cartola e bailarinas com plumas brancas dançavam e ladeavam a entrada do palco. Uma cena mágica que mais parecia vindo de um musical americano de teatro, desses clássicos dos grandes shows da cidade de Las Vegas que podemos ver em filmes. 
Entre os bailarinos surge Hebe Camargo, como uma rainha em seu lindo vestido preto e branco brilhante e umas ombreiras largas. Ela pega seu microfone e as fichas do programa e vai cumprimentar amigos e fãs. Gostei de ter visto aquilo porque, sendo mulher, o brilho e a beleza dos vestidos longos, jóias, acessórios e elegantes sapatos de salto alto (que infelizmente jamais poderei usar por causa de um problema de nascença) me fascinavam.  E nunca tinha visto uma mulher vestir essas peças com tamanha elegância e assim permanecer até o fim do evento a não ser, claro, a saudosa Lady Diana que foi uma mulher elegante mesmo em roupas simples quando estava no Palácio de Kensinghton tendo por companhia seu marido e os filhos.
O fato é que, naquele dia 04 de Março de 1986, vi na TV uma artista que nunca tinha ouvido nem falar, embora ela mesma tenha uma participação direta e muito importante nos primeiros tempos da TV brasileira, a ponto de até hoje ser A Rainha da Televisão Brasileira, título que jamais saiu de suas mãos.
Eu não a conhecia, não sabia seu nome e nem em que canal trabalhou antes do SBT pois minha família inteira assistia com mais frequência a programação da TV Globo, a não ser aos domingos quando assistíamos o Programa Silvio Santos e após, o Fantástico, que aliás eu só assistia para ver uma zebra de desenho dar o resultado da loteria esportiva baseado na rodada dos principais campeonatos regionais ou nacionais de futebol. Mas como só tinha uma TV na minha casa naquela época, o domingo depois do Silvio Santos era chato e sem graça.
Durante a semana no entanto, depois da novela das 8 eu poderia assistir o que quisesse em alguns dias. Hebe Camargo sempre foi minha opção das terças feiras.
Comecei também a gostar do jeito descontraído que ela entrevistava convidados que na maioria eram artistas que estavam no auge e também aqueles com os quais ela conviveu além de autoridades e figurões do governo e os números musicais de todos os gêneros com uma orquestra tocando ao vivo já que Hebe sempre gostou e conviveu com isso por causa do pai, Fêgo Camargo, que era violinista e também de seus tempos de crooner de orquestra em casas noturnas e, posteriormente, cantora, tudo isso como se estivesse na sala da casa de cada pessoa que via o programa. Tanto que no cenário havia um sofá, desses que podemos ver na nossa própria sala, onde também recebemos nossos "entrevistados" que são a família e os amigos.
A cada semana eu acompanhava seus programas e com esse hábito, fui me tornando uma jovem fã de Hebe Camargo.
 Eu ficava deslumbrada a cada semana com as roupas e jóias da Hebe. Queria poder copiar seu estilo. Queria "ser Hebe" e com isso eu comecei a usar pingente, pulseiras e anéis de bijuteria no dia a dia. Antes eu usava essas coisas para sair na rua e quando tinha casamento ou formatura. E também comecei a usar no meu vocabulário diário o famoso "gracinha" para elogiar alguma coisa ou alguém.
Foi com Hebe que também aprendi a passar batom sem espelho e sentar cruzando os tornozelos, um jeito de sentar que segundo ela é muito elegante, feminino e adequado pois dependendo do cumprimento da saia não aparecia sua roupa íntima além de te manter com a postura reta e confortável. Vira e mexe, quando estou sentada, fico nesta posição involuntariamente.
Como todo fã, cultivei o sonho de conhecê - la pessoalmente. Chegar perto dela mas não foi possível. O máximo que consegui foi vê - la na Parada da Criança promovida pelo SBT nos anos 1980 bem de longe do alto de um carro alegórico. Isso não conta. Tive uma colega de escola chamada Hebe que era muito legal e o nome dela foi uma homenagem feita pela avó que era fã da apresentadora.
Ao longo de todos esses anos, eu tive três oportunidades de conhecer Hebe mas elas não se concretizaram. A primeira delas, em 1999, seria numa livraria no shopping Morumbi onde Hebe lançou um livro de fotos de sua carreira chamado "Hebe, a Trajetória de uma estrela". Não fui pois era muito longe da minha casa e seria tarde, 21:00 h, voltar para casa de ônibus seria impraticável.
A segunda oportunidade ocorreria em 2003 na terra natal da estrela, a cidade de Taubaté, no Vale do Paraíba em São Paulo. E o melhor, estaríamos juntas o tempo inteiro. Isso porque seríamos homenageadas pela Câmara Municipal de Taubaté por ocasião do Dia de Amácio Mazzaropi, famoso cineasta que, apesar de paulistano de nascimento, fez sua carreira cinematográfica toda em Taubaté. Ele também era amigo da Hebe desde os primeiros tempos na TV e até fizeram o programa Brigada da Alegria juntos. A homenagem era pela ocasião do aniversário natalício do humorista e Hebe receberia a homenagem por ser amiga de Mazzaropi, assim como a atriz Vida Alves e o ator João Restiffe, membros da ProTV, associação de veteranos da TV presidida por Vida Alves que guarda arquivos raros da história da TV no Brasil.
Eu recebi a honraria como a fã mais jovem e também vinda de outros municípios juntamente com outra fã de Minas Gerais.
O que aconteceu foi que Hebe recebeu o convite ao vivo no seu programa através do empresário João Roman Neto, diretor do Instituto Mazzaropi e proprietário do Hotel Fazenda Mazzaropi. Fiquei imensamente feliz até porque eu achava que finalmente eu ia conhecê - la.
Eu fui para Taubaté acompanhada por minha mãe, estava muito ansiosa mas Hebe não foi.
Antes de ir para a Câmara Municipal, desci ao restaurante do hotel para fazer um lanche rápido. Encontrei João Roman que também fazia seu lanche. Nos cumprimentamos e disse que tinha visto ele na Hebe. Perguntei se ela iria para a solenidade. Ele disse que não pois ela havia telefonado para dizer que tinha muitos compromissos. Mas não fiquei triste. No outro dia conheci o Conservatório Musical Fego Camargo e vi no jardim um busto dele. Foi emocionante apesar de não poder ver o conservatório por dentro.
A outra oportunidade foi numa possível caravana para o programa Hebe na Rede TV. Estava quase tudo acertado para eu assistir à gravação ao lado de minha mãe, minha tia e uma vizinha. Mas acabou não dando certo porque a caravanista disse que haviam cancelado a gravação.
Acabei não conhecendo Hebe. Ela já estava em tratamento, já quase não trabalhava e os programas foram reprisando até que ela voltou para o SBT. Ficou pouco tempo, um mês eu acho até que deixou para sempre a TV, faleceu rápido.
Não realizei o sonho de conhecer Hebe mas sentei no famoso sofá dela numa exposição temática em 2011 pelos 30 anos do SBT. Sentei com os tornozelos cruzados como ela fazia. Minha homenagem foi estar em seu cenário.






Em 2017 fui ao teatro Procópio Ferreira assistir Hebe O Musical, roteiro escrito por Artur Xexéu, baseado no livro Hebe A Biografia também de autoria dele. Me emocionei muito com o musical.
As atrizes Carol Costa e Debora Reis como Hebe em duas fases da grande estrela estavam  impecáveis. E há poucos dias eu terminei de ler a biografia. Foi impactante para mim e, se não tive a oportunidade de conhecer Hebe, tirar foto com ela ou ter seu autógrafo, conhecer a carreira e a vida desta grande mulher através do musical e do livro foi maravilhoso, foi lindo de viver, como Hebe dizia sempre. Então, mesmo sem ver, valeu muito a pena "te conhecer" Hebe "Gracinha" Camargo.  Um selinho pra você aí no céu e Viva a Vida!



PS: Texto dedicado à memória de Hebe Camargo e ao filho Marcello Camargo. 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 9 - Chantagem Atômica (1961)


Estou de volta para o nono capítulo da nossa série sobre livros/filmes de 007. Andei ausente de escrever porque atrasei outras leituras que nada tinham a ver com James Bond.
Nunca prometi que seria uma série com uma data certinha para escrever, apenas continuaria cumprindo o ritual de ler o livro, ver o filme e postar.
Como diz um querido amigo, também fã de 007 e que certamente está lendo os posts (estou me referindo à você mesmo Serginho, se não leu nenhum, vai ler que você vai gostar), isto posto, sem mais delongas, vamos ao nosso assunto de hoje, Chantagem Atômica.
É importante lembrar mais uma vez que devemos considerar o fato que a obra de Ian Fleming foi escrita num tempo em que muita coisa era permitida nas estorias e também na vida real. Aliás, não só 007 mas qualquer obra, seja literária, filme, música, é feita de acordo com a data em que é elaborada não tem a obrigação de ser mudada conforme vai passando o tempo. 
A trama do livro traz à tona as bombas atômicas e também a fragilidade humana de Bond. Seu relatório médico enviado à M aponta que 007 está bem fisicamente porém seus vícios como fumo e bebida em excesso vão prejudicar muito sua saúde.
Diante disso o chefe ordena que Bond tire uma licença para se internar. Contra a própria vontade, 007 é enviado a uma estação de tratamento naturista chamada Sbrublands. Lá é submetido a um regime rigoroso e também afastado de seus vícios. Segundo opinião de M, Bond não poderia estar em melhores mãos, o Dr. Wein é especialista nesse tipo de terapia e também sob os cuidados da bela enfermeira Patrícia (nome mais adequado para uma Bond girl não poderia haver)  Fenning
Nos primeiros dias, 007 vive a rotina tranquila de seu tratamento mas isso não dura muito. Essa rotina é quebrada quando Bond encontra um rival, Conde Lippe, um playboy milionário que está na mesma clínica e disputa com ele as atenções e carinhos da enfermeira.
Bond está deitado e amarrado de bruços em uma mesa de tração motorizada e Lipe quase o estrangula. Como vingança, Bond aumenta a temperatura do banho turco de Lipe e quase o cozinha vivo durante o procedimento. Como resultado, o milionário é transferido a um hospital com queimaduras de segundo grau.
Lippe não é apenas um milionário. Ele também é membro da SPECTRE, que se prepara para roubar bombas atômicas e chantagear nações em troca de 100 milhões de Libras. Caso o dinheiro não fosse pago, as bombas seriam explodidas na base da Grande Bahama e em Miami.
Lippe falha na missão e é executado por ordem de Blofeld.
Após algum tempo, o roubo das bombas é concretizado pela SPECTRE através do aviador Giuseppe Petrachi quedesvia um avião da OTAN para Nassau. Depois ele também é morto por quatro homens que escondem seu avião no mar.
As ogivas nucleares no entanto são entregues ao cientista alemão Kotze (não Kontze, só me faltava essa - risos) também aliado de Blofeld.
Em Nassau, Bond reencontra seu velho parceiro Felix Leiter, agente da CIA. Juntos, eles descobrem um grupo de milionários excêntricos, entre eles está Emílio Largo.
Daí para frente, o que vemos são muitas cenas de embate no mar, principalmente no iate Disco Volante que navega por paisagens com vários recifes de corais, uma das paisagens favoritas de Ian Fleming, que gostava de mergulhar para apreciar as criaturas marinhas.
No filme a fidelidade com a estória é muito grande. Vários acontecimentos, personagens e o mar de Nassau com seus recifes também aparecem.
A Bond girl Domino, uma jovem que procura vingança contra Emílio Largo por ele ter matado seu irmão, ganha um destaque muito maior no filme, embora no livro, o erotismo em torno dela seja mais explorado. Claudine Aunger e Sean Connery formavam um casal com uma química tão intensa em cena que parecia até um verdadeiro casal de namorados. Há até boatos de que o namoro saiu das telas para a vida real.
Uma curiosidade final que não pode passar batido é a batalha judicial entre Ian Fleming, Kevin Mc Clory e Jack Whhitting, conhecido como caso Thunderball. Tudo porque ao escrever o livro, Ian Fleming citou sem dar crédito, trechos do livro Longitude 78 west de autoria de Mc Clory e Whitting. Essa disputa durou muito tempo, tanto que, num primeiro momento Chantagem Atômica não pode ser o primeiro filme de 007 como pretendiam os produtores Albert Broccolli e Harry Saltzman . Para o livro ser adaptado, foi necessário um acordo fora dos tribunais onde a EON (produtora dos filmes) teve autorização para utilizar alguns conceitos contanto que uma refilmagem não fosse feita por um período de doze anos.
E com muitas idas e vindas, e até uma refilmagem que só serviu para uma volta de Sean Connery ao papel de Bond, no ano de 2002, finalmente a batalha chega ao fim. Kevin Mc Clory perdeu os direitos por 007 Nunca mais outra vez , que passaram a pertencer à EON que passa a utilizar e/ ou modificar os termos Blofeld e SPECTRE.
Um filme com peculiaridades únicas e uma briga judicial de impor respeito. Uma verdadeira bomba atômica.

Eu retornarei em: Espião e Amante  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.

PS 2: Com colaboração do site James Bond Brasil








terça-feira, 21 de agosto de 2018

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 8 - Somente Para Seus Olhos (Para Você Somente) (1960)


Hoje estamos de volta para falarmos novamente  dos livros e filmes de James Bond. 
Já passamos da metade de nossa aventura. E neste oitavo capítulo, Ian Fleming nos traz um livro bem diferente: ao invés de uma única estória escrita num livro temos uma coletânea de contos independentes que nos trazem um 007 mais intimista pois nos falam de algumas peculiaridades do personagem fugindo um pouco da aura de investigação e mistério e aproximando - nos mais do "lado humano" de James Bond. 
Ian Fleming costuma fazer referências de missões passadas nos seus livros. Neste, por exemplo, ele começa a nos falar sobre a missão citada em Goldfinger, retratada no conto "Risco" nos trechos iniciais. Nesta passagem é falado em poucos parágrafos sobre o combate ao tráfico de drogas no México.
Durante as investigações, ele se depara na rota de Enrico Colombo. Fica evidente para 007 que Colombo é de fato o traficante que procura mas o tempo lhe mostra que Kristatos é o responsável por tudo. No entanto, Colombo também não é um santinho. Ele é uma espécie de pirata que contrabandeia ouro, diamantes, cigarros e condenados foragidos da lei. 
Os contos "Risco" e "Quantum de Refrigério, juntos, formam a estória "Quantum of Solace", uma estorieta intimista. Já "Fator invisível" é uma trama de espionagem onde Bond combate espiões inimigos na França, levando - nos a supor que a última missão da SPECTRE em 1958 foi a invasão do Fort Knox em que os vilões usam táticas semelhantes à Rosa Klebb (Moscou Contra 007).
 Bond, ao investigar descobre um "aparelho" instalado em subsolo da floresta francesa e os ocupantes emergem do chão puxados por um elevador hidráulico. Um conto sem clímax. Já os contos "Raridade Hilderbrand" e "Somente para seus olhos" (que dá o título ao livro), servem como se fossem as memórias da vida particular de Bond.




Já o filme, adaptado para o cinema por Michael G Wilson e Richard Maumbaum, foi composto a partir dos contos "Risco" e "Somente Para Seus Olhos" foram a base para um grande quebra - cabeça em que as peças se encaixam perfeitamente.
A interação dos personagens de contos diferentes e até uma cena retirada de um outro livro. Mas nem tudo foi um mar de rosas na produção desse filme.
A começar pela aceitação do público que estava arriscada por conta do estrondoso sucesso da continuação do filme Star Wars que estava na moda e o medo de se repetir os erros de 007 Contra o Foguete da Morte.
Roger Moore já não estava mais tão satisfeito com Bond e exigia um pagamento melhor, a morte de Bernard Lee (o M) vítima de um câncer que pegou a equipe de surpresa.
Albert Broccolli não permitiu que o "M" fosse substituído e a justificativa da ausência no roteiro foi uma viagem do chefe do MI - 6, bem como outros fatores de logística que contribuíram para desconfianças.
Uma cena curiosa, logo na sequência pré créditos é Bond visitando o túmulo de sua falecida esposa Tracy, o que atesta que livros e filmes tem uma ordem diferente. Os livros são mais interligados do que os filmes, que à exceção da Era Craig, não há sequências diretas
No fim das contas tudo acabou dando certo.
James Bond sai à caça de uma arma que é o sonho de consumo do MI - 6, chamada A.T.A.C. inventada pelos ingleses, lembrando o Lektor de Moscou Contra 007. Bond não tem a tecnologia Q a seu serviço, depende mais do improviso e da própria inteligência..
Há a volta do agente duplo que neste caso é Ari Kristatos. Ao mesmo tempo em que tramava seus planos maléficos de se apoderar do A.T.A.C. faz com que Bond acredite que ele o está ajudando enquanto planeja e ordena que seus capangas executem o atentado contra os Havelocks.
O envolvimento com Melina, primeira Bond Girl totalmente independente que não cede de imediato aos encantos de 007. Sem se esquecer do aliado Colombo que todos pensam ser o  inimigo.
A questão polêmica fica com a tensão sensual protagonizada pela jovem patinadora Bibi, interpretada pela atriz e campeã de patinação artística Llyn Holly Johnson que tinha à época 23 anos e 007, representado por Roger Moore do alto de seus 55 anos. Um tabu já naquela época. 
já a curiosidade fica por conta de Cassandra Harris, que interpreta a Condessa Lisl. Ela foi casada na vida real com Pierce Brosnan que foi o 007 entre os anos 1995-2002.
Um filme que muitos consideram a volta ao coerente e ao Bond "pé no chão".


Eu retornarei em: Chantagem Atômica  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.





sábado, 11 de agosto de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo Especial - Shaken not stirred, um brinde a um grande fã

Marcos Kontze em Londres Foto: arquivo pessoal

Hoje, dentro da minha série sobre Ian Fleming não vou falar de um livro/filme. Vou abrir espaço para prestar uma merecida homenagem a um querido amigo que entrou na minha vida através de James Bond, um personagem que ambos somos muito, muito, muito mas muito fãs mesmo. 
O engraçado é que no começo conversávamos pela internet porém não nos conhecíamos pessoalmente mas algo incomum nos aproximava tanto que parecia até que éramos bons vizinhos desde a infância.
O cinema nos encanta com coisas mágicas fora das telas. Coisas que duram uma vida mas que os filmes jamais mostrarão porque essas coisas não tem forma, nós apenas as sentimos e não raras vezes, também compartilhamos. 
A história que vem a seguir, trata - se de uma história real porém, poderia perfeitamente ser um conto de fadas com algumas substituições dos elementos que compõe esse tipo de narrativa.
Era uma vez, um menino que se chamava  Kontze... Marcos  Kontze. Ele tinha 12 anos quando conheceu um dos maiores, senão o maior personagem do cinema mundial, Bond... James Bond.
O primeiro contato foi através de um filme estrelado por Roger Moore que ele assistiu em 1996 em algum canal de TV aberta e também um jogo de vídeo game que estava sendo lançado: Goldeneye para Nitendo 64 (1997) e era uma "febre" em todo o mundo, ainda mais que o personagem havia voltado ao cinema dois anos antes com um novo filme após uma interminável ausência de seis anos. O filme era 007 Contra Goldeneye (Goldeneye 1995) com o ator irlandês Pierce Brosnan no papel principal. 
Como todos os garotos daquela idade, Marcos  também entrou na onda dos  jogos em locadoras de vídeo. Alugou o game de 007 inúmeras vezes, revezando o pagamento do aluguel com amigos para que todos pudessem jogar juntos.
Tudo que ele sabia sobre James Bond  era o jogo e o filme que assistiu na TV. Nem de longe suspeitava  que 007 era um personagem muito maior do que um cartucho de vídeo game, ou o personagem de um único filme.
Muito empolgado com a diversão que o game e este filme lhe proporcionavam, sua curiosidade despertou como a de um agente secreto atrás de um grande mistério.
Eram tempos em que na maioria das casas brasileiras, a internet era escassa ou inexistente. A maioria dos computadores equipados com internet discada estava em empresas e escolas para fins profissionais ou educativos e em poucos e privilegiados lares para todos os fins, inclusive a diversão e o comércio on line que dava seus primeiros passos.
Por conta disso, para acessar a internet, Marcos aproveitava o tempo livre após as aulas usando o computador da escola que sempre estava disponível para os alunos quando quisessem praticar o que foi ensinado nas aulas de informática..
Sempre munido de disquetes e um dicionário de inglês/ português, lá ia ele fazer suas pesquisas.
A maioria dos sites era em inglês. Com paciência e muita dedicação, traduzia as notícias, fazia pequenas anotações e salvava nos disquetes que tinham uma grande capacidade de armazenamento para a época.
Levava tudo para casa e lá analisava e estudava todo o conteúdo de fotos e textos como se fosse um dossiê "for your eyes only".
Dia após dia, Marcos vai percebendo que suas pesquisas avançavam a passos largos. Ia descobrindo também que as pessoas mais velhas com as quais tinha contato, associavam o jogo de vídeo game ao personagem dos filmes e livros e que tudo isso estava ali ao alcance das mãos.
Nascia uma inexplicável admiração por um personagem tão grandioso, atemporal, que atravessa o planeta de geração em geração como nenhum outro.
1998: A revista Caras lança uma coleção de filmes e fascículos de James Bond com 18 volumes contendo os 18 filmes lançados em VHS (fitas de vídeo cassete). Ele faz a coleção inteira. Ali estava o 007 que as pessoas tanto lhe falavam.
Era o ano de 1999 quando Marcos assiste a um filme de James Bond no cinema pela primeira vez. O filme 007 O Mundo Não é o Bastante (The Wold Is Not Enough) entrou em suas retinas, em seu coração para nunca mais sair.
Seu encantamento assemelha - se ao mesmo sentimento que teve o ator Pierce Brosnan,o James Bond daquele filme quando assistiu Goldfinger no cinema, um ano mais novo do que nosso homenageado neste post especial.
Depois dessa sessão de cinema, ele vê esse filme em mais 6 oportunidades, totalizando incríveis 007 idas ao cinema para ver um mesmo filme.
Foi também através de James Bond que Marcos descobriu sua vocação para o jornalismo, profissão de Ian Fleming, o criador de 007.
Nesta mesma época ele começa a participar de salas de bate papo e fóruns sobre 007 e compartilha notícias e ideias com fãs de todas as partes do mundo.
Realmente, para o jovem, o mundo nunca será suficiente. Fez disso um lema, uma missão.
E entre um chat e outro, conhece outros fãs brasileiros que como ele, sentem falta de conteúdo em português.
É fundada a Comunidade 007 Brasil. Um site recentemente extinto que possuía um vasto conteúdo e um fórum totalmente voltado aos fãs brasileiros.
Marcos era o "cara das notícias", tudo que ele julgava ser relevante era traduzido dos fóruns estrangeiros e repassados por ele através do fórum e do site da Comunidade. Seus primeiros passos como jornalista foram dados.
A Comunidade 007 realizava pequenos encontros em uma livraria em São Paulo e até já tinha realizado em 2004 um encontro no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos do filme 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker 1979) cuja parte das cenas foram feitas na Cidade Maravilhosa.
Assim  os fãs de São Paulo e Rio puderam se conhecer  pessoalmente e explorarem juntos esses cenários.
Com o crescimento do site brasileiro, surgiu a ideia de realizar eventos maiores.
Em 2008, com as comemorações do centenário de nascimento Ian Fleming, data perfeita para que fãs do Brasil inteiro se conhecesse, realizou - se em 31/05/2008 a 1ª Con 007 em São Paulo.
Vieram fãs do país inteiro e assim os papos virtuais ganharam rostos e vozes com os mais variados sotaques.
Muita emoção poder encontrar alguém que você nunca viu na vida e que conversa todo dia, se aproxima de você sem a menor cerimônia  te diz um oi bem de pertinho de forma tão carinhosa e natural. E claro que Marcos não poderia faltar nesse dia com sua simpatia, alegria e carinho. Foi maravilhoso. Sintonia imediata.

Marcos Kontze e eu na primeira Con 007 Foto: arquivo pessoal

Após esse primeiro grande evento, outros vieram. Lançamentos de filmes, coleções, livros e artigos relacionados à 007. E na maioria deles, a presença de Marcos Kontze era sempre constante e com isso ele também passou a ser conhecido por fóruns de fãs do mundo todo, principalmente por postar muitas notícias em primeira mão vindas de fontes confiáveis.
Na maioria das vezes passava as madrugadas no computador por causa do fuso - horário para conseguir apurar, traduzir e repassar as notícias antes dos jornais e sites mais conhecidos.
Em 2007, Marcos participa com os demais integrantes da Comunidade 007 de um projeto audacioso: o Bondcast Brasil, o primeiro e único podcast do Brasil que fala sobre James Bond.
Após algum tempo, com a Comunidade 007 caminhando para o encerramento natural de seu ciclo, Kontze lança uma espécie de "carreira solo".
No dia 28 de maio de 2011, data carregada de simbologia por se tratar da data de nascimento do criador de 007, vai ao ar o portal James Bond Brasil, trazendo em um formato muito simples o conteúdo de notícias em português e desde o início com o compromisso de levar aos fãs do personagem as notícias sempre atuais e em primeira mão, fazendo isso por idealismo e amor ao mundo de James Bond e à profissão que decidiu abraçar um dia.
Com o passar do tempo, o crescimento de acessos do portal não só por brasileiros mas também por outras pessoas no mundo foi acontecendo.
No mesmo ano, dia 12 de Dezembro, Marcos ganha, através de sua namorada que estava em Londres um presente inesquecível. Os cumprimentos de ninguém menos que Craig...Daniel Craig que estreava o filme Milenium, o Homem Que Não Amava As Mulheres. Momento registrado no vídeo abaixo.




Como eu já havia dito, para Marcos Kontze, O Mundo Não é o Bastante. Ainda mais quando isso se trata de seus sonhos de fã.
E como se não fosse coisa pouca receber o carinho do personagem que mais ama no dia do aniversário, ainda acontece um encontro que com certeza ele esperou desde sempre.
Por mero acaso, durante um passeio à noite com a namorada por terras britânicas, percebe que estava em frente a um dos locais de filmagem e observa o movimento.
De repente, avista Barbara Broccolli e Michael G. Wilson, produtores da franquia James Bond. A emoção de ver diante dos próprios olhos pessoas que acompanhou à distância por uma vida inteira não consegue ser explicada mas é sentida intensamente. Momento para ser guardado por toda vida e ser mostrado para futuras gerações servindo de inspiração para quem sonha grande.

Da esq para a dir: Michael G. Wilson, Marcos Kontze e Barbara Broccolli em Londres foto: Julia Cipolatto 
Marcos é daquele tipo de pessoa: o homem certo no lugar certo. Parece que tem faro para grandes acontecimentos.
E esse acaso de Londres com certeza foi preparado sob medida, assim como um terno Tom Ford, por uma Força Superior para ser o "empurrãozinho" que faltava para o início da carreira internacional do James Bond Brasil e de seu criador.
Era o ano de 2014 quando surgiu o convite de Andres Frejdh do fã clube From Sweeden With Love que na ocasião comemorava seus 10 anos de existência. Além de fãs vindos de diversos países, incluindo nosso homeageado que representou o Brasil, o evento também contou com 13 pessoas entre atores, atrizes e diretores dos filmes de James Bond.
Foram 3 dias intensos e emocionantes de exibição de filmes, bate papo e jantares regados do luxo peculiar ao estilo Bond de ser.
Mulheres com lindos vestidos longos e homens com o tradicional smoking. Muita elegância e beleza.
Entre os presentes famosos destaque para a Bond girl Carole Ashby dos filmes 007 Contra Octopussy (Octopussy 1983) e 007 Na Mira dos Assassinos (A View  To a Kill 1985) e de John Glen que dirigiu 5 filmes de James Bond e foi também editor e diretor de segunda unidade em mais 3 filmes
O ano seguinte foi o ápice na vida do fã.
Novamente um inesperado convite leva Marcos para a Cidade do México para um evento muito exclusivo. Acompanhar as filmagens da sequência inicial de 007 Contra SPECTRE (SPECTRE 2015) que retrata a celebração do Dia de Los Muertos (Dia dos Mortos), muito popular no México.
O James Bond Brasil era o único veículo de comunicação que representava exclusivamente os fãs entre tantos jornalistas profissionais.
Fazia parte da programação deste evento uma entrevista com os produtores, diretores e atores principais e também acompanhar o teaser trailer oficial apresentado pelo diretor do filme, Sam Mendes. Celulares e câmeras foram proibidos para não vazarem as imagens antes da hora. Nosso homenageado conseguiu até fazer uma pergunta para Daniel Craig.
No intervalo das filmagens, Marcos viveu, de novo emoções intensas de fã. Tirou fotos com Sam Mendes e algumas pessoas da equipe técnica e figurantes. Sem contar a cena inusitada de ser reconhecido pela atriz Carole Ashby que estava no evento como convidada da EON. A atriz o reconheceu do evento na Suécia em 2014.
"Essas coisas só acontecem com esse cara", adaptando uma frase dita por George Lazenby em seu filme como Bond de 1969. E claro que ele encontrou George Lazenby também. O ator esteve no evento da Suécia.
Marcos Kontze e figurantes vestidas como Catrinas no México Foto: James Bond Brasil
Em dezembro do mesmo ano, acontece a revelação do título do novo filme de 007, até então chamado de "Bond 24". A revelação do título acontece num grande evento transmitido ao vivo pelo Youtube e contou com as presenças de Sam Mendes, Daniel Craig, Mônica Belucci, Lea Sedoux, Crhistopher Waltz, Ralf Fiennes, Dave Bautista, Naomi Harris e Andrew Scott.
Ao som de Nobody Does It Better, é revelado o título de Bond 24 pontualmente às 9:00 h da manhã horário de Brasília.
007 Contra SPECTRE (SPECTRE 2015) é o título escolhido e veio carregado de muito saudosismo e simbologia bondiana.
Para variar, Marcos transmite em primeira mão o evento pelo canal do James Bond Brasil. Foi um espetáculo como tudo que envolve 007.
Em 23/10/2015, Marcos está novamente em Londres. Desta vez acompanhado por um amigo de longa data também fã de 007 para prestigiarem a estreia de SPECTRE e aproveitarem para passear pela terra da Rainha e de James Bond.
Assistem  uma palestra em Blackpool: "Uma Noite Com Sir Roger Moore" onde o ator falava de sua carreira e suas ações voluntárias na UNICEF (como embaixador) e na ONU.
Nos 4 dias seguintes aproveitam para conhecer alguns pontos turísticos e, claro que entre os lugares visitados, não poderia faltar a sede do MI - 6 onde James Bond "trabalha".

Marcos  Kontze ao lado de um dos cartazes que anunciavam a palestra de Roger Moore foto: James Bond Brasil/arquivo pessoal

Na noite de 27 de outubro, as emoções estavam reservadas para o Royal Albert Hall, famoso teatro londrino que serviu para abrigar a estreia com direito a tapete vermelho do filme SPECTRE.
Uma estreia luxuosa que além de artistas, elenco e equipe técnica, também contou com a presença do fã clube do Reino Unido, do nosso homenageado e seu amigo e até de representantes da Realeza: os Duques de Cambridge William e Catherine (Kate) Middleton.
Após a exibição do filme, um elegante cocktail foi servido aos presentes.
Em 4 de novembro, foi a vez da cidade de São Paulo receber a pré estreia de SPECTRE realizada com patrocínio da cerveja Heineken que é parceira de James Bond já há algum tempo.
O local escolhido ficava na região do Jardins (Zona Sul de São Paulo), o Cinépolis do Shoping  JK Iguatemi.
Marcos participou a convite da Sony do Brasil junto com os amigos do Bondcast Brasil e do Universo Bond. Este evento também estava recheado de celebridades, só que nacionais.
Esta cena se repetiu mais uma vez quando a cidade de Santa Maria - RS fez seu próprio evento. E lá estava. no cine Arcoplex o fã brasileiro de 007, o mais ilustre morador da cidade  para prestigiar mais uma vez a estreia do filme.
Recebido e tratado com ares de astro de cinema, bastante requisitado para fotos e entrevistas ele atende a todos com seu habitual carisma.
Naquela noite, foi a celebridade, dando - se ao luxo até mesmo a conceder uma breve entrevista a um colunista local com o curioso nome de Azar, talvez para dar o toque de humor típico dos filmes de Roger Moore era o que faltava para finalizar esta etapa vitoriosa de uma linda história de vida.
Esta é uma homenagem, um pouco longa é verdade, ao meu amigo Marketto que hoje se torna um jornalista realizando mais um sonho e o começo de novas conquistas ainda maiores.
E também uma história de superação para todos que sonham com algo possam se inspirar, seja um pequeno ou um grande sonho.
Guri, este é meu presente. Não poderei estar com você aí mas neste dia meus melhores e mais carinhosos pensamentos e minhas preces estão com você. Corações conectados. Bond forever. Beijos.

Eu retornarei

PS: Este post especial é dedicado ao meu amigo Marcos Kontze (Marketto), aos seus pais, Sr. Sergio Kontze (IM) e Srª Jussara Kontze, aos irmãos e sobrinhos, à namorada Júlia Cipolatto (que colaborou com esta homenagem liberando gentilmente o arquivo pessoal de fotos e vídeos do homenageado) e às memórias de Ian Fleming e Roger Moore.

Marcos Kontze e eu na 7ª CON 007 em São Paulo - SP foto: Meu arquivo pessoal 


terça-feira, 3 de julho de 2018

Amor Proibido: Um "amor" impossível de esquecer

Logo original da novela Amor Proibido Arte: Kanal D Turquia
Esta não é a minha primeira experiência assistindo novelas estrangeiras e também não é a primeira vez que assisto uma novela de um país totalmente diferente dos que estou acostumada, seja ele o Brasil ou mesmo qualquer outro que fale inglês ou espanhol. Eu nunca tive esse negócio de "novela boa é só na Globo ou só tem na Globo".
Das novelas nacionais que já acompanhei, vi algumas em outras emissoras como Record TV e SBT. Algumas vezes me arrependi, outras vezes não. 
Já me arrependi até mesmo em acompanhar novelas da própria Globo, cujas propagandas prometiam uma grande estória que, por vezes, esta "grandeza" era construída apenas na propaganda para atrair a audiência. Nem sempre isso funcionou comigo. 
E às vezes, uma novela que não era tão comentada espontaneamente e seus personagens não eram tão populares, reservavam surpresas inacreditáveis, seja pela estória, personagens ou locações de filmagem.
Eu sempre gostei de sair do óbvio quando o assunto é programa de TV em geral, sem medo de quebrar a cara. 
E foi isso que me fez assistir na Band duas novelas turcas: a primeira, uma adaptação moderna da conhecida estória de Sherazade e as 1001 noites em que ela tentava amolecer o coração de Onur contando - lhe uma estória por noite. Assisti toda, foi boa, assisti novamente numa reprise compacto ano passado mas ela não se compara a Amor Proibido, segunda novela turca que acabei de assistir ontem. 
Era só aparecer a maçãzinha na tela e começar a música de abertura, suave e q crescia aos poucos que eu parava tudo para acompanhar a saga de Bihter e Adnan, Nihlay e Behlül com sua complicada trama amorosa assim como é complicado escrever esses nomes no post. 
Apesar da Band passar de segunda a sábado, acompanhei tudo na internet pois estava vendo outra novela, brasileira, de mesmo horário na Record TV. Optei por ver os 167 capítulos (formato no Brasil) pelo site da Band que disponibiliza todo seu conteúdo de novelas na íntegra gratuitamente. Eu sempre via o capítulo do dia anterior no horário que desse e aos sábados via pela TV pois a Record não exibia sua novela aos sábados. E isso se seguiu pelos 7 meses todos os dias até o último capítulo. 

Logo versão brasileira da novela Amor Proibido Arte: TV Band
O que me atraiu nesta novela além da sua trama foi também um pouco da cultura turca. Costumes e pensamentos diferentes que a todo tempo são demonstradas na novela, de forma que todo mundo possa notar facilmente. Por exemplo: A suntuosa mansão Ziyagil onde moram Adnan, o rico empresário, seus dois filhos Nihlay e Bullent (pronuncia - se Bulan), o sobrinho Behlül., a  esposa Bihter e a sogra Firdevs e também os empregados Senhor Sülleyman, Besir, Saieste, Nesrin, Cemile, Katya e Senhorita Deniz (Mademoiselle).
Nesta mansão fica muito clara a divisão de classes: enquanto os membros da família Ziyagil ficam na parte de cima da mansão em um espaço luxuoso e cada um tem sua própria suíte, os empregados circulam apenas pela cozinha e o andar debaixo da casa, onde também estão seus aposentos mais simples, sem suíte, pequenos mas que lhes permite o mínimo de conforto. Isso dá ao público a real noção visual de quem manda e quem obedece.
Outra coisa é mais polêmica: a questão do aborto que no Brasil não é permitido mas na Turquia é dentro da lei.
Por duas vezes durante a novela, a personagem Bihter engravidou e praticou aborto. Em uma das vezes, chegamos a vê - la no médico deitada, vestindo uma roupa de hospital, enfraquecida e zonza.
Agora curiosidades leves: as receitas de chá super quentes, a simpatia da fogueira no Dia de São Jorge quando os turcos deixam suas casas e na rua acendem grandes fogueiras para nelas colocar seus pedidos escritos em papéis que antes estavam amarrados em uma espécie de "árvore dos desejos" preparada no dia anterior. E também os ritos de casamento e de funeral muito diferentes do que estamos acostumados.
Outro fato curioso é que nessas novelas poucas vezes vemos um simples "selinho" trocado por um casal e nem cenas que sugerem intimidade ou demonstração de afeto, embora nesta novela há poucas cenas deste tipo e por conta disso, foi censurada em alguns países de cultura muçulmana mais conservadora. Nada que tire o brilho de um trabalho impecável.
Essa novela é, sem dúvida uma das melhores que assisti na vida. Deixou em mim uma linda marca no coração, apesar de um final trágico, fora do convencional mas que faz sentido. Tudo levou a isso. Já estou com saudade, muita saudade.

PS: Dedicado com carinho ao elenco e equipe técnica da novela, e às emissoras  Kanal D e Band. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

O Código Dan Brown


Dia 22 deste mês, o escritor Dan Brown completou mais um ano de vida
Nunca é tarde para prestar uma homenagem para uma pessoa cuja imaginação nos leva a lugares exóticos e por meio de símbolos e códigos, nos instiga a pensar e decifrar seus mistérios.
Ao invés de uma biografia, irei contar como conheci os livros de Dan Brown.
Era o ano de 2004 quando terminava mais uma aula de natação. Meu professor à época e eu éramos muito amigos (somos até hoje) e gostávamos muito de conversar durante os minutos finais das aulas para relaxar. Numa dessas conversas, ele me disse que fazia tempo que tinha notado que eu sempre levava  um livro para passar o tempo enquanto esperava meu horário de aula.
Ele então fez uma pergunta que provocou uma reação em cadeia em mim:
- Você já leu O Código da Vinci?
- Ainda não -  Respondi.
Imediatamente ele começou a falar de um tal simbologista chamado Robert Langdon. E que este personagem no livro investigava os mistérios ocultos por trás das obras do famoso pintor Leonardo Da Vinci e de como esses mistérios seriam a chave para um assassinato fictício ocorrido no Museu do Louvre e também uma conspiração de uma sociedade secreta que existia desde os tempos que Jesus Cristo passou pela Terra.
Eu já tinha ouvido falar nesse livro, estava na moda mas eu não tinha condições de comprar. Era caro. Passei a monitorar constantemente o preço pela internet e em livrarias físicas também.
Só o comprei em 2007 quando tive acesso a um catálogo que tinha o livro bem mais barato.  Imediatamente comecei a ler, tendo como referência apenas a recomendação do meu professor.
Normalmente é difícil alguém recomendar um livro sem conhecer o tipo que gosto. E aos 10 anos eu já havia tido uma decepção muito grande com um livro que uma pessoa conhecida recomendou com tanto entusiasmo mas que só me deu desânimo e quase me tirou o gosto pela leitura.
E, embora tivesse sido instruída por minha mãe para dizer que o livro era bom e agradar quem me emprestou, eu disse a verdade na cara com todas as letras.
Terminei o tal livro por terminar e me alegrei quando  devolvi para a dona.
Três anos depois, veio a recompensa: Uma prima de segundo grau, 1 ano mais nova do que eu, me recomendou o melhor livro já escrito por mãos humanas, superado apenas pela Bíblia Sagrada.
Li inteiro, não largava. Me emocionei, chorei, ri. E quando devolvi para minha prima foi o pior momento.
Eu não queria devolver.
Ainda reli outras duas vezes pegando da biblioteca. E cada devolução era dolorida. Depois de muitos anos, finalmente comprei o meu. E já reli mais três vezes só que agora o livro é só meu. Não o devolverei para ninguém nunca mais.
Voltemos ao livro de Dan Brown e às conversas com meu professor.
Contei à ele que estava começando a ler O Código Da Vinci e que estava gostando muito mesmo e que ainda estava no começo.
- Leia todo, depois conversamos - disse ele.
De tempos em tempos nossas conversas foram em torno de O Código Da Vinci até que terminei a leitura e dividi o entusiasmo  agradecendo a indicação.



Costumo dizer que meu  professor "criou um monstro" porque depois disso, comprei um a um todos os livros de Dan Brown, à exceção por enquanto, da versão para crianças e adolescentes do Código Da Vinci.
Li cada palavra que o autor escreveu. Me apaixonei por Robert Langdon e seu universo cheio de símbolos. E, embora o Código fosse o primeiro livro que de Dan Brown que li e também o que me fez ser fã dele, meu preferido é Fortaleza Digital.
Dan Brown hoje em dia faz parte dos meus ídolos literários e também de momentos agradáveis incluindo lembranças preciosas da minha vida. Sentimentos tão especiais, gravados no coração como cada um dos símbolos estudados por Robert Langdon.
Feliz Aniversário Dam Brown. Sucesso e muitos anos de vida. Espero um dia conhecê - lo pessoalmente. Beijos.

PS: Dedicado ao autor Dan Brown e ao meu eterno professor e querido amigo Rafael Neves Albino com a gratidão por me "apresentar" este grande escritor e sua obra.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 7 - Goldfinger (1959)


Voltamos com nossa série especial sobre os livros de Ian Fleming e filmes de James Bond. Estamos na metade do caminho para desvendar esse maravilhoso mundo da espionagem nos livros e nas telas do cinema. 
Este sétimo capítulo nos reserva o livro que fez de 007 um verdadeiro ícone da cultura britânica e da cultura pop mundial, fazendo do personagem um verdadeiro fenômeno, vendendo livros como água no deserto e lotando cinemas em todas as sessões além de ditar moda com artigos diversos que levavam a marca 007. Todos queriam "ser Bond". 
Nesta estória, Bond inicialmente está numa missão no México, combatendo o tráfico de drogas. Enquanto saboreia seu uísque duplo, está conversando com Junius Du Pont. Ele diz a Bond que perdeu US$ 25.000,00 num jogo de canastra para o joalheiro internacional com o sugestivo nome de Auric Goldfinger.
A canastra é o hobby favorito de Goldfinger. Apesar de muito rico, o vilão gosta de tirar dinheiro de outros jogadores claro, com uma pequena trapaça. Enquanto Goldfinger está jogando, ele usa um ponto eletrônico para ouvir sua bela secretária Jill Masterton que observa da janela da suíte as jogadas do adversário do patrão com um binóculo e canta uma a uma para ele até que o outro jogador seja "derrotado".
Ian Fleming sempre gostou desse tipo de vilão: rico, megalomaníaco, frio e muito cruel, com características físicas bastante marcantes beirando o aspecto bizarro. Goldfinger era bem isso.
Isto posto, vamos voltar à missão de 007 nesta aventura.
Na missão principal Bond deve impedir Goldfinger de invadir a reserva nacional de ouro dos EUA, Fort Knox.
Para escrever esse livro, Fleming pesquisou cada detalhe que foi possível do funcionamento do Fort Knox.
O escritor é mundialmente conhecido pela riqueza de detalhes que usa para descrever ambientes, cenários, personagens e algumas ações, até pela sua vivência durante a guerra servindo a Marinha Britânica. Sua imaginação privilegiada é um trunfo para fazer o leitor viajar em suas palavras sem sair do lugar.
Entre um detalhe e outro, Fleming descobre através de jornais na época que um homem (possivelmente um Goldfinger da vida real) tem verdadeira obsessão em fazer sexo com mulheres pintadas com tinta dourada como as antigas bailarinnas de cabarés europeus que se sujeitavam à esta prática estranha para agradar clientes, sendo que uma delas faleceu exatamente como a personagem de Ian Fleming.
Lendo essa notícia ele teve uma ideia ousada e genial.
Este fato não foi o primeiro fato real que Ian Fleming misturou à suas estórias. O famoso jogo de baccará relatado em Cassino Royale por exemplo, era uma das inúmeras coisas que ele conhecia fora da Europa, além de alguns dos mais complexos truques de super contrabandistas como alguns que ele relatou em seu livro Contrabandistas de Diamantes, um livro - reportagem em que o autor era também o personagem principal, um livro não ficção. Tudo ali aconteceu com ele, de verdade.
As investigações de 007 avançam e recaem num plano maluco de Goldfinger para contrabandear ouro. Ele faz falsas blindagens em carros Rolls Royce com o ouro derretido  e transformado em bancos de avião para depois serem facilmente transportados para a Índia, onde o valor da onça (peso do ouro) é maior. Todo o outo era levado através da companhia Meca, também administrada pelo vilão.
E a imaginação de Fleming voa tão alto que os auxiliares de Goldfinger envolvidos na Operação Grand Slan (ou Grande Golpe)  são criados com o mesmo exagero.
Já falando sobre o filme, muitas das cenas saíram do livro, inclusive o capanga e braço direito Odjobb (Faz Tudo no livro) que tem como arma um chapéu coco que ele joga para que a lâmina corte os pescoços das vítimas e a a piloto Pussy Galore que comanda um grupo de aviadoras acrobatas e pilota o avião particular do vilão.
E uma das cenas mais impressionantes foi justamente a da morte de Jill Masterton, com a tinta dourada pelo corpo nu. Na verdade a atriz Sheena Eaton usava um biquini cor da pele para simular a nudez mas, mesmo assim,  a cena impressionou muito e até mesmo mudou a vida de gente que foi ao cinema apenas assistir um filme.
Trata - se do ator Pierce Brosnan que na época chegava da Irlanda, sua terra natal com apenas 11 anos acompanhado pela mãe e o padrasto. Quando o jovem Pierce viu aquela mulher dourada morta e nua em cima da cama, se impressionou tanto que disse à mãe que queria ser ator e um dia fazer uma cena como aquela no cinema.
Outra cena que impressiona muito para a época é aquela em que Connery está amarrado de braços e pernas abertas e um laser dourado vai cortando o ferro até quase chegar em suas partes íntimas para derretê - las como gelo  na famosa cena que termina com o diálogo: "Você espera que eu fale?/ "Não Senhor Bond, espero que morra" depois de 007 descobrir toda a trama da Operação Grand Slan
São técnicas de efeitos inovadoras que serviram para vários filmes dali em diante. Se Moscou Contra 007 fez o mundo descobrir a Bond mania, Goldfinger fez com que isso tomasse proporções astronômicas por todo o planeta. Bond consolidou uma "fórmula própria" para seus filmes:

1- Sequência pré créditos
2-Abertura com silhuetas femininas dançando ao som de cantores da moda
3-Missão passada por M, seu chefe
4-Encontro entre Bond e o vilão
5-Envolvimento com mulheres de caráter duvidoso
6-Envolvimento com mulheres confiáveis
7-Vilão ordena que seu capanga se livre de Bond
8-Bond invade esconderijo do vilão
9-007 corre contra o tempo para escapar de uma situação perigosa
10-Confronto entre James Bond e o vilão
11-James Bond e a mulher confiável terminam juntos em cenas de insinuação sexual após ele cumprir a missão com êxito
Esta combinação passou a ser também muito seguida por outros filmes de outros personagens do gênero, tornando - se um padrão.
Uma última curiosidade é que Ian Fleming não conseguiu ver o personagem que criou fazendo tanto sucesso, sendo o que é hoje.
Goldfinger estreiou no cinema dia 17 de Setembro de 1964, 37 dias após o falecimento de Ian Fleming. O autor se foi deixando uma legião de leitores pelo mundo e um personagem que se tornou um legado grandioso.

Eu retornarei em: 007 Para Você Somente  

PS:Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.