My name is Patthy... Bondgirlpatthy

Bem - vindos ao meu cantinho virtual . A "casa" está sempre aberta à todos que queiram vir aqui ler e comentar meus posts. Este blog não tem compromisso jornalístico portanto não tem compromisso com a imparcialidade. Mas o meu compromisso com a democracia continua. Aqui toda opinião é importante e respeitada. Fiquem à vontade, a "casa" é de vocês. Voltem sempre q quiserem . Um beijo com muito carinho e obrigada.


terça-feira, 3 de julho de 2018

Amor Proibido: Um "amor" impossível de esquecer

Logo original da novela Amor Proibido Arte: Kanal D Turquia
Esta não é a minha primeira experiência assistindo novelas estrangeiras e também não é a primeira vez que assisto uma novela de um país totalmente diferente dos que estou acostumada, seja ele o Brasil ou mesmo qualquer outro que fale inglês ou espanhol. Eu nunca tive esse negócio de "novela boa é só na Globo ou só tem na Globo".
Das novelas nacionais que já acompanhei, vi algumas em outras emissoras como Record TV e SBT. Algumas vezes me arrependi, outras vezes não. 
Já me arrependi até mesmo em acompanhar novelas da própria Globo, cujas propagandas prometiam uma grande estória que, por vezes, esta "grandeza" era construída apenas na propaganda para atrair a audiência. Nem sempre isso funcionou comigo. 
E às vezes, uma novela que não era tão comentada espontaneamente e seus personagens não eram tão populares, reservavam surpresas inacreditáveis, seja pela estória, personagens ou locações de filmagem.
Eu sempre gostei de sair do óbvio quando o assunto é programa de TV em geral, sem medo de quebrar a cara. 
E foi isso que me fez assistir na Band duas novelas turcas: a primeira, uma adaptação moderna da conhecida estória de Sherazade e as 1001 noites em que ela tentava amolecer o coração de Onur contando - lhe uma estória por noite. Assisti toda, foi boa, assisti novamente numa reprise compacto ano passado mas ela não se compara a Amor Proibido, segunda novela turca que acabei de assistir ontem. 
Era só aparecer a maçãzinha na tela e começar a música de abertura, suave e q crescia aos poucos que eu parava tudo para acompanhar a saga de Bihter e Adnan, Nihlay e Behlül com sua complicada trama amorosa assim como é complicado escrever esses nomes no post. 
Apesar da Band passar de segunda a sábado, acompanhei tudo na internet pois estava vendo outra novela, brasileira, de mesmo horário na Record TV. Optei por ver os 167 capítulos (formato no Brasil) pelo site da Band que disponibiliza todo seu conteúdo de novelas na íntegra gratuitamente. Eu sempre via o capítulo do dia anterior no horário que desse e aos sábados via pela TV pois a Record não exibia sua novela aos sábados. E isso se seguiu pelos 7 meses todos os dias até o último capítulo. 

Logo versão brasileira da novela Amor Proibido Arte: TV Band
O que me atraiu nesta novela além da sua trama foi também um pouco da cultura turca. Costumes e pensamentos diferentes que a todo tempo são demonstradas na novela, de forma que todo mundo possa notar facilmente. Por exemplo: A suntuosa mansão Ziyagil onde moram Adnan, o rico empresário, seus dois filhos Nihlay e Bullent (pronuncia - se Bulan), o sobrinho Behlül., a  esposa Bihter e a sogra Firdevs e também os empregados Senhor Sülleyman, Besir, Saieste, Nesrin, Cemile, Katya e Senhorita Deniz (Mademoiselle).
Nesta mansão fica muito clara a divisão de classes: enquanto os membros da família Ziyagil ficam na parte de cima da mansão em um espaço luxuoso e cada um tem sua própria suíte, os empregados circulam apenas pela cozinha e o andar debaixo da casa, onde também estão seus aposentos mais simples, sem suíte, pequenos mas que lhes permite o mínimo de conforto. Isso dá ao público a real noção visual de quem manda e quem obedece.
Outra coisa é mais polêmica: a questão do aborto que no Brasil não é permitido mas na Turquia é dentro da lei.
Por duas vezes durante a novela, a personagem Bihter engravidou e praticou aborto. Em uma das vezes, chegamos a vê - la no médico deitada, vestindo uma roupa de hospital, enfraquecida e zonza.
Agora curiosidades leves: as receitas de chá super quentes, a simpatia da fogueira no Dia de São Jorge quando os turcos deixam suas casas e na rua acendem grandes fogueiras para nelas colocar seus pedidos escritos em papéis que antes estavam amarrados em uma espécie de "árvore dos desejos" preparada no dia anterior. E também os ritos de casamento e de funeral muito diferentes do que estamos acostumados.
Outro fato curioso é que nessas novelas poucas vezes vemos um simples "selinho" trocado por um casal e nem cenas que sugerem intimidade ou demonstração de afeto, embora nesta novela há poucas cenas deste tipo e por conta disso, foi censurada em alguns países de cultura muçulmana mais conservadora. Nada que tire o brilho de um trabalho impecável.
Essa novela é, sem dúvida uma das melhores que assisti na vida. Deixou em mim uma linda marca no coração, apesar de um final trágico, fora do convencional mas que faz sentido. Tudo levou a isso. Já estou com saudade, muita saudade.

PS: Dedicado com carinho ao elenco e equipe técnica da novela, e às emissoras  Kanal D e Band. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

O Código Dan Brown


Dia 22 deste mês, o escritor Dan Brown completou mais um ano de vida
Nunca é tarde para prestar uma homenagem para uma pessoa cuja imaginação nos leva a lugares exóticos e por meio de símbolos e códigos, nos instiga a pensar e decifrar seus mistérios.
Ao invés de uma biografia, irei contar como conheci os livros de Dan Brown.
Era o ano de 2004 quando terminava mais uma aula de natação. Meu professor à época e eu éramos muito amigos (somos até hoje) e gostávamos muito de conversar durante os minutos finais das aulas para relaxar. Numa dessas conversas, ele me disse que fazia tempo que tinha notado que eu sempre levava  um livro para passar o tempo enquanto esperava meu horário de aula.
Ele então fez uma pergunta que provocou uma reação em cadeia em mim:
- Você já leu O Código da Vinci?
- Ainda não -  Respondi.
Imediatamente ele começou a falar de um tal simbologista chamado Robert Langdon. E que este personagem no livro investigava os mistérios ocultos por trás das obras do famoso pintor Leonardo Da Vinci e de como esses mistérios seriam a chave para um assassinato fictício ocorrido no Museu do Louvre e também uma conspiração de uma sociedade secreta que existia desde os tempos que Jesus Cristo passou pela Terra.
Eu já tinha ouvido falar nesse livro, estava na moda mas eu não tinha condições de comprar. Era caro. Passei a monitorar constantemente o preço pela internet e em livrarias físicas também.
Só o comprei em 2007 quando tive acesso a um catálogo que tinha o livro bem mais barato.  Imediatamente comecei a ler, tendo como referência apenas a recomendação do meu professor.
Normalmente é difícil alguém recomendar um livro sem conhecer o tipo que gosto. E aos 10 anos eu já havia tido uma decepção muito grande com um livro que uma pessoa conhecida recomendou com tanto entusiasmo mas que só me deu desânimo e quase me tirou o gosto pela leitura.
E, embora tivesse sido instruída por minha mãe para dizer que o livro era bom e agradar quem me emprestou, eu disse a verdade na cara com todas as letras.
Terminei o tal livro por terminar e me alegrei quando  devolvi para a dona.
Três anos depois, veio a recompensa: Uma prima de segundo grau, 1 ano mais nova do que eu, me recomendou o melhor livro já escrito por mãos humanas, superado apenas pela Bíblia Sagrada.
Li inteiro, não largava. Me emocionei, chorei, ri. E quando devolvi para minha prima foi o pior momento.
Eu não queria devolver.
Ainda reli outras duas vezes pegando da biblioteca. E cada devolução era dolorida. Depois de muitos anos, finalmente comprei o meu. E já reli mais três vezes só que agora o livro é só meu. Não o devolverei para ninguém nunca mais.
Voltemos ao livro de Dan Brown e às conversas com meu professor.
Contei à ele que estava começando a ler O Código Da Vinci e que estava gostando muito mesmo e que ainda estava no começo.
- Leia todo, depois conversamos - disse ele.
De tempos em tempos nossas conversas foram em torno de O Código Da Vinci até que terminei a leitura e dividi o entusiasmo  agradecendo a indicação.



Costumo dizer que meu  professor "criou um monstro" porque depois disso, comprei um a um todos os livros de Dan Brown, à exceção por enquanto, da versão para crianças e adolescentes do Código Da Vinci.
Li cada palavra que o autor escreveu. Me apaixonei por Robert Langdon e seu universo cheio de símbolos. E, embora o Código fosse o primeiro livro que de Dan Brown que li e também o que me fez ser fã dele, meu preferido é Fortaleza Digital.
Dan Brown hoje em dia faz parte dos meus ídolos literários e também de momentos agradáveis incluindo lembranças preciosas da minha vida. Sentimentos tão especiais, gravados no coração como cada um dos símbolos estudados por Robert Langdon.
Feliz Aniversário Dam Brown. Sucesso e muitos anos de vida. Espero um dia conhecê - lo pessoalmente. Beijos.

PS: Dedicado ao autor Dan Brown e ao meu eterno professor e querido amigo Rafael Neves Albino com a gratidão por me "apresentar" este grande escritor e sua obra.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 7 - Goldfinger (1959)


Voltamos com nossa série especial sobre os livros de Ian Fleming e filmes de James Bond. Estamos na metade do caminho para desvendar esse maravilhoso mundo da espionagem nos livros e nas telas do cinema. 
Este sétimo capítulo nos reserva o livro que fez de 007 um verdadeiro ícone da cultura britânica e da cultura pop mundial, fazendo do personagem um verdadeiro fenômeno, vendendo livros como água no deserto e lotando cinemas em todas as sessões além de ditar moda com artigos diversos que levavam a marca 007. Todos queriam "ser Bond". 
Nesta estória, Bond inicialmente está numa missão no México, combatendo o tráfico de drogas. Enquanto saboreia seu uísque duplo, está conversando com Junius Du Pont. Ele diz a Bond que perdeu US$ 25.000,00 num jogo de canastra para o joalheiro internacional com o sugestivo nome de Auric Goldfinger.
A canastra é o hobby favorito de Goldfinger. Apesar de muito rico, o vilão gosta de tirar dinheiro de outros jogadores claro, com uma pequena trapaça. Enquanto Goldfinger está jogando, ele usa um ponto eletrônico para ouvir sua bela secretária Jill Masterton que observa da janela da suíte as jogadas do adversário do patrão com um binóculo e canta uma a uma para ele até que o outro jogador seja "derrotado".
Ian Fleming sempre gostou desse tipo de vilão: rico, megalomaníaco, frio e muito cruel, com características físicas bastante marcantes beirando o aspecto bizarro. Goldfinger era bem isso.
Isto posto, vamos voltar à missão de 007 nesta aventura.
Na missão principal Bond deve impedir Goldfinger de invadir a reserva nacional de ouro dos EUA, Fort Knox.
Para escrever esse livro, Fleming pesquisou cada detalhe que foi possível do funcionamento do Fort Knox.
O escritor é mundialmente conhecido pela riqueza de detalhes que usa para descrever ambientes, cenários, personagens e algumas ações, até pela sua vivência durante a guerra servindo a Marinha Britânica. Sua imaginação privilegiada é um trunfo para fazer o leitor viajar em suas palavras sem sair do lugar.
Entre um detalhe e outro, Fleming descobre através de jornais na época que um homem (possivelmente um Goldfinger da vida real) tem verdadeira obsessão em fazer sexo com mulheres pintadas com tinta dourada como as antigas bailarinnas de cabarés europeus que se sujeitavam à esta prática estranha para agradar clientes, sendo que uma delas faleceu exatamente como a personagem de Ian Fleming.
Lendo essa notícia ele teve uma ideia ousada e genial.
Este fato não foi o primeiro fato real que Ian Fleming misturou à suas estórias. O famoso jogo de baccará relatado em Cassino Royale por exemplo, era uma das inúmeras coisas que ele conhecia fora da Europa, além de alguns dos mais complexos truques de super contrabandistas como alguns que ele relatou em seu livro Contrabandistas de Diamantes, um livro - reportagem em que o autor era também o personagem principal, um livro não ficção. Tudo ali aconteceu com ele, de verdade.
As investigações de 007 avançam e recaem num plano maluco de Goldfinger para contrabandear ouro. Ele faz falsas blindagens em carros Rolls Royce com o ouro derretido  e transformado em bancos de avião para depois serem facilmente transportados para a Índia, onde o valor da onça (peso do ouro) é maior. Todo o outo era levado através da companhia Meca, também administrada pelo vilão.
E a imaginação de Fleming voa tão alto que os auxiliares de Goldfinger envolvidos na Operação Grand Slan (ou Grande Golpe)  são criados com o mesmo exagero.
Já falando sobre o filme, muitas das cenas saíram do livro, inclusive o capanga e braço direito Odjobb (Faz Tudo no livro) que tem como arma um chapéu coco que ele joga para que a lâmina corte os pescoços das vítimas e a a piloto Pussy Galore que comanda um grupo de aviadoras acrobatas e pilota o avião particular do vilão.
E uma das cenas mais impressionantes foi justamente a da morte de Jill Masterton, com a tinta dourada pelo corpo nu. Na verdade a atriz Sheena Eaton usava um biquini cor da pele para simular a nudez mas, mesmo assim,  a cena impressionou muito e até mesmo mudou a vida de gente que foi ao cinema apenas assistir um filme.
Trata - se do ator Pierce Brosnan que na época chegava da Irlanda, sua terra natal com apenas 11 anos acompanhado pela mãe e o padrasto. Quando o jovem Pierce viu aquela mulher dourada morta e nua em cima da cama, se impressionou tanto que disse à mãe que queria ser ator e um dia fazer uma cena como aquela no cinema.
Outra cena que impressiona muito para a época é aquela em que Connery está amarrado de braços e pernas abertas e um laser dourado vai cortando o ferro até quase chegar em suas partes íntimas para derretê - las como gelo  na famosa cena que termina com o diálogo: "Você espera que eu fale?/ "Não Senhor Bond, espero que morra" depois de 007 descobrir toda a trama da Operação Grand Slan
São técnicas de efeitos inovadoras que serviram para vários filmes dali em diante. Se Moscou Contra 007 fez o mundo descobrir a Bond mania, Goldfinger fez com que isso tomasse proporções astronômicas por todo o planeta. Bond consolidou uma "fórmula própria" para seus filmes:

1- Sequência pré créditos
2-Abertura com silhuetas femininas dançando ao som de cantores da moda
3-Missão passada por M, seu chefe
4-Encontro entre Bond e o vilão
5-Envolvimento com mulheres de caráter duvidoso
6-Envolvimento com mulheres confiáveis
7-Vilão ordena que seu capanga se livre de Bond
8-Bond invade esconderijo do vilão
9-007 corre contra o tempo para escapar de uma situação perigosa
10-Confronto entre James Bond e o vilão
11-James Bond e a mulher confiável terminam juntos em cenas de insinuação sexual após ele cumprir a missão com êxito
Esta combinação passou a ser também muito seguida por outros filmes de outros personagens do gênero, tornando - se um padrão.
Uma última curiosidade é que Ian Fleming não conseguiu ver o personagem que criou fazendo tanto sucesso, sendo o que é hoje.
Goldfinger estreiou no cinema dia 17 de Setembro de 1964, 37 dias após o falecimento de Ian Fleming. O autor se foi deixando uma legião de leitores pelo mundo e um personagem que se tornou um legado grandioso.

Eu retornarei em: 007 Para Você Somente  

PS:Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.





domingo, 15 de abril de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 6 - 007 Contra o Satânico Dr. No (1958)

Hoje recomeçamos nossa trajetória analisando na ordem os livros de Ian Fleming e suas adaptações para o cinema com um título especial: 007 Contra o Satânico Dr. No.
Apesar de ser o sexto livro, foi através deste  título que James Bond ficou conhecido nas telas do cinema. 
No livro vemos uma estória um pouco fora dos padrões literários usados na espionagem tradicional abordada por Ian Fleming.
Ele quis entrar num mundo um pouco menos espionagem clássica e mais ficção policial .
Nesta aventura, James Bond viaja à Jamaica e lá, com a ajuda do velho amigo Quarell (uma mistura de cicerone com espião) vai à procura de um"vilão invisível".
Dr. No é apresentado à todos apenas no capítulo 14.
Essa técnica inovadora do autor é um dos atrativos do livro, talvez o maior deles. Imprime a atmosfera de enfrentar o desconhecido. Fleming quer  atrair o leitor, fazê - lo ser um "segundo Quarell" auxiliando 007 em sua missão e pensando em como resolver o caso, dando - lhe elementos para raciocinar como um detetive.
A partir daí descobrimos q Dr. No é um terrorista profissional. O objetivo dele é sabotar foguetes disparados do Oriente em troca de dinheiro. E para isso, ele interfere nas rotas de mísseis teleguiados dos Estados Unidos. Vale ainda lembrar que Dr. No é aliado russo e que na década de 1950 a corrida espacial para ver quem seria o primeiro a conquistar o espaço estava a todo vapor.
Autor visionário como era, Ian Fleming não poderia deixar isso fora de seus livros que já eram bem populares.
Como adiantei no começo desse post, o público do cinema conheceu a imagem de James Bond através de Dr. No.
Com a devida popularização dos livros de Ian Fleming provocada pela entrevista de John Kennedy, presidente dos EUA , em que ele colocou em sua lista de livros de cabeceira um dos livros do autor britânico, o produtor de cinema canadense Harry Saltzman procurou os representantes de Ian Fleming afim de comprar os direitos autorais dos livros e adaptá - los para o cinema.
Assim como Fleming, Saltzman foi visionário pois a indústria cinematográfica começava a mostrar interesse pelo personagem dos livros ainda mais que o presidente que ditava moda em tudo o que fazia tinha gostado do que leu a ponto de fazer uma recomendação numa revista de sucesso.
Só tinha um porém: Ian Fleming escrevia um conteúdo carregado de erotismo e sensualidade para a época. Isso poderia causar o sucesso absoluto ou ser censurado por "puritanos" que implicassem com isso em nome de "proteger jovens do pecado".
E quem pensa que a ousadia parou por aí, está redondamente enganado. Saltzman queria mais...
Após adquirir os direitos da obra literária de Ian Fleming, exceto Cassino Royale que já tinha sido utilizado para filmagens de um especial de TV produzido pela CBS dos EUA, ele  precisava associar - se a algum produtor de cinema tão ousado quanto ele.
O nome desse cara era Broccolli... Albert Broccolli, um americano ex caminhoneiro que batalhou muito e conseguiu entrar no cinema fazendo sucesso rapidamente ao lado de Irving Allen fundando a Warrick e Films. Após sua saída, juntou - se à Saltzman na criação da maior parceria do cinema mundial. Nascia a EON Productions e com ela, nascia para o cinema Bond... James Bond.
Vale destacar dessa época pequenas curiosidades:
1) Após muitos testes com atores renomados, o ator escolhido para dar vida à 007 na verdade era um homem simples, de modos rudes, um leiteiro escocês que ficou em segundo lugar (injustamente na minha opinião) num concurso de beleza mas que começava a trilhar nessa época seus caminhos cinematográficos com produções de pequena expressão e um filme produzido pela Disney pouco conhecido onde aparece cantando com um pequeno destaque. Sua escolha é atribuída também à Danna Broccolli, esposa de Albert Broccolli, que se encantou com a beleza de Sean Connery, sua postura e sua bela voz ao assistir ao filme Double O´Dee no cinema, comentando depois com o marido as qualidades do jovem ator.
2) A atriz Ursula Andress, atriz nascida na Suíça, a exemplo de Connery, escolhida por sua beleza e jovialidade, tinha uma dificuldade com seu forte sotaque suíço e a solução foi chamar uma atriz para dublá - la. A atriz era Monica Van de Zil. Isso não tirou o brilho de Ursula e era muito comum nesses casos naquela época.
3) Todas as atrizes foram dubladas porém as dubladoras não foram creditadas. Exceção feita à Louis Maxwell a Miss Moneypenny (fonte: Site James Bond Brasil www.jamesbondbrasil.com)
4) Ian Fleming visitou pessoalmente o set de filmagem. Neste dia conversou longamente com Connery e Ursula Andress além de Albert Broccolli.
Ele, que descrevia de forma ousada porém poética a beleza feminina, impressionou - se com a beleza viva de Ursula e, dizem, até gaguejou um pouco ao falar com ela porém tratando - a com extrema delicadeza e respeito já que o marido dela estava presente no set. E ainda teria testemunhado em vida uma cena de sua série literária ser filmada.
5) a cena em que Sean Connery diz a famosa frase "My name is Bond...James Bond foi filmada em 27 de fevereiro de 1962. (fonte: Wikpedia)
No filme, Bond tem a missão de descobrir quem assassinou Strangways e se esse assassinato tem a ver com as interferências nos lançamentos de foguetes dos EUA em Crab Key. A primeira descoberta no entanto, acontece por acaso quando Bond e Quarell, num barco improvisado, descobrem através de um contador Geiger que a terra onde estão é altamente contaminada com radioatividade.
Nesse interin, além de Quarell, ele tem o auxílio de Felix Leiter, um agente da CIA, o serviço de espionagem americana. Num primeiro momento, há um estranhamento de Leiter para com Bond por não saber de que lado ele estava. Mas isso é substituído rapidamente por uma parceria que se torna fundamental para o sucesso da missão.
Bond sofre um atentado pelo Professor Dent que se utiliza de uma tarântula para envenená - lo durante à noite enquanto dorme. No livro de Ian Fleming, o inseto utlizado foi uma lacraia venenosa.
Bond decide então ir a Crab Key, esconderijo de Dr. No mas Quarell se recusa por causa da lenda de um "dragão" que guarda a ilha. Convencido a ajudar Bond, Quarell foi com ele.
Instantes depois, a cena mais icônica e impactante do cinema. Ursula Andress aparece com duas conchas na mão, saindo do mar, de biquini marfim e com um facão no coldre cantando Under the Mango Tree. Essa cena causou alvoroço, olhares perplexos, comentário e até hoje é referência pelo pioneirismo. No livro, a Bond girl está nua como a famosa figura da Vênus de Botticelli conforme descreveu Ian Fleming e a música era um calipso quieixoso jamaicano, "Marion", que fora liberado da censura alfandegária para fazer sucesso fora do país de origem. (curiodidade de bastidores: quando eu relia o livro para preparar esse post, num dos dias, li ao som das trilhas de 007 e, na passagem dessa cena, meu celular tocou aleatoriamente Under The Mangoo Tree, um momento marcante e confuso). O biquini deve ter sido uma adequação para que as famílias pudessem curtir o filme juntas sem se chocar.
Sobre o vilão Dr No, no cinema ele é um vilão fleminguiano típico, megalomaníaco, esconderijo exótico e um objeto usado em tom de ironia: um quadro do Duque de Wellighton (réplica) roubado dois anos antes da estreia do filme e que jamais foi encontrado de verdade. A ironia é que este quadro "aparece" em Crab Key. Bond não acredita no que vê e fica confuso.
Quem gosta de cinema para se divertir ou trabalha com cinema sabe que 007 Contra o Satânico Dr. No é um filme que fez história e é referência até hoje para filmes do gênero.

Eu retornarei em: 007 Contra Goldfinger

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.








terça-feira, 21 de novembro de 2017

Vem ver o sol brilhar em cada amanhecer, vem ver Hebe o Musical




Não estou conseguindo (mas juro que estou tentando) encontrar palavras para descrever o que considero o indescritível. 
Fazem dois dias já que fui ao teatro assistir Hebe, o Musical. Uma linda homenagem à eterna rainha da TV brasileira com tudo que ela mais amava: música e uma boa história pra contar, tão interessante quanto uma entrevista como as que Hebe comandou ao longo de sua carreira em seu famoso sofá.
Sou fã da Hebe desde 1986, quando ela estreou seu programa no SBT, casa em que ela trabalhou por longos 24 anos. Os mais bem sucedidos anos de sua carreira.
Acompanhei desde então seu programa. O estilo cheio de brilho, alegria de viver e glamour coroado por joias dignas de enfeitar e embelezar qualquer rainha, misturado a um engajamento incomum para para a mulher de sua época. Uma grande dama à frente de seu próprio tempo. Mulher que me inspira sobretudo pelo estilo e inteligência que nos convida a refletir sobre os assuntos mais variados.
Confesso, eu quis à minha maneira, de acordo com meu estilo de vida, "ser uma Hebe Camargo".
Sem perceber, uso muito o termo "gracinha", em conversas corriqueiras com familiares e amigos. Comprei revistas dela, um CD e uma réplica de anel. Gosto de usar anéis, correntinhas e brincos e me sinto muito elegante com um vestido de festa, com uma roupa mais fina. Sem falsa modéstia. Gosto de me arrumar para ir casamentos e poder  exercitar esse lado glamouroso.
Quem me ensinou a sentar no sofá com classe e elegância também foi Hebe Camargo.
E, falando nisso, já sentei no famoso sofá da Hebe numa exposição interativa do SBT em 2011. Parte de um sonho realizado.


Fiquei muito triste quando Hebe faleceu. Chorei demais. Não só por ser fã dela mas também por ter perdido minha mãe pela mesma doença que levou a querida Hebe, pouco mais de um ano de diferença entre elas e por isso, não pude realizar o sonho de conhecer e abraçar Hebe, mesmo tendo por três vezes a chance desse encontro. A primeira numa livraria no Morumbi em que ela estava lançando um livro. Muito longe de minha casa e muito ruim e tarde para voltar de ônibus. A segunda na cidade de Taubaté onde Hebe iria receber uma homenagem junto com outros artistas e fãs de Mazzaropi (fui homenageada também) mas ela não pode comparecer e a terceira foi uma caravana para assistir ao programa dela ao vivo na Rede TV mas não deu certo. Deus não quis. Não discuto o que Deus decide.
Passaram - se os anos. E quando soube que saiu esse lindo musical sobre a vida de Hebe baseado no livro de Artur Xexéu (que ainda terei o prazer de ler). Soube pelo Instagram de um amigo que trabalha na editora da biografia da Hebe (Hebe que aliás significa deusa da juventude. Está explicado o porque de tanto humor e jovialidade mesmo já carregando o peso de muitos anos).
Quis por tudo ir ao musical, ver, ouvir, sentir cada emoção. Valeu a pena cada segundo. Pedi para minha tia me levar.



Que coisa linda. Logo de cara uma abertura que não via há cinco longos anos. A mesma abertura do programa do SBT e a atriz Débora Reis esplendorosa com sua interpretação perfeita. Parecia a verdadeira Hebe descida do céu para reverenciar e ser reverenciada por seu público.
Algo inexplicável. Chorei muito!
Truques de luzes e maquiagem fizeram o público ver tudo em preto e branco na primeira parte em que Carol Costa interpretou com muita graça e poesia a juventude e o começo da carreira de cantora em Taubaté. Não dá pra descrever.
As cores só chegavam devagar à medida em que a trajetória avançava para os dias atuais, da TV technicolor (colorida). E depois as cores foram ganhando o brilho que tanto encantavam a apresentadora.
O espetáculo, brilhantemente dirigido por Miguel Falabella , passou por todas as fases da vida e da carreira de Hebe mostrando os momentos mais marcantes e comentados, comprovando que ela era realmente uma mulher moderna à frente do seu tempo mas que jamais perdeu a classe e a elegância.
E o momento mais triste e delicado, o da morte de Hebe.
Foi de um cuidado, uma leveza mas que sim, causava o impacto da perda. E o final ficou por conta do público, aplausos não só para elenco e equipe da peça mas, para ela, a grande homenageada. Aplausos que rompiam o teto do teatro de tão ensurdecedores para chegar ao céu com todo amor. Vem ver, vale a pena. É encantador, lindo de se ver, uma gracinha.
"Vem ver o sol brilhar
Em cada amanhecer
E o luar sorrir, vem ver
A vida passar
Por você" (trecho da abertura de Hebe o Musical)
Para quem quiser assistir também, segue o serviço com os horários:

Hebe o Musical 

Teatro Procópio Ferreira

De: 12/10/2017 a 17/12/201717/12/2017
Ingresso:  R$50,00 a R$190,00
Classificação: 12 anos
Horários: Quinta e Sextas: às 21:00h, Sábado: 17:00h e 21:00h
Domingo: as 18:00h
Vendas: https://www.ingressorapido.com.br
ou na bilheteria do teatro

sábado, 21 de outubro de 2017

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 5 - Moscou Contra 007 (1957)

    


Depois de um breve intervalo, retornamos com nossa série sobre os livros de Ian Fleming e os filmes inspirados neles. 
Para começarmos a conversa, o livro Moscou contra 007 é recheado da tradicional espionagem da Guerra Fria que vigorou desde o término da Segunda Guerra Mundial em 1945 até a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991. 
Este período é uma grande fonte de inspiração para autores de livros que criam em cima desse universo a espionagem mais clássica, mais autêntica e mais romantizada porém, sem boa parte dos "delírios tecnológicos" utilizados no cinema. 
Uma fonte inesgotável, ainda mais para Ian Fleming, um jornalista e herói de guerra que buscou realizar - se através de sua famosa criação, o agente secreto do MI-6 James Bond, personagem dotado de tudo aquilo que Fleming almejava ser. 
O livro traz um ritmo bem gostoso de ler, é envolvente. Aguça o desejo de saber o que nos espera na próxima linha, no próximo parágrafo e no próximo capítulo. 
Ian Fleming começa a esboçar os primeiros traços do personagem que conhecemos no cinema, trazendo a espionagem clássica presente até os dias de hoje no imaginário popular, dando asas à sua imaginação fértil e nos convidando a viver em seu mundo
Bond é levado para uma "armadilha de amor" cuja bela isca é a agente da SPECTRE (não confundir com o filme de 2015 com Daniel Craig como James Bond) Tatiana Romanova - vulgo Tânia treinada pela inescrupulosa Rosa Klebb para arrancar informações altamente confidenciais e ser submissa não só aos seus superiores russos como também à Bond quando necessário para obter uma decodificadora lektor.
Diferentemente de outras bond girls literárias como por exemplo, Tiffany Case de Os Diamantes São Eternos, não vemos 007 empenhado em conquistar o amor de sua parceira, apenas divertindo - se num jogo de sedução deliciosamente perigoso. Romanova representa para ele um risco muito grande. Quando está com ela, ele é tão vulnerável quanto um ser inocente qualquer. Ele flerta com o perigo e gosta disso. 
A atmosfera é tão mágica que todo o romantismo da espionagem clássica fica evidente com alguns elementos como a viagem a bordo do Expresso Oriente por paisagens de perder o fôlego, e perseguições feitas por capangas fortes e brucutus desprovidos de qualquer sentimento. 
E nesta aventura, Bond também conta com o auxílio de Kerin Bay, um agente ligado ao MI -6 na região da Turquia, disposto a ser "pau pra toda obra".
Este livro deu o primeiro impulso à Bond Mania quando o então presidente John Kennedy fez uma lista de livros favoritos para a conceituada revista Life e entre os títulos escolhidos estava Moscou Contra 007. Como tudo que Kennedy e sua família gostavam ou faziam virava moda nos Estados Unidos e no mundo inteiro, não demorou para que os livros de Ian Fleming virassem uma verdadeira febre. 
A adaptação para o cinema segue o livro com uma fidelidade quase completa. 
A Guerra Fria e a espionagem praticada naquela época foram levadas para as salas de cinema. Tudo estava lá, só que agora tínhamos imagens. E uma coisinha e outra era acrescentada para dar mais emoção. Vemos por exemplo a primeira aparição de Desmond Llewelyn como Major Boothroyd, o Q, armeiro do MI-6. 
Como curiosidade, vemos uma miss como a bond girl principal, Daniela Biancchi, a Miss Itália 1960, Miss Fotogenia e segundo lugar no Miss Universo do mesmo ano. Considerada uma das mais bonitas bond girls de todos os tempos. Segundo informações do site Universo Bond, Daniela Biancchi não dominava bem o inglês e seu sotaque italiano era muito evidente e por isso, teve de ser dublada no filme. 
Moscou Contra 007 é um dos filmes mais "queridinhos" entre os fãs de James Bond porque mesmo sem muitos gadgets nos mostra que o James Bond literário da espionagem clássica e o James Bond da "espionagem de cinema" caminham lado a lado, tornando - se um só para a alegria do seu público.

Eu retornarei em: 007 Contra o Satânico Dr. No  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.

Site Universo Bond: (www.universobond.com.br)





segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Polícia Federal - A Lei é para Todos (e esse filme também)


Quem me conhece sabe que sou cricri, enjoada, desconfiada e, apenas nesse caso, preconceituosa com o cinema nacional. E tenho meus motivos que vão muito além de o filme ser feito no Brasil. Nada contra o país onde nasci fazer filmes, mas que faça direito, que me faça ter vontade de sair de casa e gastar meu dinheiro na bilheteria com uma produção nacional ao invés de assistir algo realmente atrativo para mim, o tradicional cinema de Hollywood
Acontece que os filmes nacionais ou são confusos, ou conhecidos por um grupo específico, ou o mal triunfa sobre o bem ou é recheado de chamarizes para fãs sem um enredo bom e que servem apenas para que o fã veja o artista numa tela grande. Já vi filmes desse tipo no cinema quando Gugu Liberato participou de filmes dos Trapalhões. E o atrativo era ele, ao menos para mim. Da mesma forma encarei os 3 filmes do cantor Roberto Carlos na época da Jovem Guarda que aluguei para assistir no auge da era do vídeo cassete. 
Vi alguns interessantes como O Auto da Compadecida, na TV. Mas ele tinha uma linguagem muito regionalizada que eu não conseguia compreender mas valeu para ver Fernanda Montenegro no papel de Nossa Senhora Aparecida. Vi também com essa mesma atriz o "aclamado" Central do Brasil. Me decepcionei. E também Tapete Vermelho, que dizia ser a estória de um fã de Mazzaropi interpretado por Matheus Naschtergaele e sua saga para ver um filme do famoso cineasta, ator e diretor dos anos 1950. A maior decepção cinematográfica da minha vida.
Vi também duas biografias, Lula o Filho do Brasil, independente de qualquer acontecimento, queiram ou não, é uma biografia interessante. E também a de Zezé Di Camargo e Luciano sob a visão do pai deles. Divertido, só isso.
E depois, os melhores filmes nacionais já feitos: Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 O Inimigo Agora é Outro. Esses sim FILMES magníficos, com tudo que um filme precisa ter para  eu gostar. Não me importo com críticas positivas nem negativas. Se quero ver, vou lá e vejo. E se me arrepender, azar o meu.
Bom, o fato é que fazem 10 anos que não vejo filmes nacionais que realmente me atraiam.
Há algumas semanas um amigo me marcou no Facebook quando postou a opinião dele a respeito do filme Polícia Federal, a Lei é para Todos. Segundo ele, o filme era f***. Apenas um dos muitos comentários que li.
Ontem fui assistir, movida pela curiosidade, atraída pelo assunto, e estimulada pela opinião do meu amigo que me deu coragem de romper minhas barreiras de preconceito, ir com a mente aberta, sem pre julgar mas foi inevitável a luzinha da desconfiança acesa a cada recomendação ou crítica profissional.
Mas assim que começou, tudo isso foi rompido. Estava com meus olhos imóveis na tela, como se estivesse vendo um filme de James Bond. Saboreando cada cena na expectativa de saber o que viria a seguir. Um filme muito dinâmico, que conseguiu dar um ritmo de espionagem bem à maneira de Hollywood só que de um jeito bem realista e bem brasileiro já que era feito em cima de acontecimentos reais. Eletrizante.
Os atores que representavam personagens reais como o Juíz Sérgio Moro (Marcelo Serrado), numa referência já que o nome do juíz nunca é citado no filme e que não passou despercebido pois quem assistiu TV nos últimos tempos sabe de quem se trata. E é inegável a semelhança física quase perfeita do ator com o magistrado.
E também de Lula (Ary Fontoura).
Ambos foram perfeitos não só na interpretação como também a caracterização.
O ritmo de uma investigação como aquelas dos filmes americanos mais levados para a inteligência sem tiros e explosões mexia com o cérebro, me fazia investigar também junto com os policiais federais interpretados por Antônio Calloni, Flávia Alessandra e Bruce Gomelevsky
Tudo respeitando os fatos reais e mesclando ficção para dar o ritmo certo.
Vale destacar também a ousadia do diretor de colocar em cena uma aparição real da ex - Presidente Dilma Rousseff retirada de um noticiário da época e também o famoso áudio (original com as vozes de Dilma e Lula) onde ela o nomeia a um Ministério e dá instruções a respeito do termo de posse.
E as cenas pós créditos onde os políticos verdadeiros aparecem durante depoimentos em Brasília, fechando com uma frase de efeito do personagem de Calloni. Sem "inventar final bonitinho".
O diretor Marcelo Antunez já confirmou em entrevista no programa do Danilo Gentilli que haverá uma "parte 2" desse filme. Já estou ansiosa, já quero ver. E recomendo à todos que na primeira oportunidade que tiverem vão assistir. Vale cada centavo gasto no ingresso.

PS: Post dedicado aos atores, produtores, ao diretor Marcelo Antunez e à todos que trabalharam de alguma forma para esse filme existir. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Senhora (NFL), volte aqui (Esporte Interativo), senhora - Obrigada equipe Esporte Interativo, obrigada Octavio Neto

Foto da tela do meu computador durante transmissão on line 
Mais uma vez começaram as emoções de uma temporada da NFL. E eu, como tantos fãs desse esporte como um todo, contava os dias, as horas, os minutos, os segundos, os dias e meses para poder acompanhar as transmissões do Esporte Interativo, de modo especial as narrações épicas de Octávio Neto e os comentários sempre precisos de Pedro Pinto e também de toda a equipe do canal  Esporte Interativo.
Os meses se passavam desde aquele fevereiro do Super Bowl histórico, empolgante, indescritível, "unbeliveble", uma das coisas mais emocionantes do esporte em geral que eu já vi acontecer, comparável para mim, à conquista da Libertadores da América invicta em 2012 pelo Corinthians. 
A ansiedade ia tomando conta do meu ser e cada vez mais aproximava - se a chance de mais uma vez acompanhar esse campeonato. 
Ledo engano meu achar que ontem iria acompanhar aprimeira temporada totalmente digitalizada no Esporte Interativo pela TV sem precisar da internet. Há dois dias atrás, uma notícia que muito me entristeceu. A rede de TV ESPN, de canal a cabo , que há muito tempo transmite a NFL, conseguiu exclusividade total e absoluta nas transmissões no Brasil e não poderei mais ouvir nem ver nenhum jogo sem ter TV a cabo. Mas tentarei acompanhar pela internet em links de streaming. 
Nunca tive um time do coração na NFL, ainda não parei para pensar nisso, nem deu tempo... 
Eu via os jogos mais pelo espetáculo lindo que se faz a cada partida, pelas emoções. Desde o Super Bowl de 2012, as transmissões eram muito divertidas principalmente porque, enquanto eu assistia, me comunicava com pessoas amigas que assistiam há tantos anos e nos divertíamos como se estivéssemos juntos fisicamente. Cada jogo era uma festa. Ainda mais o Super Bowl. Nós já éramos unidos por uma outra paixão, James Bond 007 e as transmissões do Esporte Interativo me abriram as portas, me incluíram novamente no meio deles como fã de NFL. Eles me davam dicas de regras, perguntavam insistentes se eu torcia para alguém. Pra poder zoar comigo caso meu time perdesse.
Nesses anos todos assistindo o popular EI fui conhecendo novas palavras em inglês, conhecendo nominalmente atletas de um esporte tão confuso e querido que na própria transmissão ensinava regras.
Sem contar os inúmeros bordões criativos que Octávio usava, adaptados de outras celebridades para abrasileirar e também deixá - las bem humoradas. Bordões como eita mainha, isto é unbeliveble my friend, bate bate como maionese (um abraço para a Gilmelândia), senhora, volte aqui senhora, tchaca tchaca na butchaca meus amigos, a bola está voando eram constantes nas transmissões que também tinham pitadinhas de cultura geek, games bem "doutrinadora".
Dois momentos que destaco: uma vez leram um tweet meu e o Octávio Neto tentou cantar o James Bond Theme mas acabou cantando o tema de Missão Impossível. E uma outra vez que uma fã chamada Inês Brazil tirou uma selfie beijando a imagem de Octávio Neto na TV e na legenda colocou uma legenda q acabou virando um apelido fofo: "baby boy". Ele ficou vermelho como tomate e levou numa boa. E eu tive uma crise de riso daquelas vendo jogo.
Fica a esperança de um dia voltar a assistir NFL no EI e também minha homenagem com carinho ao Octávio Neto e toda a equipe do Esporte Interativo. Obrigada por tantos momentos de diversão, emoções e conhecimento.



domingo, 18 de junho de 2017

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 4 - Os Diamantes São Eternos (1956)


Vamos começar mais uma jornada na nossa série sobre os livros e filmes de James Bond com um pequeno parêneses. Uma das vezes que li esse livro foi em 2004 durante minha viagem ao Rio de Janeiro. Foi um momento inesquecível na minha vida. Isto posto, vamos ao que interessa. 
Dizem que o melhor amigo do homem é o cachorro e o melhor amigo da mulher é o diamante.
Para uma Bond maníaca, claro, isso é fato mas quer ver ficar melhor? Basta envolver 007 nisso tudo e misturar como se fosse um vodca martini batido não mexido. 
Ian Fleming  "misturou" e vou falar: ficou divertido e bastante interessante. 
Neste livro, o autor saiu do conforto de tratar do tema Guerra Fria, dos inimigos russos e tudo que representavam para dar lugar ao contrabando de pedras preciosas com outra locação, outra trama.
O autor tenta nos convencer de que nada mudou. Que os vilões são extremamente perigosos. Mas não é bem assim. Os irmãos Jack e Serafino Spang são até inofensivos, tanto que quase não notei a presença deles no livro. 
Cabe uma curiosidade: Serafino Spang mora em um parque de diversões chamado Spectreville. Pareceria óbvio demais termos num livro de 007 esse lugar com um nome que nada tem a ver com SPECTRE, a organização criminosa formada por supervilões inimigos de 007 chefiada por Blofeld com representantes em todo o mundo. No alto da inteligência de Fleming, alguns leitores desavisados como eu, foram levados a acreditar que havia alguma relação entre o parque e a organização criminosa. Nada a ver, coincidência. 
Já o outro irmão Spang, Jack, aparece em duas cenas que se Diamantes São Eternos fosse uma novela de TV qualquer, talvez o personagem nem fosse creditado no elenco de apoio. Tipo, virou o pescoço perdeu a cena. Cochilou um segundo, perdeu a outra cena.
Muita coisa muda nesse livro e a principal delas é que o temido agente secreto britânico antes muito respeitado por seus algozes, passa a ter sua capacidade sub julgada por seus inimigos. 
Fleming, apesar de mudar um pouco a trama ao escrever este livro,  a "superioridade britânica", o charme e a sedução de Bond continuaram intactas. Bond tornou - se também, arrogante e displicente. Existe uma cena em que Bond estava recebendo ordens para a missão e não estava nem aí para o que estava acontecendo. A missão não era tão importante.
Uma das mudanças mais  bruscas foi com a parceria de Felix Leiter, agente da CIA, que nessa estória abandona a agência de inteligência americana e passa a atuar sob o comando do MI -6, para mergulhar de cabeça  na investigação de um roubo de diamantes na África que eram lapidados na Europa e gastos por toda América, ajudando seu velho parceiro Bond. Porém, aquilo que era de confiança passa a não ser mais tão confiável como antes. 
A narrativa política não existe. Não há governos inimigos, governo herói ou governo vilão. Ao que parece, todos são unidos para combater um crime cometido simultaneamente em todo planeta por uma organização muito poderosa. Tradições bondianas quebradas a todo instante para causar impacto. 
Fomos apresentados também aos vilões Mr Wind e Mr Kind, personagens de uma relação polêmica entre eles para os anos 1950. Algo que hoje em dia seria aceito com mais facilidade. Ousadia e um grande avanço para tempos conservadores: O homossexualismo mesmo velado era tratado naqueles dias num livro popular.  
Fleming, assumidamente machista, criou uma Bond Girl muito diferente da fragilidade feminina tão valorizada e realçada no mundo daquela época. Tiffany Case que no começo da estória trabalhava para os inimigos de 007, além de resistir às investidas do agente secreto, aos poucos vai mudando de lado e só após salvá - lo de uma situação de perigo, finalmente cai nos braços dele. Parece pouco mas é um grande avanço na relação de James Bond com suas belas garotas. A soberana Inglaterra continuou no comando de tudo. 
Como sabemos, quando Bond foi criado em Goldeneye, Jamaica, a coroa britânica estava abalada pela guerra, seus heróicos soldados e o povo deixaram de acreditar em si. Fleming que não se acostumara à ser casado e precisava de uma válvula de escape. E mais do que isso, um resgate do orgulho patriótico e da auto - estima de um escritor e de seus leitores através de um personagem. 
Já o filme, embora muito da estória tendo sido até bem adaptado, vale destacar que não passa de uma comédia ao estilo mexicano do atrapalhado herói Chapolin Colorado, criado por Roberto Gomez Bolaños. Vilões que causam mais risadas do que medo, mesmo o temido Blofeld. Mr Wild e Mr. Kind o casal fofinho que tenta ser mau mas só faz trapalhadas brindando o público com cenas de bom humor, embora sejam cruéis quando querem eliminar pessoas. 
Despedida melancólica para o Bond de Sean Connery. 
Connery não queria voltar a vestir o smoking mais famoso do mundo mas o que não faz um punhado a mais de dólares?
Na tela percebe - se que está sempre emburrado, de saco cheio, fazendo por fazer. E até a última entrevista que deu sobre cinema, evitou falar sobre seu personagem mais famoso, até mesmo em documentários para DVD. O fato é que Diamantes São Eternos foi uma tentativa razoável tanto no livro quanto no filme de mudança que nem sempre deu certo. 

Eu retornarei em: Moscou Contra 007 

PS:Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.
E embora não tenha feito este filme como 007, também dedico este texto à memória de Roger Moore, recordista com 7 filmes no papel de James Bond falecido dia 23 de maio deste ano. 






quarta-feira, 24 de maio de 2017

Obrigada Roger Moore






Começo este, que provavelmente deverá ser um dos textos mais curtos e mais "prontos" do blog. Até porque, ainda não me refiz por completo da morte do Roger Moore. Estou um pouco "perdida" ainda. Não reparem. E espero que todos leiam essa homenagem feita com muito amor.  
Eu era apenas uma menina de seis anos de idade quando entrei na barbearia do meu saudoso avô João para ler o jornal do dia que entre outras coisas, noticiava que na Sessão da Tarde iria passar um filme chamado Com 007, Viva e Deixe Morrer. 
Curiosa, sem ter a menor ideia de coisa alguma, resolvi ver o filme. Assisti inteirinho e continuei sem entender nada mas naquele dia, a Bond Mania nasceu dentro de mim e até hoje permanece.
Moore foi muito especial, mesmo não sendo meu Bond predileto, marcou minha vida para sempre, não só como fã de cinema mas como ser humano também. De certa forma, Moore que é o Bond da minha geração tem a ver com tudo que aconteceu comigo nesses últimos catorze anos da minha vida. Me trouxe novos amigos que logo se tornaram irmãos de coração e alma. Pessoas que amo.
A primeira vez que manifestei publicamente minha Bond Mania também tem a ver com Moore, E como tudo que Moore fez na pele de 007, de uma maneira inusitada.
Era o ano de 1988, 5ª série do ensino fundamental (primeiro grau). A professora de inglês pediu que os alunos escolhessem uma música e cantassem individualmente ou em grupo para testar a pronúncia. Dentre tantas cantoras, boy bands da moda, escolhi uma cantora sucesso dos anos 70, Carly Simon e a música Nobody Does It Better do filme "007 O Espião Que Me Amava". Sempre fui tímida, tremia muito, não sei cantar sem acompanhar no rádio ou na vitrola. Podia levar fita/ LP para ajudar. E fui a primeira de toda a classe. Levei uma fita da Carly Simon. A professora colocou no gravador, fechei os olhos e me imaginei vestida como a personagem Anya Amasova (Barbara Bach) e que James Bond estava ali na minha frente. Cantei com toda alma para ele. Por momentos baixava o tom pois a professora abaixava o volume e eu acompanhava o tom da Carly Simon. Meu coração saltitava, as lágrimas queimavam o rosto e ao fim, a melhor nota de todas 9,5 só não foi 10 pelo nervosismo e timidez. E aplausos de pé.
E também realizei o sonho de conhecer o Rio de Janeiro em 2004. Pena só que Moore não estava lá. Mas não perdi a chance de, junto com o querido amigo Claudinho, também fã de James Bond,  prestarmos uma homenagem ao ator refazendo (ou melhor, tentando refazer) uma cena do filme Moonraker de 1979. Uma das fotos mais lindas que tirei na vida. E anos depois também entrei num veículo que Bond dirigiu em cena no filme 007 O Espião que me Amava, meu filme favorito com o Bond de Moore





Diante de tudo isso, só me resta agradecer por tudo que Roger Moore e seu jeito de ser James Bond me proporcionaram. 
Obrigada Moore, do olhar e coração mais doces. 
Moore, o mais elegante
Moore do humor britânico
Você me fez amar Bond. 
Descanse em paz. Tens meu carinho eterno e orações.