My name is Patthy... Bondgirlpatthy

Bem - vindos ao meu cantinho virtual . A "casa" está sempre aberta à todos que queiram vir aqui ler e comentar meus posts. Este blog não tem compromisso jornalístico portanto não tem compromisso com a imparcialidade. Mas o meu compromisso com a democracia continua. Aqui toda opinião é importante e respeitada. Fiquem à vontade, a "casa" é de vocês. Voltem sempre q quiserem . Um beijo com muito carinho e obrigada.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 2 - Viva e Deixe Morrer (1954)


Continuando com a série sobre os livros de Ian Fleming onde relato de forma descompromissada a experiência de ler na ordem em que foram escritos, trago um título muito especial para mim, Viva e Deixe Morrer. 
Na verdade, o livro não é um dos mais preferidos. O que torna essa título muito especial para mim na verdade é o filme. 
Uma rápida história da minha vida que tem tudo a ver com o post de hoje. Eu era apenas uma menina de seis anos de idade quando entrei na barbearia do meu saudoso avô João para ler o jornal do dia que entre outras coisas, noticiava que na Sessão da Tarde iria passar um filme chamado Com 007, Viva e Deixe Morrer. 
Curiosa, sem ter a menor ideia de coisa alguma, resolvi ver o filme. Assisti inteirinho e continuei sem entender nada mas naquele dia, a Bond Mania nasceu dentro de mim e até hoje esse sentimento se fortalece cada dia mais. 
Viva e Deixe Morrer traz a missão em que James Bond tem que combater o tráfico de heroína no bairro americano do Harley em Nova Iorque. 
O bairro do Harley também é retratado pelos traços culturais de seus costumes, sua música e culinária. Nem só de violência vive o Harley nessa estória e Fleming fez questão de deixar isso bem claro.
Ao mesmo tempo em que explora o universo do voduísmo e da magia negra representado pela mística figura do Barão Samedi e da cartomante virgem Solitaire que segundo a lenda é noiva do Príncipe que se foi e que deve permanecer casta para não perder seus poderes paranormais. Também há a figura de Kananga que, de certa forma a controla aproveitando - se de seus poderes à espera do dia em que, finalmente, retirará de Solitaire seu poder. 
Tanto no livro quanto no filme, o simbolismo sagrado de tudo isso está atrelado também à opressão sofrida pelo povo do Harley, um bairro considerado violento, de maioria afrodescendente que traz consigo toda carga de sofrimento de vários séculos. E Kananga deflorar Solitaire seria como uma "vitória" dos oprimidos sobre seus opressores já que Solitaire é a típica "deusa padrão" inatingível. 
Em meio a isso tudo é que Bond entra na jogada. Não só para resolver o caso mas também para tirar a oportunidade de Kananga ser o primeiro na vida de Solitaire, numa clara demonstração de "superioridade".
Porém 007 não está só nessa missão. No livro e também no filme, ele tem o apoio de seu velho amigo Felix Leiter, agente da CIA  e também de Quarrel, um agente aliado. E apenas no filme, ele conta com o auxílio do atrapalhado Xerife J.W. Pepper, um caricato "tira" americano que dá o tom na maioria das piadas que só o humor britânico é capaz de proporcionar. 
Nos anos de 1954, quando o livro foi escrito, não havia o politicamente correto dos dias de hoje. O preconceito racial, sobretudo no subúrbio dos Estados Unidos, era escancarado. Era algo banal e Ian Fleming registrou isso claramente em seu livro. 
No livro e também no filme, a primeira noite de Solitaire com Bond é retratada de forma sutil e quase velada. E quando isso acontece, principalmente no filme, logo começamos notar a ira de Kananga, que com tal atitude é sub julgado em sua condição masculina. Durante todo o tempo, 007 "vencia".
O que me impressiona mais é a riqueza cultural e como o ritual do voduísmo é retratado, não sei se de forma verídica mas os detalhes são aterradores e macabros, envolvendo até mesmo cobras.
À medida em que Solitaire já sem seus poderes, se une cada vez mais à Bond, mais Kananga e Barão Samedi fracassam. A grande farsa envolvendo o misticismo da figura do Barão é descoberta.
Uma das cenas que mais me impressiona é a cena em que Bond é colocado numa espécie de reserva natural que está povoada de jacarés e crocodilos e ele tem que atravessar a ilha sem ser atacado. A cena foi feita pelo dublê de Roger Moore várias vezes até dar certo mas mesmo assim é tensa e muito impactante.
É um excelente livro para quem gosta de rituais exóticos, boa música cultura de subúrbio e investigação de tráfico. E um excelente filme para relaxar pois tem muita comédia. E além disso, nos apresenta toda fleuma britânica e elegância sem par de Roger Moore que nos trouxe um pouco de fantasia para o mundo dos filmes de espionagem dando leveza ao personagem.

Eu retornarei em Contra o Foguete da Morte

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.
Esse texto também é dedicado a meu avô João (IM) que indiretamente contribuiu para eu ser fã de James Bond.







segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Eu vivi para ver um Super Bowl histórico

Ainda estou sem acreditar no que aconteceu no Super Bowl LI. A "final" da NFL por si só sempre é um espetáculo rodeado de estatísticas, curiosidades e muita expectativa . Os times se dedicam rodada após rodada para chegar até esse dia. 
Ontem eu estava muito ansiosa pelo jogo, não via a hora de chegar a noite e a bola oval voar finalmente. A exemplo do que acontece desde que comecei a acompanhar um campeonato inteiro lá em 2013 (em 2012 eu assisti somente o jogo final para acompanhar o show da Madonna). E desde sempre, acompanhar um Super Bowl é assim: ligo minha TV no Esporte Interativo (canal 36 UHF - Sâo Paulo), fico assistindo o jogo e ao mesmo tempo me comunicando com amigos que acompanham há mais tempo, entendem de regras e tem um time para torcer. Tudo regado a muita risada e zoação sadia pela internet e whats app. Só imaginem o que seria nosso grupo assistindo junto! 
Aí seria um Deus nos acuda (risos).
Literalmente é uma guerra de nervos assistir o Super Bowl. E você tem que se preparar para emoções muito fortes pois até o último milésimo de segundo, por mais que o placar tenha uma vantagem elástica para um time específico faltando pouco tempo para acabar a partida, isso não é garantia alguma de vitória pois num único lance, num estalar de dedos, tudo pode reverter de uma hora para a outra. 

Eu só digo uma coisa meus queridos leitores e amigos: Ontem foi um desses dias! Sentem para não cair e preparem - se para o inacreditável!
Para começar, o Esporte Interativo escalou um narrador que apesar de ser ótimo e narrar NFL com uma empolgação de arrepiar, ele nunca foi escalado para o Super Bowl. Ao invés de chamarem André Henning chamaram Octávio Neto, que eu adoro. Parece que a "Santa Padroeira dos Super Bowls" estava guardando algo realmente inesquecível na vida profissional dele, algo que vai ficar para a história, desse tipo que a gente conta para os filhos, netos, bisnetos e sabe se lá para quantas gerações e acaba virando uma lenda. 
E, óbvio que Octávio não fez feio. Foi de arrepiar, não consegui desviar os olhos, embora por poucos momentos, devido ao horário ser muito tarde, de vez em quando cochilava um pouco mas foram duas vezes apenas e por momentos muito breves. E parecia adivinhar que algo grandioso e espetacular iria acontecer e eu tinha que ver, com os olhos bem abertos. Eu tinha que ver isso, viver isso, era uma missão que os "deuses da NFL" me deram e como fã do esporte, aceitei.
O jogo, New England Patriots @ Atlanta Falcons. As equipes e todos que estavam transmitindo, assistindo, seja in loco ou por qualquer plataforma de transmissão, fazendo qualquer coisa que envolva esse esporte ontem deu sua contribuição para a posteridade. 
No começo da partida, o Atlanta massacrava, placar de 21 a 3, parecia tudo muito modorrento até que.... tudo mudou. 



Virou a chave no terceiro quarto do jogo (que é dividido em quatro quartos de 15 minutos) e de repente, o New England Patriots começou a reagir, pontuando, jogadas incríveis, inimagináveis. 
Nos últimos minutos, bastava ao New England marcar um touchdown (gol) mas antes fazer uma conversão para empatar o jogo e levar para o over time (prorrogação) que termina se um time fizer uma vantagem. 
Numa reação de cair o queixo, tudo isso aconteceu pela primeira vez em 51 anos de disputa.
Tudo se encaixou perfeitamente e o incrível, o inbeliveble. A história se fez diante dos nossos olhos. Azar de quem perdeu. 
Em 13 minutos, 25 pontos recuperados e o narrador Octávio Neto enlouquecido querendo "morar eternamente" dentro do Super Bowl 51, coisa de geek que eu entendo por também ser geek. 
Resumo da ópera, o Patriots bateu o Falcons de virada por 34 a 28. Delírio coletivo em Houston, local do jogo, histeria alegre dos torcedores do Patriots com direito a pedido de casamento que as câmeras do Esporte Interativo flagraram e absoluto choque e perplexidade dos torcedores do Falcons. 
E eu vivi para ver e registrar a história através desse post. Por pouco não viro a noite escrevendo mas o sono me venceu. Valeu a pena, cada momento. 
Me peçam qualquer coisa mas não me peçam para explicar milagres. Isto é impossível.Guardem esta data e nunca se esqueçam: 5 de Fevereiro de 2017. 
Parabéns aos meus amigos torcedores do Patriots pelo feito e também a todos que fizeram história. Esse texto é para vocês com muito carinho. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo Especial - Fleming, The Man Would Be Bond (Minissérie para TV 2014)



"Tudo o que eu escrevo tem um precedente na verdade". Com essa frase do próprio Ian Fleming que inicia cada um dos 4 episódios da série Fleming The Man Would Be Bond (Fleming o Homem que queria ser Bond) inicio meu primeiro post de 2017 num capítulo super especial da minha série de posts sobre os livros que contam as aventuras de James Bond, o agente secreto mais famoso do mundo. Nada mais justo do que homenagear também o criador de tudo isso, o jornalista, escritor, herói de guerra e "bon vivant" Ian Lancaster Fleming. 
Como Bond maníaca que sou, acabei conhecendo o Ian Fleming escritor e o universo que ele criou. O mundo de James Bond 007, o mundo da espionagem, um misto de realidade com fantasias perfeitamente imaginadas e concebidas por uma mente genial. Cada página de um livro de Fleming jamais será, para mim, apenas páginas de excelentes livros com estórias de espiões. Essas páginas serão sempre para mim (ainda mais agora), morada de "pessoas" interessantes, encantadoras e sedutoras. Cada uma ao seu modo, a cada nova leitura que faço, vai me conquistando e me prende em seu  mundo fascinante. Mistérios que quero descobrir a cada capítulo, a cada livro. Hoje posso afirmar que sou também Fleming Maníaca. Se esse termo ainda não existe, acabei de inventar.
Desde que soube que a BBC America em parceria com a Ecossi Films e Sky Atlantic estava produzindo a série que contaria a história de Ian Fleming que o grande público desconhece, fiquei muito interessada. Passei a acompanhar notícias, ler sobre a série, pesquisar vídeos, ouvir um podcast sobre ela feito por meus amigos também fãs de 007 e leitores de Fleming. (Link para ouvir: Bondcast Brasil 0025 – O homem que queria ser Fleming) mas não consegui assistir muita coisa. Sem TV a cabo foi impossível mas não perdi as esperanças.
Continuei com minhas pesquisas ao longo de 2014/2015 e descobri a série na Netflix UK. Não deu pra acessar.
Fiquei muito feliz quando a Netflix Brasil resolveu incluir Fleming em seu catálogo. Eu mesma enchi o saco, vivia pedindo pra eles e parece que não fui a única.
Interrompi todas as séries que eu estava acompanhando para me dedicar 100% a esta. Exclusividade total. E não me arrependi.
A vida de Ian Fleming é um assunto interessantíssimo. Ele era um cara inteligente, desse tipo de pessoa que eu seria capaz de passar horas a fio apenas ouvindo suas histórias. Se ele foi um "bon vivant" influenciado o tempo inteiro pela mãe, ajudado por ela para conseguir um lugar ao sol, isso é outra coisa mas vejo que ele foi fruto de uma era de ouro onde isso era comum. A "batalha particular" dele com o irmão por prestígio e respeito é bastante interessante.
O mais gostoso disso tudo é o Bond maníaco notar aos poucos o quanto a vida real do criador é influenciada por sua maior criação. Ou seria o contrário? E como isso é passado para o público que está assistindo, mesmo aquele que nada sabe sobre Fleming ou Bond mas que curte séries biográficas.
E os amores? Como ele vai levando os romances. De Muriel Wright a Ann O´Neil.O quanto ele é delicado e ao mesmo tempo agressivo e violento com elas.
Como ele vai subindo degrau a degrau na vida militar, de um relis soldado até ser finalmente Comandante da Marinha Britânica, revelando - se um grande estrategista, um pioneiro que inventa formas e aparelhagens para realizar trabalhos de espionagem. Como ele desenvolve a espionagem em si.
Além de ser um  grande negociador porque consegue com muita facilidade e bons argumentos o apoio dos oficiais superiores, Rear Admiral John Godfrey, Sargento Dixon e Segunda Oficial Monday.
Dominic Cooper no papel principal emprestou jovialidade e um pouco mais de beleza à figura de Ian Fleming que tinha seu charme e muita lábia mas não era tão bonito. Parecia muito comum. Cooper soube levar isso muito bem. Quem vê a série vê o personagem e não o ator. Laura Purves, no papel de Ann O´Neil traz veracidade às cenas em que atua ao lado de Dominic Cooper. Os dois tem uma química perfeita a cada diálogo ou a cada cena. Trabalham muito bem juntos e todo o elenco completa essa atmosfera. Sem falar nas referências diretas e riqueza de detalhes.
Uma das melhores séries biográficas que já vi na vida. E que quero rever um dia.Uma série obrigatória para fãs de cinema, cultura pop e principalmente para fãs de James Bond.

Eu retornarei.





sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 1 - Cassino Royale (1953)


Desde os 6 anos sou fã do James Bond como todos sabem e desde 2003 tive acesso aos livros de Ian Fleming (criador do personagem) através de outros fãs. Comprei os livros um a um e li cada um deles bem depois de ver os filmes. O personagem dos livros era um mistério para mim. Conforme eu ia comprando, eu ia lendo. E como se tratam de livros muito antigos e às vezes difíceis de conseguir, fui lendo tudo fora de ordem. 
E várias vezes, reli sem me importar com nada, até agora. 
Eu não conseguia entender como o universo criado por Ian Fleming era totalmente conectado de um jeito que fazia sentido. 
Recentemente, numa conversa sobre isso num grupo de whats app, fui aconselhada por duas pessoas a tentar ler na ordem e assim, conhecer mais profundamente o 007 dos livros e também o dos filmes cuja ordem cronológica e a conexão das estórias tem outro sentido por ser diferente. 
Minha experiência consiste em ler um livro e depois ver o filme correspondente. Mas não quero ficar fazendo comparação do que é melhor. Quero apenas destacar algumas coisas e descrever uma experiência pessoal, nada mais. 
O primeiro livro, Cassino Royale é de 1953, traz o desconhecido porém fascinante mundo da espionagem misturando um pouco de realidade à ficção já que Ian Fleming foi um espião durante a Guerra. Traz muito da vivência do autor e de suas fantasias quando ele começa a moldar o personagem James Bond. 
Cassino Royale tem uma leitura leve no começo porém fascina pela descoberta. Já o filme começa com uma adrenalina sem precedentes, um ritmo acelerado e uma espécie de desconstrução para tentar voltar às origens para contar ao público de Bond quem é ele e porque ele surgiu. 
Nos filmes já temos há muitos anos uma outra imagem, do cara de ação com explosões e efeitos inimagináveis mas também a fina arte da espionagem com uso de tecnologia de ponta. E em Cassino Royale, essa reconstrução em busca da essência foi trazida com toda força. 
Destaco duas cenas que me chamam muita atenção: a primeira é o jogo de cartas. No livro, joga - se o bacarat e cada jogada é descrita com muito detalhe. Cada jogada torna - se interessante e deliciosa porém no filme, o jogo muda para dar uma atualizada. Joga - se poker do Texas. A cena é linda, iluminação perfeita mas arrasta - se por muito tempo. 
E mesmo se arrastando não é tão cansativa porque ela vai dando o tom de toda primeira parte do filme e de toda a investigação. 
A segunda cena em destaque é quando 007 é torturado pelo vilão que dá chicotadas em suas partes baixas. Tanto no livro quanto no filme é extremamente doloroso pois você se coloca no lugar do personagem. Você é capaz de "sentir" cada golpe mesmo que não seja homem, E é um alívio quando a cena termina. 
Uma outra coisa que nunca compreendi até hoje foi ver Bond enfartar num filme. Agora que li o livro, compreendo melhor porque existe uma cena semelhante onde ele está muito ferido e fica no hospital. Agora a cena do enfarte que eu tanto condenava faz sentido como 2 + 2 = 4. Fleming não dá ponto sem nó. Estou começando a entender isso agora. 
E o romance com Vesper também é quase que retratado fielmente, assim como o convívio com Renée Mathis, são coisas extremamente vitais e tem o tratamento que merece. 
Só não concordo muito com o excesso do uso do celular com SMS. Foi interessante usar mas acho que se perdeu um pouco do charme da época que Fleming idealizou mas, por outro lado, mostra que desde sempre a espionagem busca por recursos cada vez mais modernos. E com certeza, na época do Fleming, muita coisa que hoje é normal já estava a serviço dos exércitos no mundo inteiro. 
Em geral, é uma experiência que eu estou gostando muito e que pretendo levar até o fim se Deus permitir. 

Eu retornarei em 007 Viva e Deixe Morrer. 
Um Feliz 2017 a todos os leitores e amigos! 




PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Eu e a NFL: Meu primeiro contato ao vivo com o mundo do futebol americano

Quem já visitou meu blog sabe que desde o épico show da Madonna no Super Bowl de 2012 passei a acompanhar com grande alegria e interesse o futebol americano. 
Um jogo que, aos poucos fui me familiarizando com as regras enquanto me divirto com as transmissões do Esporte Interativo (canal 36 UHF - SP) que são sempre carregadas de emoção, empolgação e explica as regras para aqueles que começam a se aventurar na transmissão desse esporte tão diferente daquilo que conhecemos por futebol (que para eles é o soccer).
Por causa disso, também estou colecionando o álbum de figurinhas lançado pela Panini. com os 32 times do campeonato da NFL, cheio de curiosidades de cada time, tudo muito bem organizado. É muito legal colecionar figurinhas, ainda mais de algo tão interessante.

Bolas e camisas
Recentemente fui a uma troca de figurinhas no MASP onde troquei muitas figurinhas, claro, e também algumas ideias sobre o "football". 
Nesta troca, obtive a informação de que existia aqui em São Paulo uma loja especializada em artigos para a prática do futebol americano. Entrei em contato e peguei horários e endereço.
Falei com minha tia pensando que iríamos num sábado. Mas como ela tinha assuntos para resolver no centro de São Paulo, acabei indo com ela ontem mesmo e aproveitei para passar na loja.
Foi um passeio incrível. Apesar de acompanhar o torneio da NFL há algum tempo nunca tive contato com o material esportivo usado nesse tipo de jogo.
As camisas, por exemplo, são muito grandonas já que o padrão do manequim nos Estados Unidos tem uma numeração um pouco maior do que a brasileira. E também são levados em consideração os equipamentos usados por baixo das roupas já que é um esporte de grande contato físico com impacto intenso.


Arara de camisas (jerseys)
Capacetes, chuteiras e diversos equipamentos
Durante esse passeio à loja Urlacher´s tive o atendimento da simpática Cris que, não se importou com minha vontade de fotografar a loja e também os objetos. Muito atenciosa, ela ouviu minha história com a NFL. De como conheci o esporte enquanto me ajudava com minhas figurinhas.
Também ajudou com algumas fotos e me mostrou as camisas bem de perto. Destaques para três camisas em particular. A do New England Patriots, a do New York Jets que são os times de coração (na NFL) de dois grandes amigos que me mostraram esse mundo tão diferente e a do Denver Broncos que tem a curiosa cor laranja. No futebol convencional (o soccer) desconheço o laranja como cor tradicional para um time em sua bandeira como cor oficial. Aliás a combinação de cores das camisas (jerseys) do "football" é bastante variada e às vezes bastante exótica. Não me atrevi a experimentar nenhum dos capacetes. Pelo tamanho deles e pelo que conseguem suportar em jogo, acredito que sejam muito pesados e um pouco incômodos para quem não tem hábito de usá - los mas ao mesmo tempo devem ser confortáveis para proteger a cabeça com muita segurança e delicadeza.
Um lugar que com certeza é um paraíso e uma grande fonte de conhecimento para quem é fã de longa data e também para quem começa a explorar esse assunto e está curioso e cheio de vontade de conhecer um novo universo.
Um objeto se destaca em meio a tantos artigos de decoração e artigos que estão à venda. Um quadro do jogador Tom Brady do New England Patriots, um dos melhores jogadores do campeonato com recordes impressionantes. Um craque da bola oval. Muito famoso nos EUA porém conhecido no Brasil por ser casado com a ulber model brasileira Gisele Bündchen.


O jogador Tom Brady do New England Patriots

Um passeio que te leva a um pedacinho muito significativo da tradição esportiva norte americana que vale demais conferir. Um dia, ainda pretendo voltar e comprar algo para guardar como lembrança.

Cris: Muito conhecimento e muita simpatia

Camisas do Patriots e do Jets




Serviço: Urlacher´s
Av. Brigadeiro Luiz Antônio nª1564 - Loja 10
Tel: (11) 97983-7271
Seg a Sex: das 10:00h às 19h
Sáb: das 10:00h às 12:00h



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

De volta ao mundo de Crhistian Grey: um outro olhar sob quarto de jogos



Ha algum tempo, quando terminei de ler a trilogia 50 Tons de Cinza, um pensamento ficava ecoando em minha curiosidade: "Já conheço a visão pelo angulo de Ana Steele mas pouco sei sobre o charmoso e misterioso Christian Grey, por que?" 
E me parece que não fui a única pessoa entre os milhares de leitores espalhados pelo mundo. A própria autora, E. L. James também percebeu isso quando recebeu uma enxurradas de pedidos para reescrever a estória só que desta vez, sob o olhar cinzento de Christian. 
O livro com essa visão da estória foi então lançado este ano, pondo fim no grande mistério sombrio por trás da personalidade do milionário maníaco por controle que, literalmente, dominou o mundo literário e o imaginário de "Anas Steeles" comunicando - se em vários idiomas. 
Quando o livro foi lançado em junho do ano passado no exterior, comecei a criar expectativas para saber, finalmente, como tudo aconteceu sob um outro olhar. Será que vão lançar em português? Tomara. 
Aguardei ansiosa e acompanhava tudo q era notícia. Até que em setembro do mesmo ano, a espera acabou. Fiquei "monitorando" o preço até que em agosto deste ano, finalmente, Grey veio para minhas mãos. E finalmente pude ler o que diziam os lindos, misteriosos e cinzentos olhos de Christian. 
Uma sensação boa tomou conta de mim quando li o primeiro capítulo. E a cada capítulo, contado de um novo angulo, a sensação boa se repetia. A curiosidade, o espanto, enfim... Aos poucos, assim como aconteceu com a leitura da trilogia, a Ana Steele que adormecia dentro do meu imaginário acordava. Mas desta vez para ficar sentadinha em frente a uma lareira numa noite de inverno "ouvindo Christian" entre um e outro gole de chá. Reconfortante, eu diria. 
Esta visão, para muitos pode parecer chata e monótona. Mas para mim é interessante.
Toda história, seja real ou ficção tem dois lados. E no caso da ficção, conhecemos apenas um dos lados. E eu estava curiosa para saber o olhar de Christian sob o quarto de jogos, suas sensações, seus medos. E foi legal conhecer essa visão.
Li algumas críticas reclamando que o livro tinha muita coisa "repetida". Mas o que as pessoas queriam? Elas são repetidas porque precisam ser, afinal é a mesma história contada por outra pessoa, com sua visão dos fatos. 
Muito melhor e mais empolgante do que um filme que para mim não funcionou. Esse livro tinha que continuar a ser livro. Nunca deveria ter sido adaptado. Tanto que não verei as continuações. Talvez veja reportagens e um ou outro trailer mas nada além disso. 
Achei uma boa sacada da E. L. James contar duas versões de um mesmo fato. Ousado. E, na minha opinião ficou na medida certa. Se isso pede continuações? Talvez pois de minha parte, a curiosidade já foi bem mais do que saciada. E com certeza, daqui a algum tempo, terei prazer em reler tudo e mergulhar novamente neste mundo fascinante de Christian Grey. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

24 horas "prevendo o fut..." Não, péra! É os Simpsons




AVISO IMPORTANTE: O post não se trata de dizer qual série é a melhor, nem questionar o resultado da eleição dos Estados Unidos e muito menos as ideias dos roteiristas da rede FOX. São apenas curiosidades para entretenimento dos fãs de séries e desenhos americanos. 


Há 5 anos escrevi neste mesmo blog sobre uma suposta "previsão" apontada pela série 24 horas em que após o mandato de um afrodescendente (Barack Obama) seria a vez de uma mulher (Hillary Clinton) assumir a Casa Branca. Na verdade , a previsão se confirmou (só que não) pois esse fato ocorreu  no Brasil, em 2010 foi eleita Dilma Rousseff.. A pergunta que foi feita ao final daquela postagem na ocasião :"Qual será a próxima "previsão do futuro político" embutida pelos criadores [de 24 horas]?" (para entender, leia o post nesse link: Série 24 horas se especializa em "prever o futuro" da política da vida real)
Hoje de madrugada, com a vitória de Donald Trump nas eleições, me parece que essa pergunta que fiz lá atrás já tem uma resposta: Nenhuma, quem "prevê o futuro político norte americano" mesmo é Os Simpsons. 
Se é verdade ou não, jamais teremos a certeza. O fato é que a família de Homer Simpson criada por Matt Groening em 1989 consegue provar mais facilmente que tem tal "poder". 
Observem a foto abaixo. A comparação de duas situações idênticas. Do lado esquerdo, Trump em desenho animado e do lado direito, Trump de verdade vivenciando as mesmas situações nos mesmos locais. 




Para quem gosta de desenhos e séries e também  é bom observador, poderá reparar que em alguns diálogos das séries produzidas e exibidas pelo canal FOX (mesmo quando é dublado), a emissora deixa clara sua posição a favor do partido Republicano, pelo qual Trump se elegeu. Diferente do processo eleitoral do Brasil, nos Estados Unidos os artistas e meios de comunicação podem tomar partido oficialmente pois isso é permitido por lei. Não há a obrigação de imparcialidade eleitoral. 
Tendencioso ou não, se isso ajudou Trump a se tornar o próximo presidente americano, a coisa deu tão certo que pipocou em posts e memes de fãs dos Simpsons que viralizaram. Inclusive neste. 
Há também uma frase de Lisa Simpson no episódio "Bart e Lisa no futuro" onde Bart Simpson está vendo a previsão de seu futuro com um índio. No futuro de Bart, Lisa é presidente dos Estados Unidos e ela diz numa reunião com seus secretários de governo: "Como sabem, herdamos um orçamento bem ruim do PRESIDENTE TRUMP ". Além do apoio escancarado ao republicano há uma previsão embutida aí. Esse episódio é de Março de 2000 e faz parte da 11ª temporada da série.
Neste mesmo epísódio há também uma previsão que não se cumpriu ainda. Que será confirmada (ou não) em 2021. A eleição da primeira mulher como presidente americana. No desenho, a mulher é exatamente Lisa Simpson e a julgar pelo tipo e cor de roupa e acessório usados por ela, será que a mulher seria Hillary Clinton? Deixo a foto como um enigma e só nos resta aguardar a resposta. Deus permitindo, voltarei nesse assunto no devido tempo. 



domingo, 16 de outubro de 2016

Em 1976 a "primeira loucura" do Bando de loucos (Invasão Maracanã)



Até hoje, apenas tinha ouvido e visto pouquíssimas imagens de um dia que marcou para sempre a história do futebol do Brasil. Talvez a maior loucura no bom sentido causada por uma torcida por amor ao seu time. E numa época que não existia internet, smartphone e rede social. 
O filme conta a história da Invasão Corinthiana de 1976. 
70 mil pessoas se deslocaram de São Paulo para o Rio de Janeiro usando os mais diversos meios de transporte ou mesmo indo a pé. Tudo por amor ao Corinthians, afim de assistir a semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano diante do Fluminense. 
Como Corinthiana, eu já tinha ouvido várias vezes as histórias daquela época narrada por várias pessoas mas principalmente por meu saudoso tio Joãozinho nas tardes de domingo em que ia na casa dele, dividindo essas histórias com meus primos. Todos muito crianças de até 5 anos.
Tenho também um LP que narra essa história, presente do querido amigo Bosco, que ouço de vez em quando mas sempre com muito carinho. 
Seja como for, ainda assim não eram imagens. Eram fatos narrados heroicamente como se fosse uma grande epopeia.
Ao ver o filme, não consegui piscar o olho, não consegui ter outra reação a não ser ficar praticamente estática. Aquelas imagens da Via Dutra sendo colorida em preto e branco com um imenso mar de pessoas se deslocando de uma cidade à outra enfrentando de tudo: desconforto, calor, fome, insônia, dores, falta de dinheiro, todo tipo de adversidade. 
As narrações finalmente ganhavam rostos e formas que eu podia ver e o meu sentimento particular de corinthianismo pode "reconhecer" através dessas imagens e fazer o coração por muitas vezes disparar ditando o ritmo da emoção. Tudo muito grandioso, colossal, louco, tal qual meu saudoso tio narrava com emoção na voz e um brilho no olhar que refletia todo o sentimento dele ao relembrar das reportagens, já que, até onde eu saiba, ele não foi ao Rio de Janeiro naquele 5 de Dezembro histórico. 
E quanto a mim, eu era apenas uma menina com 1 ano, 7 meses e 3 dias que não sabia o que era uma bola e muito menos o que era futebol ou qualquer esporte. Concentrava - se apenas em dormir no seu bercinho cercada por seus bichinhos de pelúcia, especialmente um cãozinho cor de rosa grande. O "ser Corinthians" chegou muito depois disso. 
Mas voltando à história do filme: Assim como os relatos do meu tio, os relatos de quem esteve lá, de quem viveu, quem jogou, quem torceu, quem narrou o jogo e noticiou os fatos de todas as formas, era tudo muito maior, mais colossal e incrível! 
E o mais arrepiante, as cenas do jogo final. Embora eu já soubesse o resultado, foi como se o jogo fosse transmitido aquela hora, eu ficava atenta a cada lance, a cada comentário, a cada jogada. A cada gol. Por vezes tive vontade de vibrar e torcer igual a aquela torcida impressionante que, de fato invadiu e dividiu o Maracanã com a torcida de um time carioca, feito jamais repetido até o momento. Me contive por fora, mas por dentro... vocês podem imaginar, claro, quem for corinthiano. 
O que a torcida do Corinthians fez é considerado por muitos até hoje como a maior demonstração de amor clubístico que o país já viu e para mim, o real nascimento do "bando de loucos". Um feito que foi reconhecido na época por todos times rivais e pelo Fluminense, adversário direto naquele jogo.
Só lamento que meu tio não estava no cinema hoje para que pudesse dividir comigo de novo as emoções de uma história incrível como quando eu era criança mas com certeza, lá do céu, ele torce pelo sucesso desse filme e pelo Corinthians. Impossível não pensar nele, minha maior influência. A pessoa que me "ensinou" o que é ser Corinthians e carregar comigo um pouco dessa história dentro do meu coração. Eternamente. 
Se eu não invadi o Maracanã naquela época, 40 anos depois, "invadi" o cinema para ver a história ser contada. E tenho o ingresso para provar.


PS: Dedicado ao time do Corinthians 1976, torcedores e todos que viveram essa loucura épica, ao meu tio Joãozinho (IM) e ao meu amigo João Bosco que me ensinou muito da história do Corinthians. 


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Minhas reflexões sobre a 7º CON 007 - Influências de Bond no Mundo. Por que gosto tanto?

Demorei um pouco para postar sobre isso porque não sabia como começar o texto. 
Inicialmente pensei em escrever sobre o evento dizendo que foi legal, que fiquei feliz em rever meus amigos, falar sobre Bond, dar risada, tudo isso seria óbvio demais. Resolvi refletir sobre o tema da CON: O que James Bond influenciou na minha vida? Uma vez até gravei um podcast com a turma do Bondcast Brasil sobre isso (link para baixar e ouvir no fim do post). Foi bom, interessante, mas pouco. Por mais que falamos, ainda ficaram faltando coisas e sempre faltarão porque só quem sente entende. 
Uma das maiores influências e uma das mais valiosas e importantes foram os amigos que fiz por dividir com eles uma paixão incomum, algo quase tão forte quanto aquele sentimento que um torcedor tem por seu time de futebol. Um pouco mais, um pouco menos mas um sentimento muito parecido com este só  que, no caso de um personagem de cinema, todos estão de "um mesmo lado", torcendo pelo sucesso dos filmes, assistindo, vibrando com cada prêmio e sempre porocurando manter vivo o entusiasmo por esse "mundo" tão fascinante". Procura saber notícias e se aflige quando não aparece nenhuma novidade. Critica o "erro", o "não canônico" porque quer guardar a tradição e ao mesmo tempo, quer o melhor e quer que evolua conforme a época para se tornar uma obra atemporal, cultuada por várias gerações. 
Outra influência que eu sinto muito forte dentro de mim, é que 007 me aguça a curiosidade de aprender e aprofundar um assunto que me desperte grande interesse. Quero saber sempre mais e mais. Também há a questão da leitura, leitura de jornais, sobretudo a parte internacional que me mostra lugares exóticos com culturas, pensamentos e até política como algo globalizado e importante. Me mostra os costumes e as artes mesmo que nem preceba, é algo que você precisa para "entender do assunto"
Também há a pontualidade, a elegância, o gestual, ter charme na medida certa, a discrição. Ser atraente mas não ser vulgar. 
E este blog é a influência mais gritante pois gosto de escrever e escrevo bastante, sem ousar ser um "Ian Fleming de saias".
Quem sou eu diante da genialidade deste grande escritor que criou Bond num momento de inspiração pura? 
Já tive um gato siamês que se chamava James Bond, falecido em 2008, aos 18 anos e hoje tenho um gato preto de 2 anos e 11 meses chamado Ian Fleming, uma homenagem que um amigo que  também é fã (e foi influenciado pelo mundo de 007) e eu fizemos de comum acordo. Ele sugeriu, eu aceitei. 
Mesmo que Bond seja um personagem machista, racista e outras coisas que no mundo atual não são mais aceitos, isso não deixa de ser uma influência, mesmo negativa e que não deve ser seguida.
As pessoas devem lembrar que ele é um personagem que surgiu na década de 1960 quando a época girava em torno de valores diferentes dos atuais. Ele é fascinante pois vai se adaptando a cada época, aos estilos e comportamentos, chegando com força aos novos tempos, deixando algumas características de lado e aperfeiçoando outras num equilíbrio perfeito. E isso nos ajuda a compreender ainda mais. A troca de atores demonstra bem isso se assistirmos os filmes na ordem em que foram filmados. Fiz isso e é um exercício interessante de observação. E os filmes, assistidos em qualquer ordem são diversão na certa. 
Bond é um ícone que está aí e faz sucesso. A "fórmula do sucesso" talvez tivesse sido aperfeiçoada por Ian Fleming, mas quem tem essa certeza? A única certeza que eu realmente tenho de tudo isso é que Bond é tudo de Bond. 

Bondcast Brasil 0036 - Eu, James Bond (Influências). Baixe e ouça neste link:


Eu voltarei. Bond will return. 


   

domingo, 28 de agosto de 2016

Muito obrigada, Maurício de Sousa

Maurício de Souza na Bienal do Livro
Muito antes de eu saber ler ou escrever, não sabia o motivo do meu saudoso avô e outras pessoas segurarem e olharem em silêncio um papel cheio de "coisas" que eram observadas com tanto interesse. Minha saudosa mãe já me mostrava o que eram livros cheios de desenhos coloridos cheios de estórias que ela contava pra eu dormir. E também gibis. 
Meu avô, todos os domingos ia na banca comprar jornal para ler depois do almoço. E assim despertou o interesse de eu "conhecer" o jornal que eu colocava no chão e sentava para juntar as letras para saber o que estava escrito ali. 
De vez em quando, eu ia com ele e, na banca de jornal, ele me dizia, apontando os gibis: "Escolhe um aí" e não se importava com o preço. Normalmente eu escolhia ou um da Mônica ou um do Mickey, que eram os personagens que eu mais adorava. Um do brasileiro Maurício de Sousa e o outro do americano Walt Disney, dois personagens que marcaram minha infância e ainda marcam minha vida até hoje. Mais do que qualquer um. Mais até que o Chaves e o Bozo porque não precisei vê  - los em desenhos animados ou ouvir suas vozes. Para quem gosta de ler, isso marca muito. E ainda assim, via seus desenhos também quando passava na TV. O trato era o seguinte: Enquanto eu não terminasse de ler um gibi, meu avô não comprava outro. Tinha que terminar o velho para comprar e ler um novo. O incentivo à leitura veio, justamente de um cara com pouco ou nenhum estudo mas sempre, do seu jeito, lia seu jornal e fazia questão de incentivar todos os netos à prática prazerosa da leitura. Todos íamos à banca e todos ganhavam gibis.
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Palestra de Maurício de Sousa na Bienal sobre quadrinhos
                                                                                                                                                                                                                                                 
O tempo foi passando e eu comecei a frequentar a Bienal do Livro. Aquele lugar encantado, cheio de livros por todos os lados. Cheio de gente que lê, que fala sobre livros, que escreve e consome as informações ou estórias escritas por pessoas que conhecemos bem o nome mas que dificilmente conhecemos seu rosto e mesmo assim, essas pessoas tornam - se parte da nossa vida e, como os que aparecem na TV, tornam - se também nossos ídolos. 
Cada uma das 9 Bienais que estive, teve seu momento especial mas, nenhuma como esta. Soube que o Maurício iria fazer uma palestra sobre os 60 anos da Mônica e quadrinhos e seus 80 anos de vida. De qualquer forma, eu iria para a Bienal do Livro. Escolhi ir ontem, um sábado para ver Maurício de Sousa nem que fosse de longe e também levei um velho gibi do meu avô na esperança de pegar um autógrafo. Para tal ocasião especial, coloquei uma gargantilha da Mônica que tenho desde pequena mas que fazia pelo menos uns 25 anos que não usava mais. E um anel que foi muito significativo para minha mãe. 
Só de vê - lo de longe, já foi emocionante. Mal sabia eu que algo muito melhor iria acontecer.



Depois da palestra, soube que Maurício de Sousa iria lançar um livro com algumas passagens da sua vida em quadrinhos. O livro "Memórias de Maurício". Eu não sabia de nada, que tinha que comprar o livro, que tinha senha mas, depois de ficar um tempo enorme esperando no lugar "elado" como diria o Cebolinha, fui para o lugar certo. Não tinha a certeza se iria conseguir ou não o autógrafo mas fiquei ali apenas para ver Maurício um pouco mais de perto, chegar e entrar para atender os cinquenta afortunados que conseguiram sua senha comprando o livro. 
Minha tia arriscou falar com um dos funcionários que auxiliaram Maurício de Sousa. O funcionário, compreensivo e simpático, após ouvir nossa história, mandou que aguardássemos o fim do evento  e disse que nada prometia porque Maurício estava cansado, com a saúde debilitada e isso poderia não acontecer. Uma multidão se acumulou no pequeno espaço do stand à espera do "pai da Mônica".
No horário marcado, Maurício chega num carrinho desses de golfe e desce amparado por seguranças. Passou bem ao meu lado. Toquei de leve o braço dele. Aquilo para mim foi o máximo que poderia acontecer e guardei aquele imperceptível gesto para sempre e poder dizer "eu toquei no braço do Maurício de Sousa". Uma emoção difícil de controlar mas que consegui. Ao entrar, Maurício "autografa" o vidro do stand sob olhares extasiados e perplexos. As personagens Mônica e Magali e também as filhas de Maurício que inspiraram os quadrinhos. Entre um autógrafo e outro do pai, dentro do stand, as filhas famosas eram tietadas do lado de fora. Simpáticas e fofas demais. E Magali ainda comeu um docinho que pegou da mesa e quando a chamaram para uma selfie, ela disse: "Espere, estou comendo". Isso não tem preço: Eu vivi para ouvir Magali dizer que estava comendo! Meu Deus, Incrível!
O tempo passava e nós ali, firmes, esperando conseguir algo. Junto com uma menina que fez um gibi para ele. Maurício faz sinal para seu funcionário e ele libera a entrada da menina que estava muito emocionada. Depois libera alguém que chegou com uma pessoa na maca, vai até a pessoa e volta. E depois de mais algumas pessoas com senha, foi minha vez.
Diante dele, travei por uns segundos mas consegui contar a minha história e lhe mostrar não só o gibi do meu avô como também dizer que depois de anos usei minha gargantilha da Mônica especialmente para a ocasião. Ele sorriu. Tiramos as tradicionais fotos e me despedi. Ainda não caiu a ficha. Chequei o celular várias vezes para saber se as fotos "existiam" várias vezes, até de madrugada e hoje de manhã. Não tenho como descrever, só agradecer à você, Maurício, por tudo e por fazer parte da minha vida. Sucesso, sempre. Um grande beijo.


O gibi autografado

Maurício de Sousa e eu: realização de um sonho
Dedicado à Maurício de Sousa, suas filhas Mônica e Magali, seus funcionários super simpáticos, à minha tia Judite que me levou à Bienal do Livro, à minha mãe Lourdes (IM) e ao meu avô João (IM) a quem dedico também o autógrafo que recebi. Esse autógrafo também é para você, Carequinha Lindo.