My name is Patthy... Bondgirlpatthy

Bem - vindos ao meu cantinho virtual . A "casa" está sempre aberta à todos que queiram vir aqui ler e comentar meus posts. Este blog não tem compromisso jornalístico portanto não tem compromisso com a imparcialidade. Mas o meu compromisso com a democracia continua. Aqui toda opinião é importante e respeitada. Fiquem à vontade, a "casa" é de vocês. Voltem sempre q quiserem . Um beijo com muito carinho e obrigada.


sábado, 15 de dezembro de 2018

De uma fã para Hebe Camargo



Eu tinha quase doze anos quando numa terça - feira assisti na TV ao primeiro programa Hebe que estava estreando no SBT.
Bailarinos vestidos de fraque e cartola e bailarinas com plumas brancas dançavam e ladeavam a entrada do palco. Uma cena mágica que mais parecia vindo de um musical americano de teatro, desses clássicos dos grandes shows da cidade de Las Vegas que podemos ver em filmes. 
Entre os bailarinos surge Hebe Camargo, como uma rainha em seu lindo vestido preto e branco brilhante e umas ombreiras largas. Ela pega seu microfone e as fichas do programa e vai cumprimentar amigos e fãs. Gostei de ter visto aquilo porque, sendo mulher, o brilho e a beleza dos vestidos longos, jóias, acessórios e elegantes sapatos de salto alto (que infelizmente jamais poderei usar por causa de um problema de nascença) me fascinavam.  E nunca tinha visto uma mulher vestir essas peças com tamanha elegância e assim permanecer até o fim do evento a não ser, claro, a saudosa Lady Diana que foi uma mulher elegante mesmo em roupas simples quando estava no Palácio de Kensinghton tendo por companhia seu marido e os filhos.
O fato é que, naquele dia 04 de Março de 1986, vi na TV uma artista que nunca tinha ouvido nem falar, embora ela mesma tenha uma participação direta e muito importante nos primeiros tempos da TV brasileira, a ponto de até hoje ser A Rainha da Televisão Brasileira, título que jamais saiu de suas mãos.
Eu não a conhecia, não sabia seu nome e nem em que canal trabalhou antes do SBT pois minha família inteira assistia com mais frequência a programação da TV Globo, a não ser aos domingos quando assistíamos o Programa Silvio Santos e após, o Fantástico, que aliás eu só assistia para ver uma zebra de desenho dar o resultado da loteria esportiva baseado na rodada dos principais campeonatos regionais ou nacionais de futebol. Mas como só tinha uma TV na minha casa naquela época, o domingo depois do Silvio Santos era chato e sem graça.
Durante a semana no entanto, depois da novela das 8 eu poderia assistir o que quisesse em alguns dias. Hebe Camargo sempre foi minha opção das terças feiras.
Comecei também a gostar do jeito descontraído que ela entrevistava convidados que na maioria eram artistas que estavam no auge e também aqueles com os quais ela conviveu além de autoridades e figurões do governo e os números musicais de todos os gêneros com uma orquestra tocando ao vivo já que Hebe sempre gostou e conviveu com isso por causa do pai, Fêgo Camargo, que era violinista e também de seus tempos de crooner de orquestra em casas noturnas e, posteriormente, cantora, tudo isso como se estivesse na sala da casa de cada pessoa que via o programa. Tanto que no cenário havia um sofá, desses que podemos ver na nossa própria sala, onde também recebemos nossos "entrevistados" que são a família e os amigos.
A cada semana eu acompanhava seus programas e com esse hábito, fui me tornando uma jovem fã de Hebe Camargo.
 Eu ficava deslumbrada a cada semana com as roupas e jóias da Hebe. Queria poder copiar seu estilo. Queria "ser Hebe" e com isso eu comecei a usar pingente, pulseiras e anéis de bijuteria no dia a dia. Antes eu usava essas coisas para sair na rua e quando tinha casamento ou formatura. E também comecei a usar no meu vocabulário diário o famoso "gracinha" para elogiar alguma coisa ou alguém.
Foi com Hebe que também aprendi a passar batom sem espelho e sentar cruzando os tornozelos, um jeito de sentar que segundo ela é muito elegante, feminino e adequado pois dependendo do cumprimento da saia não aparecia sua roupa íntima além de te manter com a postura reta e confortável. Vira e mexe, quando estou sentada, fico nesta posição involuntariamente.
Como todo fã, cultivei o sonho de conhecê - la pessoalmente. Chegar perto dela mas não foi possível. O máximo que consegui foi vê - la na Parada da Criança promovida pelo SBT nos anos 1980 bem de longe do alto de um carro alegórico. Isso não conta. Tive uma colega de escola chamada Hebe que era muito legal e o nome dela foi uma homenagem feita pela avó que era fã da apresentadora.
Ao longo de todos esses anos, eu tive três oportunidades de conhecer Hebe mas elas não se concretizaram. A primeira delas, em 1999, seria numa livraria no shopping Morumbi onde Hebe lançou um livro de fotos de sua carreira chamado "Hebe, a Trajetória de uma estrela". Não fui pois era muito longe da minha casa e seria tarde, 21:00 h, voltar para casa de ônibus seria impraticável.
A segunda oportunidade ocorreria em 2003 na terra natal da estrela, a cidade de Taubaté, no Vale do Paraíba em São Paulo. E o melhor, estaríamos juntas o tempo inteiro. Isso porque seríamos homenageadas pela Câmara Municipal de Taubaté por ocasião do Dia de Amácio Mazzaropi, famoso cineasta que, apesar de paulistano de nascimento, fez sua carreira cinematográfica toda em Taubaté. Ele também era amigo da Hebe desde os primeiros tempos na TV e até fizeram o programa Brigada da Alegria juntos. A homenagem era pela ocasião do aniversário natalício do humorista e Hebe receberia a homenagem por ser amiga de Mazzaropi, assim como a atriz Vida Alves e o ator João Restiffe, membros da ProTV, associação de veteranos da TV presidida por Vida Alves que guarda arquivos raros da história da TV no Brasil.
Eu recebi a honraria como a fã mais jovem e também vinda de outros municípios juntamente com outra fã de Minas Gerais.
O que aconteceu foi que Hebe recebeu o convite ao vivo no seu programa através do empresário João Roman Neto, diretor do Instituto Mazzaropi e proprietário do Hotel Fazenda Mazzaropi. Fiquei imensamente feliz até porque eu achava que finalmente eu ia conhecê - la.
Eu fui para Taubaté acompanhada por minha mãe, estava muito ansiosa mas Hebe não foi.
Antes de ir para a Câmara Municipal, desci ao restaurante do hotel para fazer um lanche rápido. Encontrei João Roman que também fazia seu lanche. Nos cumprimentamos e disse que tinha visto ele na Hebe. Perguntei se ela iria para a solenidade. Ele disse que não pois ela havia telefonado para dizer que tinha muitos compromissos. Mas não fiquei triste. No outro dia conheci o Conservatório Musical Fego Camargo e vi no jardim um busto dele. Foi emocionante apesar de não poder ver o conservatório por dentro.
A outra oportunidade foi numa possível caravana para o programa Hebe na Rede TV. Estava quase tudo acertado para eu assistir à gravação ao lado de minha mãe, minha tia e uma vizinha. Mas acabou não dando certo porque a caravanista disse que haviam cancelado a gravação.
Acabei não conhecendo Hebe. Ela já estava em tratamento, já quase não trabalhava e os programas foram reprisando até que ela voltou para o SBT. Ficou pouco tempo, um mês eu acho até que deixou para sempre a TV, faleceu rápido.
Não realizei o sonho de conhecer Hebe mas sentei no famoso sofá dela numa exposição temática em 2011 pelos 30 anos do SBT. Sentei com os tornozelos cruzados como ela fazia. Minha homenagem foi estar em seu cenário.






Em 2017 fui ao teatro Procópio Ferreira assistir Hebe O Musical, roteiro escrito por Artur Xexéu, baseado no livro Hebe A Biografia também de autoria dele. Me emocionei muito com o musical.
As atrizes Carol Costa e Debora Reis como Hebe em duas fases da grande estrela estavam  impecáveis. E há poucos dias eu terminei de ler a biografia. Foi impactante para mim e, se não tive a oportunidade de conhecer Hebe, tirar foto com ela ou ter seu autógrafo, conhecer a carreira e a vida desta grande mulher através do musical e do livro foi maravilhoso, foi lindo de viver, como Hebe dizia sempre. Então, mesmo sem ver, valeu muito a pena "te conhecer" Hebe "Gracinha" Camargo.  Um selinho pra você aí no céu e Viva a Vida!



PS: Texto dedicado à memória de Hebe Camargo e ao filho Marcello Camargo. 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 9 - Chantagem Atômica (1961)


Estou de volta para o nono capítulo da nossa série sobre livros/filmes de 007. Andei ausente de escrever porque atrasei outras leituras que nada tinham a ver com James Bond.
Nunca prometi que seria uma série com uma data certinha para escrever, apenas continuaria cumprindo o ritual de ler o livro, ver o filme e postar.
Como diz um querido amigo, também fã de 007 e que certamente está lendo os posts (estou me referindo à você mesmo Serginho, se não leu nenhum, vai ler que você vai gostar), isto posto, sem mais delongas, vamos ao nosso assunto de hoje, Chantagem Atômica.
É importante lembrar mais uma vez que devemos considerar o fato que a obra de Ian Fleming foi escrita num tempo em que muita coisa era permitida nas estorias e também na vida real. Aliás, não só 007 mas qualquer obra, seja literária, filme, música, é feita de acordo com a data em que é elaborada não tem a obrigação de ser mudada conforme vai passando o tempo. 
A trama do livro traz à tona as bombas atômicas e também a fragilidade humana de Bond. Seu relatório médico enviado à M aponta que 007 está bem fisicamente porém seus vícios como fumo e bebida em excesso vão prejudicar muito sua saúde.
Diante disso o chefe ordena que Bond tire uma licença para se internar. Contra a própria vontade, 007 é enviado a uma estação de tratamento naturista chamada Sbrublands. Lá é submetido a um regime rigoroso e também afastado de seus vícios. Segundo opinião de M, Bond não poderia estar em melhores mãos, o Dr. Wein é especialista nesse tipo de terapia e também sob os cuidados da bela enfermeira Patrícia (nome mais adequado para uma Bond girl não poderia haver)  Fenning
Nos primeiros dias, 007 vive a rotina tranquila de seu tratamento mas isso não dura muito. Essa rotina é quebrada quando Bond encontra um rival, Conde Lippe, um playboy milionário que está na mesma clínica e disputa com ele as atenções e carinhos da enfermeira.
Bond está deitado e amarrado de bruços em uma mesa de tração motorizada e Lipe quase o estrangula. Como vingança, Bond aumenta a temperatura do banho turco de Lipe e quase o cozinha vivo durante o procedimento. Como resultado, o milionário é transferido a um hospital com queimaduras de segundo grau.
Lippe não é apenas um milionário. Ele também é membro da SPECTRE, que se prepara para roubar bombas atômicas e chantagear nações em troca de 100 milhões de Libras. Caso o dinheiro não fosse pago, as bombas seriam explodidas na base da Grande Bahama e em Miami.
Lippe falha na missão e é executado por ordem de Blofeld.
Após algum tempo, o roubo das bombas é concretizado pela SPECTRE através do aviador Giuseppe Petrachi quedesvia um avião da OTAN para Nassau. Depois ele também é morto por quatro homens que escondem seu avião no mar.
As ogivas nucleares no entanto são entregues ao cientista alemão Kotze (não Kontze, só me faltava essa - risos) também aliado de Blofeld.
Em Nassau, Bond reencontra seu velho parceiro Felix Leiter, agente da CIA. Juntos, eles descobrem um grupo de milionários excêntricos, entre eles está Emílio Largo.
Daí para frente, o que vemos são muitas cenas de embate no mar, principalmente no iate Disco Volante que navega por paisagens com vários recifes de corais, uma das paisagens favoritas de Ian Fleming, que gostava de mergulhar para apreciar as criaturas marinhas.
No filme a fidelidade com a estória é muito grande. Vários acontecimentos, personagens e o mar de Nassau com seus recifes também aparecem.
A Bond girl Domino, uma jovem que procura vingança contra Emílio Largo por ele ter matado seu irmão, ganha um destaque muito maior no filme, embora no livro, o erotismo em torno dela seja mais explorado. Claudine Aunger e Sean Connery formavam um casal com uma química tão intensa em cena que parecia até um verdadeiro casal de namorados. Há até boatos de que o namoro saiu das telas para a vida real.
Uma curiosidade final que não pode passar batido é a batalha judicial entre Ian Fleming, Kevin Mc Clory e Jack Whhitting, conhecido como caso Thunderball. Tudo porque ao escrever o livro, Ian Fleming citou sem dar crédito, trechos do livro Longitude 78 west de autoria de Mc Clory e Whitting. Essa disputa durou muito tempo, tanto que, num primeiro momento Chantagem Atômica não pode ser o primeiro filme de 007 como pretendiam os produtores Albert Broccolli e Harry Saltzman . Para o livro ser adaptado, foi necessário um acordo fora dos tribunais onde a EON (produtora dos filmes) teve autorização para utilizar alguns conceitos contanto que uma refilmagem não fosse feita por um período de doze anos.
E com muitas idas e vindas, e até uma refilmagem que só serviu para uma volta de Sean Connery ao papel de Bond, no ano de 2002, finalmente a batalha chega ao fim. Kevin Mc Clory perdeu os direitos por 007 Nunca mais outra vez , que passaram a pertencer à EON que passa a utilizar e/ ou modificar os termos Blofeld e SPECTRE.
Um filme com peculiaridades únicas e uma briga judicial de impor respeito. Uma verdadeira bomba atômica.

Eu retornarei em: Espião e Amante  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.

PS 2: Com colaboração do site James Bond Brasil








terça-feira, 21 de agosto de 2018

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 8 - Somente Para Seus Olhos (Para Você Somente) (1960)


Hoje estamos de volta para falarmos novamente  dos livros e filmes de James Bond. 
Já passamos da metade de nossa aventura. E neste oitavo capítulo, Ian Fleming nos traz um livro bem diferente: ao invés de uma única estória escrita num livro temos uma coletânea de contos independentes que nos trazem um 007 mais intimista pois nos falam de algumas peculiaridades do personagem fugindo um pouco da aura de investigação e mistério e aproximando - nos mais do "lado humano" de James Bond. 
Ian Fleming costuma fazer referências de missões passadas nos seus livros. Neste, por exemplo, ele começa a nos falar sobre a missão citada em Goldfinger, retratada no conto "Risco" nos trechos iniciais. Nesta passagem é falado em poucos parágrafos sobre o combate ao tráfico de drogas no México.
Durante as investigações, ele se depara na rota de Enrico Colombo. Fica evidente para 007 que Colombo é de fato o traficante que procura mas o tempo lhe mostra que Kristatos é o responsável por tudo. No entanto, Colombo também não é um santinho. Ele é uma espécie de pirata que contrabandeia ouro, diamantes, cigarros e condenados foragidos da lei. 
Os contos "Risco" e "Quantum de Refrigério, juntos, formam a estória "Quantum of Solace", uma estorieta intimista. Já "Fator invisível" é uma trama de espionagem onde Bond combate espiões inimigos na França, levando - nos a supor que a última missão da SPECTRE em 1958 foi a invasão do Fort Knox em que os vilões usam táticas semelhantes à Rosa Klebb (Moscou Contra 007).
 Bond, ao investigar descobre um "aparelho" instalado em subsolo da floresta francesa e os ocupantes emergem do chão puxados por um elevador hidráulico. Um conto sem clímax. Já os contos "Raridade Hilderbrand" e "Somente para seus olhos" (que dá o título ao livro), servem como se fossem as memórias da vida particular de Bond.




Já o filme, adaptado para o cinema por Michael G Wilson e Richard Maumbaum, foi composto a partir dos contos "Risco" e "Somente Para Seus Olhos" foram a base para um grande quebra - cabeça em que as peças se encaixam perfeitamente.
A interação dos personagens de contos diferentes e até uma cena retirada de um outro livro. Mas nem tudo foi um mar de rosas na produção desse filme.
A começar pela aceitação do público que estava arriscada por conta do estrondoso sucesso da continuação do filme Star Wars que estava na moda e o medo de se repetir os erros de 007 Contra o Foguete da Morte.
Roger Moore já não estava mais tão satisfeito com Bond e exigia um pagamento melhor, a morte de Bernard Lee (o M) vítima de um câncer que pegou a equipe de surpresa.
Albert Broccolli não permitiu que o "M" fosse substituído e a justificativa da ausência no roteiro foi uma viagem do chefe do MI - 6, bem como outros fatores de logística que contribuíram para desconfianças.
Uma cena curiosa, logo na sequência pré créditos é Bond visitando o túmulo de sua falecida esposa Tracy, o que atesta que livros e filmes tem uma ordem diferente. Os livros são mais interligados do que os filmes, que à exceção da Era Craig, não há sequências diretas
No fim das contas tudo acabou dando certo.
James Bond sai à caça de uma arma que é o sonho de consumo do MI - 6, chamada A.T.A.C. inventada pelos ingleses, lembrando o Lektor de Moscou Contra 007. Bond não tem a tecnologia Q a seu serviço, depende mais do improviso e da própria inteligência..
Há a volta do agente duplo que neste caso é Ari Kristatos. Ao mesmo tempo em que tramava seus planos maléficos de se apoderar do A.T.A.C. faz com que Bond acredite que ele o está ajudando enquanto planeja e ordena que seus capangas executem o atentado contra os Havelocks.
O envolvimento com Melina, primeira Bond Girl totalmente independente que não cede de imediato aos encantos de 007. Sem se esquecer do aliado Colombo que todos pensam ser o  inimigo.
A questão polêmica fica com a tensão sensual protagonizada pela jovem patinadora Bibi, interpretada pela atriz e campeã de patinação artística Llyn Holly Johnson que tinha à época 23 anos e 007, representado por Roger Moore do alto de seus 55 anos. Um tabu já naquela época. 
já a curiosidade fica por conta de Cassandra Harris, que interpreta a Condessa Lisl. Ela foi casada na vida real com Pierce Brosnan que foi o 007 entre os anos 1995-2002.
Um filme que muitos consideram a volta ao coerente e ao Bond "pé no chão".


Eu retornarei em: Chantagem Atômica  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.





sábado, 11 de agosto de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo Especial - Shaken not stirred, um brinde a um grande fã

Marcos Kontze em Londres Foto: arquivo pessoal

Hoje, dentro da minha série sobre Ian Fleming não vou falar de um livro/filme. Vou abrir espaço para prestar uma merecida homenagem a um querido amigo que entrou na minha vida através de James Bond, um personagem que ambos somos muito, muito, muito mas muito fãs mesmo. 
O engraçado é que no começo conversávamos pela internet porém não nos conhecíamos pessoalmente mas algo incomum nos aproximava tanto que parecia até que éramos bons vizinhos desde a infância.
O cinema nos encanta com coisas mágicas fora das telas. Coisas que duram uma vida mas que os filmes jamais mostrarão porque essas coisas não tem forma, nós apenas as sentimos e não raras vezes, também compartilhamos. 
A história que vem a seguir, trata - se de uma história real porém, poderia perfeitamente ser um conto de fadas com algumas substituições dos elementos que compõe esse tipo de narrativa.
Era uma vez, um menino que se chamava  Kontze... Marcos  Kontze. Ele tinha 12 anos quando conheceu um dos maiores, senão o maior personagem do cinema mundial, Bond... James Bond.
O primeiro contato foi através de um filme estrelado por Roger Moore que ele assistiu em 1996 em algum canal de TV aberta e também um jogo de vídeo game que estava sendo lançado: Goldeneye para Nitendo 64 (1997) e era uma "febre" em todo o mundo, ainda mais que o personagem havia voltado ao cinema dois anos antes com um novo filme após uma interminável ausência de seis anos. O filme era 007 Contra Goldeneye (Goldeneye 1995) com o ator irlandês Pierce Brosnan no papel principal. 
Como todos os garotos daquela idade, Marcos  também entrou na onda dos  jogos em locadoras de vídeo. Alugou o game de 007 inúmeras vezes, revezando o pagamento do aluguel com amigos para que todos pudessem jogar juntos.
Tudo que ele sabia sobre James Bond  era o jogo e o filme que assistiu na TV. Nem de longe suspeitava  que 007 era um personagem muito maior do que um cartucho de vídeo game, ou o personagem de um único filme.
Muito empolgado com a diversão que o game e este filme lhe proporcionavam, sua curiosidade despertou como a de um agente secreto atrás de um grande mistério.
Eram tempos em que na maioria das casas brasileiras, a internet era escassa ou inexistente. A maioria dos computadores equipados com internet discada estava em empresas e escolas para fins profissionais ou educativos e em poucos e privilegiados lares para todos os fins, inclusive a diversão e o comércio on line que dava seus primeiros passos.
Por conta disso, para acessar a internet, Marcos aproveitava o tempo livre após as aulas usando o computador da escola que sempre estava disponível para os alunos quando quisessem praticar o que foi ensinado nas aulas de informática..
Sempre munido de disquetes e um dicionário de inglês/ português, lá ia ele fazer suas pesquisas.
A maioria dos sites era em inglês. Com paciência e muita dedicação, traduzia as notícias, fazia pequenas anotações e salvava nos disquetes que tinham uma grande capacidade de armazenamento para a época.
Levava tudo para casa e lá analisava e estudava todo o conteúdo de fotos e textos como se fosse um dossiê "for your eyes only".
Dia após dia, Marcos vai percebendo que suas pesquisas avançavam a passos largos. Ia descobrindo também que as pessoas mais velhas com as quais tinha contato, associavam o jogo de vídeo game ao personagem dos filmes e livros e que tudo isso estava ali ao alcance das mãos.
Nascia uma inexplicável admiração por um personagem tão grandioso, atemporal, que atravessa o planeta de geração em geração como nenhum outro.
1998: A revista Caras lança uma coleção de filmes e fascículos de James Bond com 18 volumes contendo os 18 filmes lançados em VHS (fitas de vídeo cassete). Ele faz a coleção inteira. Ali estava o 007 que as pessoas tanto lhe falavam.
Era o ano de 1999 quando Marcos assiste a um filme de James Bond no cinema pela primeira vez. O filme 007 O Mundo Não é o Bastante (The Wold Is Not Enough) entrou em suas retinas, em seu coração para nunca mais sair.
Seu encantamento assemelha - se ao mesmo sentimento que teve o ator Pierce Brosnan,o James Bond daquele filme quando assistiu Goldfinger no cinema, um ano mais novo do que nosso homenageado neste post especial.
Depois dessa sessão de cinema, ele vê esse filme em mais 6 oportunidades, totalizando incríveis 007 idas ao cinema para ver um mesmo filme.
Foi também através de James Bond que Marcos descobriu sua vocação para o jornalismo, profissão de Ian Fleming, o criador de 007.
Nesta mesma época ele começa a participar de salas de bate papo e fóruns sobre 007 e compartilha notícias e ideias com fãs de todas as partes do mundo.
Realmente, para o jovem, o mundo nunca será suficiente. Fez disso um lema, uma missão.
E entre um chat e outro, conhece outros fãs brasileiros que como ele, sentem falta de conteúdo em português.
É fundada a Comunidade 007 Brasil. Um site recentemente extinto que possuía um vasto conteúdo e um fórum totalmente voltado aos fãs brasileiros.
Marcos era o "cara das notícias", tudo que ele julgava ser relevante era traduzido dos fóruns estrangeiros e repassados por ele através do fórum e do site da Comunidade. Seus primeiros passos como jornalista foram dados.
A Comunidade 007 realizava pequenos encontros em uma livraria em São Paulo e até já tinha realizado em 2004 um encontro no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos do filme 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker 1979) cuja parte das cenas foram feitas na Cidade Maravilhosa.
Assim  os fãs de São Paulo e Rio puderam se conhecer  pessoalmente e explorarem juntos esses cenários.
Com o crescimento do site brasileiro, surgiu a ideia de realizar eventos maiores.
Em 2008, com as comemorações do centenário de nascimento Ian Fleming, data perfeita para que fãs do Brasil inteiro se conhecesse, realizou - se em 31/05/2008 a 1ª Con 007 em São Paulo.
Vieram fãs do país inteiro e assim os papos virtuais ganharam rostos e vozes com os mais variados sotaques.
Muita emoção poder encontrar alguém que você nunca viu na vida e que conversa todo dia, se aproxima de você sem a menor cerimônia  te diz um oi bem de pertinho de forma tão carinhosa e natural. E claro que Marcos não poderia faltar nesse dia com sua simpatia, alegria e carinho. Foi maravilhoso. Sintonia imediata.

Marcos Kontze e eu na primeira Con 007 Foto: arquivo pessoal

Após esse primeiro grande evento, outros vieram. Lançamentos de filmes, coleções, livros e artigos relacionados à 007. E na maioria deles, a presença de Marcos Kontze era sempre constante e com isso ele também passou a ser conhecido por fóruns de fãs do mundo todo, principalmente por postar muitas notícias em primeira mão vindas de fontes confiáveis.
Na maioria das vezes passava as madrugadas no computador por causa do fuso - horário para conseguir apurar, traduzir e repassar as notícias antes dos jornais e sites mais conhecidos.
Em 2007, Marcos participa com os demais integrantes da Comunidade 007 de um projeto audacioso: o Bondcast Brasil, o primeiro e único podcast do Brasil que fala sobre James Bond.
Após algum tempo, com a Comunidade 007 caminhando para o encerramento natural de seu ciclo, Kontze lança uma espécie de "carreira solo".
No dia 28 de maio de 2011, data carregada de simbologia por se tratar da data de nascimento do criador de 007, vai ao ar o portal James Bond Brasil, trazendo em um formato muito simples o conteúdo de notícias em português e desde o início com o compromisso de levar aos fãs do personagem as notícias sempre atuais e em primeira mão, fazendo isso por idealismo e amor ao mundo de James Bond e à profissão que decidiu abraçar um dia.
Com o passar do tempo, o crescimento de acessos do portal não só por brasileiros mas também por outras pessoas no mundo foi acontecendo.
No mesmo ano, dia 12 de Dezembro, Marcos ganha, através de sua namorada que estava em Londres um presente inesquecível. Os cumprimentos de ninguém menos que Craig...Daniel Craig que estreava o filme Milenium, o Homem Que Não Amava As Mulheres. Momento registrado no vídeo abaixo.




Como eu já havia dito, para Marcos Kontze, O Mundo Não é o Bastante. Ainda mais quando isso se trata de seus sonhos de fã.
E como se não fosse coisa pouca receber o carinho do personagem que mais ama no dia do aniversário, ainda acontece um encontro que com certeza ele esperou desde sempre.
Por mero acaso, durante um passeio à noite com a namorada por terras britânicas, percebe que estava em frente a um dos locais de filmagem e observa o movimento.
De repente, avista Barbara Broccolli e Michael G. Wilson, produtores da franquia James Bond. A emoção de ver diante dos próprios olhos pessoas que acompanhou à distância por uma vida inteira não consegue ser explicada mas é sentida intensamente. Momento para ser guardado por toda vida e ser mostrado para futuras gerações servindo de inspiração para quem sonha grande.

Da esq para a dir: Michael G. Wilson, Marcos Kontze e Barbara Broccolli em Londres foto: Julia Cipolatto 
Marcos é daquele tipo de pessoa: o homem certo no lugar certo. Parece que tem faro para grandes acontecimentos.
E esse acaso de Londres com certeza foi preparado sob medida, assim como um terno Tom Ford, por uma Força Superior para ser o "empurrãozinho" que faltava para o início da carreira internacional do James Bond Brasil e de seu criador.
Era o ano de 2014 quando surgiu o convite de Andres Frejdh do fã clube From Sweeden With Love que na ocasião comemorava seus 10 anos de existência. Além de fãs vindos de diversos países, incluindo nosso homeageado que representou o Brasil, o evento também contou com 13 pessoas entre atores, atrizes e diretores dos filmes de James Bond.
Foram 3 dias intensos e emocionantes de exibição de filmes, bate papo e jantares regados do luxo peculiar ao estilo Bond de ser.
Mulheres com lindos vestidos longos e homens com o tradicional smoking. Muita elegância e beleza.
Entre os presentes famosos destaque para a Bond girl Carole Ashby dos filmes 007 Contra Octopussy (Octopussy 1983) e 007 Na Mira dos Assassinos (A View  To a Kill 1985) e de John Glen que dirigiu 5 filmes de James Bond e foi também editor e diretor de segunda unidade em mais 3 filmes
O ano seguinte foi o ápice na vida do fã.
Novamente um inesperado convite leva Marcos para a Cidade do México para um evento muito exclusivo. Acompanhar as filmagens da sequência inicial de 007 Contra SPECTRE (SPECTRE 2015) que retrata a celebração do Dia de Los Muertos (Dia dos Mortos), muito popular no México.
O James Bond Brasil era o único veículo de comunicação que representava exclusivamente os fãs entre tantos jornalistas profissionais.
Fazia parte da programação deste evento uma entrevista com os produtores, diretores e atores principais e também acompanhar o teaser trailer oficial apresentado pelo diretor do filme, Sam Mendes. Celulares e câmeras foram proibidos para não vazarem as imagens antes da hora. Nosso homenageado conseguiu até fazer uma pergunta para Daniel Craig.
No intervalo das filmagens, Marcos viveu, de novo emoções intensas de fã. Tirou fotos com Sam Mendes e algumas pessoas da equipe técnica e figurantes. Sem contar a cena inusitada de ser reconhecido pela atriz Carole Ashby que estava no evento como convidada da EON. A atriz o reconheceu do evento na Suécia em 2014.
"Essas coisas só acontecem com esse cara", adaptando uma frase dita por George Lazenby em seu filme como Bond de 1969. E claro que ele encontrou George Lazenby também. O ator esteve no evento da Suécia.
Marcos Kontze e figurantes vestidas como Catrinas no México Foto: James Bond Brasil
Em dezembro do mesmo ano, acontece a revelação do título do novo filme de 007, até então chamado de "Bond 24". A revelação do título acontece num grande evento transmitido ao vivo pelo Youtube e contou com as presenças de Sam Mendes, Daniel Craig, Mônica Belucci, Lea Sedoux, Crhistopher Waltz, Ralf Fiennes, Dave Bautista, Naomi Harris e Andrew Scott.
Ao som de Nobody Does It Better, é revelado o título de Bond 24 pontualmente às 9:00 h da manhã horário de Brasília.
007 Contra SPECTRE (SPECTRE 2015) é o título escolhido e veio carregado de muito saudosismo e simbologia bondiana.
Para variar, Marcos transmite em primeira mão o evento pelo canal do James Bond Brasil. Foi um espetáculo como tudo que envolve 007.
Em 23/10/2015, Marcos está novamente em Londres. Desta vez acompanhado por um amigo de longa data também fã de 007 para prestigiarem a estreia de SPECTRE e aproveitarem para passear pela terra da Rainha e de James Bond.
Assistem  uma palestra em Blackpool: "Uma Noite Com Sir Roger Moore" onde o ator falava de sua carreira e suas ações voluntárias na UNICEF (como embaixador) e na ONU.
Nos 4 dias seguintes aproveitam para conhecer alguns pontos turísticos e, claro que entre os lugares visitados, não poderia faltar a sede do MI - 6 onde James Bond "trabalha".

Marcos  Kontze ao lado de um dos cartazes que anunciavam a palestra de Roger Moore foto: James Bond Brasil/arquivo pessoal

Na noite de 27 de outubro, as emoções estavam reservadas para o Royal Albert Hall, famoso teatro londrino que serviu para abrigar a estreia com direito a tapete vermelho do filme SPECTRE.
Uma estreia luxuosa que além de artistas, elenco e equipe técnica, também contou com a presença do fã clube do Reino Unido, do nosso homenageado e seu amigo e até de representantes da Realeza: os Duques de Cambridge William e Catherine (Kate) Middleton.
Após a exibição do filme, um elegante cocktail foi servido aos presentes.
Em 4 de novembro, foi a vez da cidade de São Paulo receber a pré estreia de SPECTRE realizada com patrocínio da cerveja Heineken que é parceira de James Bond já há algum tempo.
O local escolhido ficava na região do Jardins (Zona Sul de São Paulo), o Cinépolis do Shoping  JK Iguatemi.
Marcos participou a convite da Sony do Brasil junto com os amigos do Bondcast Brasil e do Universo Bond. Este evento também estava recheado de celebridades, só que nacionais.
Esta cena se repetiu mais uma vez quando a cidade de Santa Maria - RS fez seu próprio evento. E lá estava. no cine Arcoplex o fã brasileiro de 007, o mais ilustre morador da cidade  para prestigiar mais uma vez a estreia do filme.
Recebido e tratado com ares de astro de cinema, bastante requisitado para fotos e entrevistas ele atende a todos com seu habitual carisma.
Naquela noite, foi a celebridade, dando - se ao luxo até mesmo a conceder uma breve entrevista a um colunista local com o curioso nome de Azar, talvez para dar o toque de humor típico dos filmes de Roger Moore era o que faltava para finalizar esta etapa vitoriosa de uma linda história de vida.
Esta é uma homenagem, um pouco longa é verdade, ao meu amigo Marketto que hoje se torna um jornalista realizando mais um sonho e o começo de novas conquistas ainda maiores.
E também uma história de superação para todos que sonham com algo possam se inspirar, seja um pequeno ou um grande sonho.
Guri, este é meu presente. Não poderei estar com você aí mas neste dia meus melhores e mais carinhosos pensamentos e minhas preces estão com você. Corações conectados. Bond forever. Beijos.

Eu retornarei

PS: Este post especial é dedicado ao meu amigo Marcos Kontze (Marketto), aos seus pais, Sr. Sergio Kontze (IM) e Srª Jussara Kontze, aos irmãos e sobrinhos, à namorada Júlia Cipolatto (que colaborou com esta homenagem liberando gentilmente o arquivo pessoal de fotos e vídeos do homenageado) e às memórias de Ian Fleming e Roger Moore.

Marcos Kontze e eu na 7ª CON 007 em São Paulo - SP foto: Meu arquivo pessoal 


terça-feira, 3 de julho de 2018

Amor Proibido: Um "amor" impossível de esquecer

Logo original da novela Amor Proibido Arte: Kanal D Turquia
Esta não é a minha primeira experiência assistindo novelas estrangeiras e também não é a primeira vez que assisto uma novela de um país totalmente diferente dos que estou acostumada, seja ele o Brasil ou mesmo qualquer outro que fale inglês ou espanhol. Eu nunca tive esse negócio de "novela boa é só na Globo ou só tem na Globo".
Das novelas nacionais que já acompanhei, vi algumas em outras emissoras como Record TV e SBT. Algumas vezes me arrependi, outras vezes não. 
Já me arrependi até mesmo em acompanhar novelas da própria Globo, cujas propagandas prometiam uma grande estória que, por vezes, esta "grandeza" era construída apenas na propaganda para atrair a audiência. Nem sempre isso funcionou comigo. 
E às vezes, uma novela que não era tão comentada espontaneamente e seus personagens não eram tão populares, reservavam surpresas inacreditáveis, seja pela estória, personagens ou locações de filmagem.
Eu sempre gostei de sair do óbvio quando o assunto é programa de TV em geral, sem medo de quebrar a cara. 
E foi isso que me fez assistir na Band duas novelas turcas: a primeira, uma adaptação moderna da conhecida estória de Sherazade e as 1001 noites em que ela tentava amolecer o coração de Onur contando - lhe uma estória por noite. Assisti toda, foi boa, assisti novamente numa reprise compacto ano passado mas ela não se compara a Amor Proibido, segunda novela turca que acabei de assistir ontem. 
Era só aparecer a maçãzinha na tela e começar a música de abertura, suave e q crescia aos poucos que eu parava tudo para acompanhar a saga de Bihter e Adnan, Nihlay e Behlül com sua complicada trama amorosa assim como é complicado escrever esses nomes no post. 
Apesar da Band passar de segunda a sábado, acompanhei tudo na internet pois estava vendo outra novela, brasileira, de mesmo horário na Record TV. Optei por ver os 167 capítulos (formato no Brasil) pelo site da Band que disponibiliza todo seu conteúdo de novelas na íntegra gratuitamente. Eu sempre via o capítulo do dia anterior no horário que desse e aos sábados via pela TV pois a Record não exibia sua novela aos sábados. E isso se seguiu pelos 7 meses todos os dias até o último capítulo. 

Logo versão brasileira da novela Amor Proibido Arte: TV Band
O que me atraiu nesta novela além da sua trama foi também um pouco da cultura turca. Costumes e pensamentos diferentes que a todo tempo são demonstradas na novela, de forma que todo mundo possa notar facilmente. Por exemplo: A suntuosa mansão Ziyagil onde moram Adnan, o rico empresário, seus dois filhos Nihlay e Bullent (pronuncia - se Bulan), o sobrinho Behlül., a  esposa Bihter e a sogra Firdevs e também os empregados Senhor Sülleyman, Besir, Saieste, Nesrin, Cemile, Katya e Senhorita Deniz (Mademoiselle).
Nesta mansão fica muito clara a divisão de classes: enquanto os membros da família Ziyagil ficam na parte de cima da mansão em um espaço luxuoso e cada um tem sua própria suíte, os empregados circulam apenas pela cozinha e o andar debaixo da casa, onde também estão seus aposentos mais simples, sem suíte, pequenos mas que lhes permite o mínimo de conforto. Isso dá ao público a real noção visual de quem manda e quem obedece.
Outra coisa é mais polêmica: a questão do aborto que no Brasil não é permitido mas na Turquia é dentro da lei.
Por duas vezes durante a novela, a personagem Bihter engravidou e praticou aborto. Em uma das vezes, chegamos a vê - la no médico deitada, vestindo uma roupa de hospital, enfraquecida e zonza.
Agora curiosidades leves: as receitas de chá super quentes, a simpatia da fogueira no Dia de São Jorge quando os turcos deixam suas casas e na rua acendem grandes fogueiras para nelas colocar seus pedidos escritos em papéis que antes estavam amarrados em uma espécie de "árvore dos desejos" preparada no dia anterior. E também os ritos de casamento e de funeral muito diferentes do que estamos acostumados.
Outro fato curioso é que nessas novelas poucas vezes vemos um simples "selinho" trocado por um casal e nem cenas que sugerem intimidade ou demonstração de afeto, embora nesta novela há poucas cenas deste tipo e por conta disso, foi censurada em alguns países de cultura muçulmana mais conservadora. Nada que tire o brilho de um trabalho impecável.
Essa novela é, sem dúvida uma das melhores que assisti na vida. Deixou em mim uma linda marca no coração, apesar de um final trágico, fora do convencional mas que faz sentido. Tudo levou a isso. Já estou com saudade, muita saudade.

PS: Dedicado com carinho ao elenco e equipe técnica da novela, e às emissoras  Kanal D e Band. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

O Código Dan Brown


Dia 22 deste mês, o escritor Dan Brown completou mais um ano de vida
Nunca é tarde para prestar uma homenagem para uma pessoa cuja imaginação nos leva a lugares exóticos e por meio de símbolos e códigos, nos instiga a pensar e decifrar seus mistérios.
Ao invés de uma biografia, irei contar como conheci os livros de Dan Brown.
Era o ano de 2004 quando terminava mais uma aula de natação. Meu professor à época e eu éramos muito amigos (somos até hoje) e gostávamos muito de conversar durante os minutos finais das aulas para relaxar. Numa dessas conversas, ele me disse que fazia tempo que tinha notado que eu sempre levava  um livro para passar o tempo enquanto esperava meu horário de aula.
Ele então fez uma pergunta que provocou uma reação em cadeia em mim:
- Você já leu O Código da Vinci?
- Ainda não -  Respondi.
Imediatamente ele começou a falar de um tal simbologista chamado Robert Langdon. E que este personagem no livro investigava os mistérios ocultos por trás das obras do famoso pintor Leonardo Da Vinci e de como esses mistérios seriam a chave para um assassinato fictício ocorrido no Museu do Louvre e também uma conspiração de uma sociedade secreta que existia desde os tempos que Jesus Cristo passou pela Terra.
Eu já tinha ouvido falar nesse livro, estava na moda mas eu não tinha condições de comprar. Era caro. Passei a monitorar constantemente o preço pela internet e em livrarias físicas também.
Só o comprei em 2007 quando tive acesso a um catálogo que tinha o livro bem mais barato.  Imediatamente comecei a ler, tendo como referência apenas a recomendação do meu professor.
Normalmente é difícil alguém recomendar um livro sem conhecer o tipo que gosto. E aos 10 anos eu já havia tido uma decepção muito grande com um livro que uma pessoa conhecida recomendou com tanto entusiasmo mas que só me deu desânimo e quase me tirou o gosto pela leitura.
E, embora tivesse sido instruída por minha mãe para dizer que o livro era bom e agradar quem me emprestou, eu disse a verdade na cara com todas as letras.
Terminei o tal livro por terminar e me alegrei quando  devolvi para a dona.
Três anos depois, veio a recompensa: Uma prima de segundo grau, 1 ano mais nova do que eu, me recomendou o melhor livro já escrito por mãos humanas, superado apenas pela Bíblia Sagrada.
Li inteiro, não largava. Me emocionei, chorei, ri. E quando devolvi para minha prima foi o pior momento.
Eu não queria devolver.
Ainda reli outras duas vezes pegando da biblioteca. E cada devolução era dolorida. Depois de muitos anos, finalmente comprei o meu. E já reli mais três vezes só que agora o livro é só meu. Não o devolverei para ninguém nunca mais.
Voltemos ao livro de Dan Brown e às conversas com meu professor.
Contei à ele que estava começando a ler O Código Da Vinci e que estava gostando muito mesmo e que ainda estava no começo.
- Leia todo, depois conversamos - disse ele.
De tempos em tempos nossas conversas foram em torno de O Código Da Vinci até que terminei a leitura e dividi o entusiasmo  agradecendo a indicação.



Costumo dizer que meu  professor "criou um monstro" porque depois disso, comprei um a um todos os livros de Dan Brown, à exceção por enquanto, da versão para crianças e adolescentes do Código Da Vinci.
Li cada palavra que o autor escreveu. Me apaixonei por Robert Langdon e seu universo cheio de símbolos. E, embora o Código fosse o primeiro livro que de Dan Brown que li e também o que me fez ser fã dele, meu preferido é Fortaleza Digital.
Dan Brown hoje em dia faz parte dos meus ídolos literários e também de momentos agradáveis incluindo lembranças preciosas da minha vida. Sentimentos tão especiais, gravados no coração como cada um dos símbolos estudados por Robert Langdon.
Feliz Aniversário Dam Brown. Sucesso e muitos anos de vida. Espero um dia conhecê - lo pessoalmente. Beijos.

PS: Dedicado ao autor Dan Brown e ao meu eterno professor e querido amigo Rafael Neves Albino com a gratidão por me "apresentar" este grande escritor e sua obra.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Meu nome é Bond... James Bond - Capítulo 7 - Goldfinger (1959)


Voltamos com nossa série especial sobre os livros de Ian Fleming e filmes de James Bond. Estamos na metade do caminho para desvendar esse maravilhoso mundo da espionagem nos livros e nas telas do cinema. 
Este sétimo capítulo nos reserva o livro que fez de 007 um verdadeiro ícone da cultura britânica e da cultura pop mundial, fazendo do personagem um verdadeiro fenômeno, vendendo livros como água no deserto e lotando cinemas em todas as sessões além de ditar moda com artigos diversos que levavam a marca 007. Todos queriam "ser Bond". 
Nesta estória, Bond inicialmente está numa missão no México, combatendo o tráfico de drogas. Enquanto saboreia seu uísque duplo, está conversando com Junius Du Pont. Ele diz a Bond que perdeu US$ 25.000,00 num jogo de canastra para o joalheiro internacional com o sugestivo nome de Auric Goldfinger.
A canastra é o hobby favorito de Goldfinger. Apesar de muito rico, o vilão gosta de tirar dinheiro de outros jogadores claro, com uma pequena trapaça. Enquanto Goldfinger está jogando, ele usa um ponto eletrônico para ouvir sua bela secretária Jill Masterton que observa da janela da suíte as jogadas do adversário do patrão com um binóculo e canta uma a uma para ele até que o outro jogador seja "derrotado".
Ian Fleming sempre gostou desse tipo de vilão: rico, megalomaníaco, frio e muito cruel, com características físicas bastante marcantes beirando o aspecto bizarro. Goldfinger era bem isso.
Isto posto, vamos voltar à missão de 007 nesta aventura.
Na missão principal Bond deve impedir Goldfinger de invadir a reserva nacional de ouro dos EUA, Fort Knox.
Para escrever esse livro, Fleming pesquisou cada detalhe que foi possível do funcionamento do Fort Knox.
O escritor é mundialmente conhecido pela riqueza de detalhes que usa para descrever ambientes, cenários, personagens e algumas ações, até pela sua vivência durante a guerra servindo a Marinha Britânica. Sua imaginação privilegiada é um trunfo para fazer o leitor viajar em suas palavras sem sair do lugar.
Entre um detalhe e outro, Fleming descobre através de jornais na época que um homem (possivelmente um Goldfinger da vida real) tem verdadeira obsessão em fazer sexo com mulheres pintadas com tinta dourada como as antigas bailarinnas de cabarés europeus que se sujeitavam à esta prática estranha para agradar clientes, sendo que uma delas faleceu exatamente como a personagem de Ian Fleming.
Lendo essa notícia ele teve uma ideia ousada e genial.
Este fato não foi o primeiro fato real que Ian Fleming misturou à suas estórias. O famoso jogo de baccará relatado em Cassino Royale por exemplo, era uma das inúmeras coisas que ele conhecia fora da Europa, além de alguns dos mais complexos truques de super contrabandistas como alguns que ele relatou em seu livro Contrabandistas de Diamantes, um livro - reportagem em que o autor era também o personagem principal, um livro não ficção. Tudo ali aconteceu com ele, de verdade.
As investigações de 007 avançam e recaem num plano maluco de Goldfinger para contrabandear ouro. Ele faz falsas blindagens em carros Rolls Royce com o ouro derretido  e transformado em bancos de avião para depois serem facilmente transportados para a Índia, onde o valor da onça (peso do ouro) é maior. Todo o outo era levado através da companhia Meca, também administrada pelo vilão.
E a imaginação de Fleming voa tão alto que os auxiliares de Goldfinger envolvidos na Operação Grand Slan (ou Grande Golpe)  são criados com o mesmo exagero.
Já falando sobre o filme, muitas das cenas saíram do livro, inclusive o capanga e braço direito Odjobb (Faz Tudo no livro) que tem como arma um chapéu coco que ele joga para que a lâmina corte os pescoços das vítimas e a a piloto Pussy Galore que comanda um grupo de aviadoras acrobatas e pilota o avião particular do vilão.
E uma das cenas mais impressionantes foi justamente a da morte de Jill Masterton, com a tinta dourada pelo corpo nu. Na verdade a atriz Sheena Eaton usava um biquini cor da pele para simular a nudez mas, mesmo assim,  a cena impressionou muito e até mesmo mudou a vida de gente que foi ao cinema apenas assistir um filme.
Trata - se do ator Pierce Brosnan que na época chegava da Irlanda, sua terra natal com apenas 11 anos acompanhado pela mãe e o padrasto. Quando o jovem Pierce viu aquela mulher dourada morta e nua em cima da cama, se impressionou tanto que disse à mãe que queria ser ator e um dia fazer uma cena como aquela no cinema.
Outra cena que impressiona muito para a época é aquela em que Connery está amarrado de braços e pernas abertas e um laser dourado vai cortando o ferro até quase chegar em suas partes íntimas para derretê - las como gelo  na famosa cena que termina com o diálogo: "Você espera que eu fale?/ "Não Senhor Bond, espero que morra" depois de 007 descobrir toda a trama da Operação Grand Slan
São técnicas de efeitos inovadoras que serviram para vários filmes dali em diante. Se Moscou Contra 007 fez o mundo descobrir a Bond mania, Goldfinger fez com que isso tomasse proporções astronômicas por todo o planeta. Bond consolidou uma "fórmula própria" para seus filmes:

1- Sequência pré créditos
2-Abertura com silhuetas femininas dançando ao som de cantores da moda
3-Missão passada por M, seu chefe
4-Encontro entre Bond e o vilão
5-Envolvimento com mulheres de caráter duvidoso
6-Envolvimento com mulheres confiáveis
7-Vilão ordena que seu capanga se livre de Bond
8-Bond invade esconderijo do vilão
9-007 corre contra o tempo para escapar de uma situação perigosa
10-Confronto entre James Bond e o vilão
11-James Bond e a mulher confiável terminam juntos em cenas de insinuação sexual após ele cumprir a missão com êxito
Esta combinação passou a ser também muito seguida por outros filmes de outros personagens do gênero, tornando - se um padrão.
Uma última curiosidade é que Ian Fleming não conseguiu ver o personagem que criou fazendo tanto sucesso, sendo o que é hoje.
Goldfinger estreiou no cinema dia 17 de Setembro de 1964, 37 dias após o falecimento de Ian Fleming. O autor se foi deixando uma legião de leitores pelo mundo e um personagem que se tornou um legado grandioso.

Eu retornarei em: 007 Para Você Somente  

PS:Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.





domingo, 15 de abril de 2018

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 6 - 007 Contra o Satânico Dr. No (1958)

Hoje recomeçamos nossa trajetória analisando na ordem os livros de Ian Fleming e suas adaptações para o cinema com um título especial: 007 Contra o Satânico Dr. No.
Apesar de ser o sexto livro, foi através deste  título que James Bond ficou conhecido nas telas do cinema. 
No livro vemos uma estória um pouco fora dos padrões literários usados na espionagem tradicional abordada por Ian Fleming.
Ele quis entrar num mundo um pouco menos espionagem clássica e mais ficção policial .
Nesta aventura, James Bond viaja à Jamaica e lá, com a ajuda do velho amigo Quarell (uma mistura de cicerone com espião) vai à procura de um"vilão invisível".
Dr. No é apresentado à todos apenas no capítulo 14.
Essa técnica inovadora do autor é um dos atrativos do livro, talvez o maior deles. Imprime a atmosfera de enfrentar o desconhecido. Fleming quer  atrair o leitor, fazê - lo ser um "segundo Quarell" auxiliando 007 em sua missão e pensando em como resolver o caso, dando - lhe elementos para raciocinar como um detetive.
A partir daí descobrimos q Dr. No é um terrorista profissional. O objetivo dele é sabotar foguetes disparados do Oriente em troca de dinheiro. E para isso, ele interfere nas rotas de mísseis teleguiados dos Estados Unidos. Vale ainda lembrar que Dr. No é aliado russo e que na década de 1950 a corrida espacial para ver quem seria o primeiro a conquistar o espaço estava a todo vapor.
Autor visionário como era, Ian Fleming não poderia deixar isso fora de seus livros que já eram bem populares.
Como adiantei no começo desse post, o público do cinema conheceu a imagem de James Bond através de Dr. No.
Com a devida popularização dos livros de Ian Fleming provocada pela entrevista de John Kennedy, presidente dos EUA , em que ele colocou em sua lista de livros de cabeceira um dos livros do autor britânico, o produtor de cinema canadense Harry Saltzman procurou os representantes de Ian Fleming afim de comprar os direitos autorais dos livros e adaptá - los para o cinema.
Assim como Fleming, Saltzman foi visionário pois a indústria cinematográfica começava a mostrar interesse pelo personagem dos livros ainda mais que o presidente que ditava moda em tudo o que fazia tinha gostado do que leu a ponto de fazer uma recomendação numa revista de sucesso.
Só tinha um porém: Ian Fleming escrevia um conteúdo carregado de erotismo e sensualidade para a época. Isso poderia causar o sucesso absoluto ou ser censurado por "puritanos" que implicassem com isso em nome de "proteger jovens do pecado".
E quem pensa que a ousadia parou por aí, está redondamente enganado. Saltzman queria mais...
Após adquirir os direitos da obra literária de Ian Fleming, exceto Cassino Royale que já tinha sido utilizado para filmagens de um especial de TV produzido pela CBS dos EUA, ele  precisava associar - se a algum produtor de cinema tão ousado quanto ele.
O nome desse cara era Broccolli... Albert Broccolli, um americano ex caminhoneiro que batalhou muito e conseguiu entrar no cinema fazendo sucesso rapidamente ao lado de Irving Allen fundando a Warrick e Films. Após sua saída, juntou - se à Saltzman na criação da maior parceria do cinema mundial. Nascia a EON Productions e com ela, nascia para o cinema Bond... James Bond.
Vale destacar dessa época pequenas curiosidades:
1) Após muitos testes com atores renomados, o ator escolhido para dar vida à 007 na verdade era um homem simples, de modos rudes, um leiteiro escocês que ficou em segundo lugar (injustamente na minha opinião) num concurso de beleza mas que começava a trilhar nessa época seus caminhos cinematográficos com produções de pequena expressão e um filme produzido pela Disney pouco conhecido onde aparece cantando com um pequeno destaque. Sua escolha é atribuída também à Danna Broccolli, esposa de Albert Broccolli, que se encantou com a beleza de Sean Connery, sua postura e sua bela voz ao assistir ao filme Double O´Dee no cinema, comentando depois com o marido as qualidades do jovem ator.
2) A atriz Ursula Andress, atriz nascida na Suíça, a exemplo de Connery, escolhida por sua beleza e jovialidade, tinha uma dificuldade com seu forte sotaque suíço e a solução foi chamar uma atriz para dublá - la. A atriz era Monica Van de Zil. Isso não tirou o brilho de Ursula e era muito comum nesses casos naquela época.
3) Todas as atrizes foram dubladas porém as dubladoras não foram creditadas. Exceção feita à Louis Maxwell a Miss Moneypenny (fonte: Site James Bond Brasil www.jamesbondbrasil.com)
4) Ian Fleming visitou pessoalmente o set de filmagem. Neste dia conversou longamente com Connery e Ursula Andress além de Albert Broccolli.
Ele, que descrevia de forma ousada porém poética a beleza feminina, impressionou - se com a beleza viva de Ursula e, dizem, até gaguejou um pouco ao falar com ela porém tratando - a com extrema delicadeza e respeito já que o marido dela estava presente no set. E ainda teria testemunhado em vida uma cena de sua série literária ser filmada.
5) a cena em que Sean Connery diz a famosa frase "My name is Bond...James Bond foi filmada em 27 de fevereiro de 1962. (fonte: Wikpedia)
No filme, Bond tem a missão de descobrir quem assassinou Strangways e se esse assassinato tem a ver com as interferências nos lançamentos de foguetes dos EUA em Crab Key. A primeira descoberta no entanto, acontece por acaso quando Bond e Quarell, num barco improvisado, descobrem através de um contador Geiger que a terra onde estão é altamente contaminada com radioatividade.
Nesse interin, além de Quarell, ele tem o auxílio de Felix Leiter, um agente da CIA, o serviço de espionagem americana. Num primeiro momento, há um estranhamento de Leiter para com Bond por não saber de que lado ele estava. Mas isso é substituído rapidamente por uma parceria que se torna fundamental para o sucesso da missão.
Bond sofre um atentado pelo Professor Dent que se utiliza de uma tarântula para envenená - lo durante à noite enquanto dorme. No livro de Ian Fleming, o inseto utlizado foi uma lacraia venenosa.
Bond decide então ir a Crab Key, esconderijo de Dr. No mas Quarell se recusa por causa da lenda de um "dragão" que guarda a ilha. Convencido a ajudar Bond, Quarell foi com ele.
Instantes depois, a cena mais icônica e impactante do cinema. Ursula Andress aparece com duas conchas na mão, saindo do mar, de biquini marfim e com um facão no coldre cantando Under the Mango Tree. Essa cena causou alvoroço, olhares perplexos, comentário e até hoje é referência pelo pioneirismo. No livro, a Bond girl está nua como a famosa figura da Vênus de Botticelli conforme descreveu Ian Fleming e a música era um calipso quieixoso jamaicano, "Marion", que fora liberado da censura alfandegária para fazer sucesso fora do país de origem. (curiodidade de bastidores: quando eu relia o livro para preparar esse post, num dos dias, li ao som das trilhas de 007 e, na passagem dessa cena, meu celular tocou aleatoriamente Under The Mangoo Tree, um momento marcante e confuso). O biquini deve ter sido uma adequação para que as famílias pudessem curtir o filme juntas sem se chocar.
Sobre o vilão Dr No, no cinema ele é um vilão fleminguiano típico, megalomaníaco, esconderijo exótico e um objeto usado em tom de ironia: um quadro do Duque de Wellighton (réplica) roubado dois anos antes da estreia do filme e que jamais foi encontrado de verdade. A ironia é que este quadro "aparece" em Crab Key. Bond não acredita no que vê e fica confuso.
Quem gosta de cinema para se divertir ou trabalha com cinema sabe que 007 Contra o Satânico Dr. No é um filme que fez história e é referência até hoje para filmes do gênero.

Eu retornarei em: 007 Contra Goldfinger

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.








terça-feira, 21 de novembro de 2017

Vem ver o sol brilhar em cada amanhecer, vem ver Hebe o Musical




Não estou conseguindo (mas juro que estou tentando) encontrar palavras para descrever o que considero o indescritível. 
Fazem dois dias já que fui ao teatro assistir Hebe, o Musical. Uma linda homenagem à eterna rainha da TV brasileira com tudo que ela mais amava: música e uma boa história pra contar, tão interessante quanto uma entrevista como as que Hebe comandou ao longo de sua carreira em seu famoso sofá.
Sou fã da Hebe desde 1986, quando ela estreou seu programa no SBT, casa em que ela trabalhou por longos 24 anos. Os mais bem sucedidos anos de sua carreira.
Acompanhei desde então seu programa. O estilo cheio de brilho, alegria de viver e glamour coroado por joias dignas de enfeitar e embelezar qualquer rainha, misturado a um engajamento incomum para para a mulher de sua época. Uma grande dama à frente de seu próprio tempo. Mulher que me inspira sobretudo pelo estilo e inteligência que nos convida a refletir sobre os assuntos mais variados.
Confesso, eu quis à minha maneira, de acordo com meu estilo de vida, "ser uma Hebe Camargo".
Sem perceber, uso muito o termo "gracinha", em conversas corriqueiras com familiares e amigos. Comprei revistas dela, um CD e uma réplica de anel. Gosto de usar anéis, correntinhas e brincos e me sinto muito elegante com um vestido de festa, com uma roupa mais fina. Sem falsa modéstia. Gosto de me arrumar para ir casamentos e poder  exercitar esse lado glamouroso.
Quem me ensinou a sentar no sofá com classe e elegância também foi Hebe Camargo.
E, falando nisso, já sentei no famoso sofá da Hebe numa exposição interativa do SBT em 2011. Parte de um sonho realizado.


Fiquei muito triste quando Hebe faleceu. Chorei demais. Não só por ser fã dela mas também por ter perdido minha mãe pela mesma doença que levou a querida Hebe, pouco mais de um ano de diferença entre elas e por isso, não pude realizar o sonho de conhecer e abraçar Hebe, mesmo tendo por três vezes a chance desse encontro. A primeira numa livraria no Morumbi em que ela estava lançando um livro. Muito longe de minha casa e muito ruim e tarde para voltar de ônibus. A segunda na cidade de Taubaté onde Hebe iria receber uma homenagem junto com outros artistas e fãs de Mazzaropi (fui homenageada também) mas ela não pode comparecer e a terceira foi uma caravana para assistir ao programa dela ao vivo na Rede TV mas não deu certo. Deus não quis. Não discuto o que Deus decide.
Passaram - se os anos. E quando soube que saiu esse lindo musical sobre a vida de Hebe baseado no livro de Artur Xexéu (que ainda terei o prazer de ler). Soube pelo Instagram de um amigo que trabalha na editora da biografia da Hebe (Hebe que aliás significa deusa da juventude. Está explicado o porque de tanto humor e jovialidade mesmo já carregando o peso de muitos anos).
Quis por tudo ir ao musical, ver, ouvir, sentir cada emoção. Valeu a pena cada segundo. Pedi para minha tia me levar.



Que coisa linda. Logo de cara uma abertura que não via há cinco longos anos. A mesma abertura do programa do SBT e a atriz Débora Reis esplendorosa com sua interpretação perfeita. Parecia a verdadeira Hebe descida do céu para reverenciar e ser reverenciada por seu público.
Algo inexplicável. Chorei muito!
Truques de luzes e maquiagem fizeram o público ver tudo em preto e branco na primeira parte em que Carol Costa interpretou com muita graça e poesia a juventude e o começo da carreira de cantora em Taubaté. Não dá pra descrever.
As cores só chegavam devagar à medida em que a trajetória avançava para os dias atuais, da TV technicolor (colorida). E depois as cores foram ganhando o brilho que tanto encantavam a apresentadora.
O espetáculo, brilhantemente dirigido por Miguel Falabella , passou por todas as fases da vida e da carreira de Hebe mostrando os momentos mais marcantes e comentados, comprovando que ela era realmente uma mulher moderna à frente do seu tempo mas que jamais perdeu a classe e a elegância.
E o momento mais triste e delicado, o da morte de Hebe.
Foi de um cuidado, uma leveza mas que sim, causava o impacto da perda. E o final ficou por conta do público, aplausos não só para elenco e equipe da peça mas, para ela, a grande homenageada. Aplausos que rompiam o teto do teatro de tão ensurdecedores para chegar ao céu com todo amor. Vem ver, vale a pena. É encantador, lindo de se ver, uma gracinha.
"Vem ver o sol brilhar
Em cada amanhecer
E o luar sorrir, vem ver
A vida passar
Por você" (trecho da abertura de Hebe o Musical)
Para quem quiser assistir também, segue o serviço com os horários:

Hebe o Musical 

Teatro Procópio Ferreira

De: 12/10/2017 a 17/12/201717/12/2017
Ingresso:  R$50,00 a R$190,00
Classificação: 12 anos
Horários: Quinta e Sextas: às 21:00h, Sábado: 17:00h e 21:00h
Domingo: as 18:00h
Vendas: https://www.ingressorapido.com.br
ou na bilheteria do teatro

sábado, 21 de outubro de 2017

Meu nome é Bond...James Bond - Capítulo 5 - Moscou Contra 007 (1957)

    


Depois de um breve intervalo, retornamos com nossa série sobre os livros de Ian Fleming e os filmes inspirados neles. 
Para começarmos a conversa, o livro Moscou contra 007 é recheado da tradicional espionagem da Guerra Fria que vigorou desde o término da Segunda Guerra Mundial em 1945 até a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991. 
Este período é uma grande fonte de inspiração para autores de livros que criam em cima desse universo a espionagem mais clássica, mais autêntica e mais romantizada porém, sem boa parte dos "delírios tecnológicos" utilizados no cinema. 
Uma fonte inesgotável, ainda mais para Ian Fleming, um jornalista e herói de guerra que buscou realizar - se através de sua famosa criação, o agente secreto do MI-6 James Bond, personagem dotado de tudo aquilo que Fleming almejava ser. 
O livro traz um ritmo bem gostoso de ler, é envolvente. Aguça o desejo de saber o que nos espera na próxima linha, no próximo parágrafo e no próximo capítulo. 
Ian Fleming começa a esboçar os primeiros traços do personagem que conhecemos no cinema, trazendo a espionagem clássica presente até os dias de hoje no imaginário popular, dando asas à sua imaginação fértil e nos convidando a viver em seu mundo
Bond é levado para uma "armadilha de amor" cuja bela isca é a agente da SPECTRE (não confundir com o filme de 2015 com Daniel Craig como James Bond) Tatiana Romanova - vulgo Tânia treinada pela inescrupulosa Rosa Klebb para arrancar informações altamente confidenciais e ser submissa não só aos seus superiores russos como também à Bond quando necessário para obter uma decodificadora lektor.
Diferentemente de outras bond girls literárias como por exemplo, Tiffany Case de Os Diamantes São Eternos, não vemos 007 empenhado em conquistar o amor de sua parceira, apenas divertindo - se num jogo de sedução deliciosamente perigoso. Romanova representa para ele um risco muito grande. Quando está com ela, ele é tão vulnerável quanto um ser inocente qualquer. Ele flerta com o perigo e gosta disso. 
A atmosfera é tão mágica que todo o romantismo da espionagem clássica fica evidente com alguns elementos como a viagem a bordo do Expresso Oriente por paisagens de perder o fôlego, e perseguições feitas por capangas fortes e brucutus desprovidos de qualquer sentimento. 
E nesta aventura, Bond também conta com o auxílio de Kerin Bay, um agente ligado ao MI -6 na região da Turquia, disposto a ser "pau pra toda obra".
Este livro deu o primeiro impulso à Bond Mania quando o então presidente John Kennedy fez uma lista de livros favoritos para a conceituada revista Life e entre os títulos escolhidos estava Moscou Contra 007. Como tudo que Kennedy e sua família gostavam ou faziam virava moda nos Estados Unidos e no mundo inteiro, não demorou para que os livros de Ian Fleming virassem uma verdadeira febre. 
A adaptação para o cinema segue o livro com uma fidelidade quase completa. 
A Guerra Fria e a espionagem praticada naquela época foram levadas para as salas de cinema. Tudo estava lá, só que agora tínhamos imagens. E uma coisinha e outra era acrescentada para dar mais emoção. Vemos por exemplo a primeira aparição de Desmond Llewelyn como Major Boothroyd, o Q, armeiro do MI-6. 
Como curiosidade, vemos uma miss como a bond girl principal, Daniela Biancchi, a Miss Itália 1960, Miss Fotogenia e segundo lugar no Miss Universo do mesmo ano. Considerada uma das mais bonitas bond girls de todos os tempos. Segundo informações do site Universo Bond, Daniela Biancchi não dominava bem o inglês e seu sotaque italiano era muito evidente e por isso, teve de ser dublada no filme. 
Moscou Contra 007 é um dos filmes mais "queridinhos" entre os fãs de James Bond porque mesmo sem muitos gadgets nos mostra que o James Bond literário da espionagem clássica e o James Bond da "espionagem de cinema" caminham lado a lado, tornando - se um só para a alegria do seu público.

Eu retornarei em: 007 Contra o Satânico Dr. No  

PS: Essa série de textos é dedicada à memória de Ian Fleming e também aos amigos Lucian e Rildon que me incentivaram a fazer essa experiência. Obrigada, amigos. Beijos.

Site Universo Bond: (www.universobond.com.br)