My name is Patthy... Bondgirlpatthy

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Há 30 anos esse som toca na minha casa

Em 1982 aos 7 anos
Desde que a foto ao lado foi tirada no meu aniversário de 7 anos comemorado em 2 de maio de 1982 que um som ecoa por minha casa. O mesmo som que apesar da modernidade do CD e dos mp´s e i pod´s super tecnológicos abstecidos por downloads de sites que vendem músicas "invisíveis", esse som ainda insiste em ecoar muito muito forte não só em casa mas também em meu coração.
Eu mal sabia pronunciar de forma compreensível as palavras e já tinha sido "apresentada" às músicas através de cantores que eram populares na década de 70. Minha mãe, tios e tias, ainda solteiros, como todos os jovens, tinham seus ídolos da jovem guarda e outros movimentos musicais de sua época e compravam seus LPs e compactos de vinil que eram ouvidos na vitrolinha portátil branca que era do meu padrinho já falecido. Fui escutando aqueles sons que eram agradáveis, por vezes cantava junto com aquela linguagem infantil de quem ainda não entendia o sentido das letras das músicas. Artistas como Roberto Carlos, The Carpenters, Wanderley Cardoso (o disco que aparece na foto), Ney Matogrosso (que eu imaginava ser mulher pelo tipo de voz e dublava direitinho pois não conhecia seu rosto), Wando, Paulinho da Viola, Martinha, Márcio José, Gilbert O´Sullivan (o cantor de Claire de quem conheci o rosto recentemente graças ao meu amigo Dani Dargonfinks), Michael Jackson ainda criança entre outros, embalaram minha trilha sonora.
Meus tios e tias aos poucos foram casando e levando para suas casas seus pertences, tudo... menos os discos. Sempre diziam: "Deixa aí para ela escutar".
Muitos eram arranhados e os compactos quase todos sem capa mas todos tocavam. Adorava ouvir e como não sabia nomes de cantores ainda "apelidei" cada disco conforme a característica mais marcante ou a música. Tinha por exemplo o "disco da Tia Guida" que nada mais era do que o LP Horizon do The Carpenters porque achava que Karen Carpenter era parecida com minha tia Margarida. Teve também o disco que me traumatizou. O 2 na Bossa de Elis Regina e Jair Rodrigues. Quando Elis faleceu, aqui tinha uma revista "Amiga" especial da época com uma foto de close da cantora em seu caixão. Eu achava que se pusesse prá tocar o disco, a Elis Regina iria se levantar e vir me pegar prá ir com ela. Coisa de criança que demorou a passar mas que hoje já não tem nada a ver.
Com o tempo, meu padrinho levou embora sua vitrolinha branca e eu chorei por dias e dias ´pois para mim a vitrola era minha. Depois, por pouquíssimo tempo um outro tio emprestou um som que pude usar até o dia que ele também se casou e levou com ele.
Era 1982. Minha querida mãezinha resolveu me dar um presente muito incomum para uma criança. Um moderníssimo aparelho de som 2 em 1 automático da Sharp, um dos melhores e mais caros da época. Sem eu saber, ela foi a um mercado muito famoso, Jumbo Eletro,  e comprou meu aparelho de som à prestações. No dia do meu aniversário, mal conseguia começar a abrir o pacote de tão gigantesco. Foi o maior presente que ganhei em toda minha vida. Um som só meu que jamais iria embora da minha casa pois ninguém poderia levar. Foi a maior felicidade que tive quando ouvi o primeiro disco nele que nem me lembro qual mas com certeza ainda tenho.
No começo não alcançava colocar sozinha os LPs e só ouvia no fim de semana pois alguém tinha que me ajudar. Minha mãe me ajudava sempre e me ensinava até o dia em que pude alcançar e colocar os discos eu mesma. Foi maravilhoso esse dia.
E também comecei a ganhar e comprar, depois de muita economia, discos de minha própria época. Gugu Liberato, Bozo, Trem da Alegria não faltaram no meu repertório infantil e Roberto Carlos continuou reinando entre meus discos "de adulto". Também tenho alguns clássicos daqueles discos coloridinhos de estória infantil do Teatro Disquinho. Meu aparelho cresceu comigo, passou pela adolescência das trilhas de novela e boy band, cuja minha preferida era Menudo, especialmente o Rick Martin.
Foi também nesse aparelho que descobri a beleza da música clássica de Luciano Pavarotti e grandes orquestras como a de Leonard Bernstein, descobri Frank Sinatra, Max Steiner, Glenn Miller e Julio Iglesias.  E também onde ouvi a voz do Papa João Paulo II abençoando em português como um consolo de quem não teve seu apelo de ver Vossa Santidade de perto atendido por ser muito pequena à época de sua primeira visita no Brasil.
As músicas mudaram e o tempo passou... O aparelho ainda resiste



Em 2012 aos 37 anos
São momentos marcantes na minha vida embalados por boas músicas, dessas que já não se fazem como antigamente e que me deixam feliz. Coisas que viram eternidade e sentimento como neste disco de Ray Coniff adiquirido recentemente (que aparece na foto) e traz em seus acordes amor, sofisticação, alegria e beleza.
Fica minha dica à todos que gostam da boa música. Ouçam nos velhos equipamentos, abandonem um pouquinho a modernidade e garanto que não se arrependerão como eu nunca me arrependi.


PS: Texto dedicado às pessoas que me inspiraram com suas canções no vinil, aos amigos Vinícius Pereira, Khris Morris, Fábio Rotta, Dargonfinks, Gustavo Gossen e muito especialmente à minha mãe Lourdes por me dar o melhor de todos os presentes: a música.








10 comentários:

  1. Pois é Patthy...
    Existem coisas que possuem um valor sem igual. O que para muitos é sinônimo de "tranqueira", "velharia", "lixo", para nós saudosistas, é uma "relíquia". Quem me dera ter salvo o meu 3 em 1 da Gradiente. Mas infelizmente, com dor no coração fui obrigado a me desfazer dele. Primeiro porque já não funcionava direito, segundo, a era dos discos digitais estava se firmando no mercado. Mas tenho boas recordações, como reunir os amigos em casa para ouvir o bom e velho "bolachão" logo depois das aulas diárias. Lembranças estas, que se tornam eternas...
    Beijocas.

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  2. Querido vc complementou meu texto. Não troco meu aparelho por nada. Eu talvez morra antes dele pifar e c/ certeza irei e ele vai ficar. Dei uma olhada no Google e talvez possa te ajudar a ter seu Gradiente de volta. Acesse esse link aqui http://www.catodi.com.br/
    Vou aproveitar p/ mim tb qdo for trocar agulha novamente. Essa q está nele está há 16 anos e tocando mto bem. Estou ouvindo Tonico & Tinoco neste momento e o som é tão cristalino como no primeiro dia. Bjs e obrigada pela visita e pelo carinho de sempre.

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  3. Ah, que saudades do meu Gradiente! rsrsrs Os discos de vinil tinham um som especial, mesmo. Que você continue curtindo o som do seu equipamento por muito tempo! Beigiunhos gelados!

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    1. Giulia, existem lojas aqui em São Paulo e tb o Mercado Livre q vendem aparelhos de som e acessórios. Vc pode dar uma olhadinha e de certa forma "recuperar" seu Gradiente. Sem dúvida nada supera o som do vinil. Obrigada pela visita da minha amiga Morceguinha. Bjs c/ carinho e um brinde shaken not stirred.

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  4. O querida Patty...lembro muito desse tempo,minha avó tinha um,escutava tbmmm muitas musicas com os antigos discos de vinil...principalmente do ELVISSS...minha paixao incondicional...hj porem nao sei que fim levou o aparelho da minha querida avó,la se foram 30 e tantos anos...mas as lembraças essas sim nem o tempo e ninguem nos tira.
    Longe por muito tempo,mas sempre que der passo p/ dar uma olhadinha e participar...como disse saudades de vc e do nosso guri medonho...
    bjossss .CLAUDIA.

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    1. Q bom receber sua visita Claudia. Realmente os discos de vinil trazem à tona muitas lembranças a quem como nós viveu (e ainda vive) aquela época. Com certeza as músicas de Elvis e as outras q vc ouviu na casa da sua avó ainda ecoam na sua memória e isso não se apaga. Vc é sempre bem - vinda aqui no meu espacinho q tb demoro de atualizar mas sempre q surge uma ideia venho aqui e posto. Ah vc pode clicar no selinho do Guri Medonho e ir direto p/ lá. Tá mto legal tb. Bjs

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  5. Nossa, q legal essa foto Patthy. Eu tb tenho o meu velho e bom som q toca Vinil, uma verdadeira reliquia q funciona até hj, além de uma coleção de mais de 400 discos. E aqui para nós, era um som diferente, e cada disco daquele para mim tem uma história especial. É lógico q a tecnologia é bem vinda, eu amo o meu MP4, os meus CD´s, mas esse tipo de equipamento me remete a uma fase da minha vida muito legal, e q não voltará nunca mais... (AMEI A FOTO, em 1982 eu tinha 11 anos, poderíamos ter sido colegas, rs...) Bjão!

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  6. Q legal Duque, fico mto feliz c/ sua visita. Puxa q máximo. De todos os leitores q comentaram esse post vc foi o único q conservou seu equipamento. E não pude deixar de notar uma coisa, vc é mais velho q eu mas nem sinto a diferença. Tenho amigos da sua idade e tb um pouquinho mais velhos mas de espírito jovem assim como vc e é isso q importa. Bjs

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  7. Que lega a sua história! Parabéns pela sabedoria em conservar as suas raízes! Gostaria de ter tido a mesma sorte sua, pois quando era criança, não sei por que, na minha casa não tinha aparelho de som, embora meu pai adorasse musica (ouvia apenas no carro), e foi através dele que aprendi a gostar de Beatles, Dire Straits, Bee Gees, etc...

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    1. Obrigada por sua visita Luciano, existem muitas vitrolas e aparelhos de som a venda no Mercado Livre e na Casa do Toca Discos na Rua Santa Ifigênia (se vc for de São Paulo). Vc tb pode encontrar vários LPs - inclusive desses artistas q vc citou e quem sabe realizar essa sua vontade. Espero q vc consiga.

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